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Will Smith fala de sua 'covardia' em biografia lançada no Brasil - Cultura - Estado de Minas-lugardafinancas.com

Jornal Estado de Minas

LITERATURA

Will Smith fala de sua 'covardia' em biografia lançada no Brasil


“Olhando para trás, me dou conta de que talvez estivesse exagerando um pouco, mas a razão de eu odiar tanto aquelas críticas era porque eles, sem saber, estavam cutucando aquilo que eu mais odiava em mim mesmo: a sensação de ser um covarde.” A frase é do ator Will Smith e você pode estar se perguntando se ela se refere ao escândalo do tapa ocorrido na última festa do Oscar.





Nada disso. A reflexão faz parte de “Will”, livro escrito pelo ator em parceria com Mark Mason, no qual ele fala do que viveu desde a infância até se tornar astro de Hollywood.

“TOSCO”

No início de sua carreira no hip-hop, o jovem negro era chamado de “fraco”, “tosco” e “rapper modinha”. Will explica que veio de família de classe média – portanto, tinha condição social melhor que a de outros rappers que desabafavam sobre as adversidades da vida em sua música.

O livro revela a busca de Will por equilíbrio emocional. Muito mais que traçar como ele alcançou o ápice da carreira de ator, a biografia permite contato com o mundo interior do artista, as questões mais profundas que o atravessam e a relação com a família – tanto com pais e irmãos, quanto a que constituiu com Jada Pinkett Smith.

Will é paciente da terapeuta austríaca Michaela Boehm, com formação em psicologia junguiana. O livro, aliás, parece derivar das sessões de psicanálise. O ator investiga sua própria personalidade e – pasmem! –, o que ele mais faz é questionar a passividade, a doçura, o jeito de resolver tudo de maneira diplomática, sendo engraçado.







Em dado momento, ele revela o conflito entre o Tio Fofo, que a todos quer alegrar e agradar, e Will, ser humano que, como qualquer outro, é atravessado por dilemas existenciais, alguém que passa por momentos difíceis e lida com sentimentos ruins. Afirma que, desde a infância, optou pela personalidade engraçada, o melhor jeito que descobriu para ser amado.

Will conta como os pais se encontraram, pessoas de personalidades e formações distintas. O pai, extrovertido, falador e brincalhão, de pouco estudo, mas muito disciplinado. A mãe, mulher de poucas palavras, mas muito culta por gostar de ler, com a formação superior que poucas mulheres negras receberam nos Estados Unidos na década de 1960. Amante de jazz e blues, o casal viveu a era gloriosa da Motown.

O pai de Will teve papel fundamental na formação do caráter do ator, fazendo dele um homem disciplinado. Disciplina adquirida na Força Aérea americana imposta aos filhos.

Will atribui a essa disciplina o sucesso do ator, que bate recordes de bilheteria. Indagado por repórteres sobre o sucesso estratosférico, respondia: “Bom, eu me considero bem mediano em termos de talento. Acredito que tenho vantagem quando se trata da minha disciplina inflexível e implacável e da minha ética do trabalho.”





Durante a infância, Will conviveu com o pai atormentado pelo alcoolismo, que o tornava extremamente violento com a esposa, Caroline. Uma das cenas que marcam suas lembranças é não ter reagido às agressões sofridas pela mãe. Isso o colocou, para si mesmo, no lugar de covarde.

Ao mesmo tempo, o menino percebeu que poderia controlar o pai se o fizesse rir. A ligação dos dois é marcada por esse conflito. Não é à toa que eles têm o mesmo nome: o astro foi batizado Williard Carrols Smith II.

MURO

Embora com alguns problemas de tradução, o livro traz momentos curiosos da vida do jovem  Will Smith, como a tarefa que o pai impôs a ele e ao irmão de reconstruir um muro gigantesco em frente da sua loja, de três metros de altura por seis metros de comprimento. 




 
O ator revela que tomou ayahuasca, chá alucinógeno preparado por xamãs na Amazônia.

“Sou feliz?”, pergunta ele, em certo momento. Para os mortais, a resposta pode ser óbvia por se tratar de um ator que conquistou sucesso e constituiu família que é referência. No entanto, a resposta a essa pergunta, no capítulo “A entrega”, é bastante surpreendente e engraçada.

Com texto leve e rápido de ler, o livro é divertido e pode ajudar a compreender Smith, que corre o risco de virar persona non grata em Hollywood após agredir Chris Rock, durante a festa do Oscar, para defender a esposa.

(foto: Editora BestSeller/Reprodução)


“WILL”
• De Will Smith, com Mark Mason
• Editora BestSeller
• 448 páginas
• R$ 59,90