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Jornal Estado de Minas

Especial JFK

Católico e ligado à família, Kennedy tinha opiniões controversas e sabia atrair os holofotes

O 35º presidente dos Estados Unidos teve o mandado marcado por façanhas e simbolismo

Rodrigo Craveiro
"Não perguntem o que o seu país pode fazer por vocês; perguntem o que vocês podem fazer por seu país" - John F. Kennedy em seu discurso de posse, em 20 de janeiro de 1961 - Foto: Arte/EM “Meus colegas americanos: não perguntem o que seu país pode fazer por vocês; perguntem o que vocês podem fazer por seu país. Meus colegas cidadãos do mundo: não perguntem o que a América pode fazer por vocês, mas o que, juntos, podemos fazer pela liberdade do homem.” Diante do juiz Earl Warren, chefe da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy tornava-se o 35º presidente dos EUA, aos 43 anos, em 20 de janeiro de 1961. Um dos discursos mais famosos de todos os tempos dava início a um mandato curto, marcante, repleto de façanhas e de simbolismo, no tenso período da Guerra Fria. Apenas 1.036 dias depois de sua posse, três tiros transformaram Kennedy em mito e mergulharam o país no luto. JFK era a personificação de um sonho dos pais, o embaixador americano no Reino Unido, Joseph Patrick “Joe” Kennedy e a filantropista Rose Elizabeth Fitzgerald.

 

Relembre a história de JFK em fotos! Católico, o único presidente não protestante da história dos EUA soube incorporar valores culturais americanos e usar o passado militar como instrumento para angariar apoio contra a Guerra do Vietnã. O affair com a atriz Marilyn Monroe e a amizade com o cantor Frank Sinatra potencializaram sua capacidade midiática e tornaram-no um ícone popular. “John Kennedy era jovem, vibrante e cheio de promessas, quando se tornou presidente. Os Estados Unidos se sentiram da mesma maneira, enquanto nação. O país emergiu da Segunda Guerra Mundial como potência militar e econômica, a opinião pública sentia-se confiante, e Kennedy refletia esse sentimento", afirmou Cal Jillson, cientista político da Southern Methodist University. Filho de uma rica família de origem irlandesa, JFK passou parte da adolescência na escola para garotos Choate, em Wallingford (Connecticut), onde gozava de grande popularidade e, nas horas de folga, dedicava-se ao esporte e à leitura. À exceção de história e do inglês, não se destacava nas demais disciplinas. Segundo o chefe dos professores de Choate, Jack – como era conhecido – tinha uma mente “engenhosa e individualista”. JFK abasteceu sua verve democrata em 1936, após ser aceito pela respeitada Universidade de Harvard, onde se graduou em ciência política, quatro anos depois. Durante a faculdade, visitou a Europa, aguçando seu interesse por história e política. Dos corredores acadêmicos, tomado pelo patriotismo, JFK decidiu se alistar na Marinha durante a Segunda Guerra. Atuou como comandante do barco torpedeiro PT-109, atingido por um torpedo japonês em 1943. Apesar dos graves ferimentos, Jack salvou vários de seus colegas. Na mesma batalha, perdeu seu irmão Joe.

POLÍTICA Ao fim da guerra, JFK ingressou na política. Em 1952, durante um jantar promovido por seu Partido Democrata, o então deputado por Boston – cargo ocupado por seis anos – foi apresentado a Jacqueline Bouvier, uma escritora do Washington Times-Herald. Diante da paixão, Jackie pôs fim ao noivado. No mesmo ano Kennedy se elegeu senador por Massachusetts e, em 12 de setembro de 1953, se casou com Jackie em Rhode Island. Os primeiros anos de vida conjugal foram marcados pela tragédia, que acompanharia a família Kennedy para sempre. Jackie sofreu dois abortos, antes de dar à luz Caroline, em 27 de novembro de 1957, e John Fitzgerald Kennedy Jr., em 25 de novembro de 1960. Três anos depois, o bebê Patrick morreu 48 horas após o parto. Durante a convalescença de uma cirurgia na coluna, em 1955, incentivado pela mulher, JFK escreveu o livro Profiles in courage, com o qual ganhou o Prêmio Pulitzer. A carreira no serviço público deu uma guinada em 1960, quando venceu as primárias democratas e tornou-se candidato à Casa Branca. O presidente Kennedy deu novos ares, menos formais, à Casa Branca. Deixava-se fotografar sorridente e batendo palmas, enquanto os pequenos John Jr. e Caroline corriam pelo Salão Oval ou se escondiam sob a mesa de despacho. "JFK se destacou em vários aspectos. Algumas de suas posições foram amplamente admiradas. Muitas mostraram-se bastante controversas, como o corte de impostos, o apoio aos direitos civis, a confrontação da expansão militar soviética em Cuba e a defesa por uma América assertiva no cenário mundial”, explicou o cientista político Mark Kennedy. JFK rompeu com o segregacionismo e o passado escravocrata do Sul, e pavimentou o caminho para a aprovação de uma lei dos direitos civis. No cenário externo, mantinha a preocupação com a liberdade para além das fronteiras dos EUA. "Se homens e mulheres estão em cadeias, em qualquer parte do mundo, então a liberdade está em perigo", declarou, certa vez, o presidente, antes de definir o papel da América. "Nós nos levantamos pela liberdade. Essa é a nossa convicção para nós mesmos. Esse é nosso compromisso com os outros." Também foi no governo de Kennedy que a Guerra Fria impulsionou a corrida espacial. Após os russos terem enviado o primeiro homem ao espaço, em 1961, JFK propôs o desafio de enviar o primeiro homem à Lua, o que foi alcançado em 20 de julho de 1969, quando a sonda Apollo 11 tocou a superfície lunar. O primeiro presidente da era da televisão tinha um ponto fraco: mulheres. A mídia sabia que Kennedy era infiel a Jackie. No entanto, não ousava mencionar esse detalhe. A biografia The precious few days (Os poucos dias preciosos), assinada por Christopher Andersen, revela que a atriz Marilyn Monroe foi chamada à Casa Branca e admitiu à primeira-dama o relacionamento com JFK. O caso com a atriz contribuiu para amplificar o interesse na figura do presidente. Um político carismático, determinado, aferrado às suas convicções e galanteador.