Os Estados Unidos aplicaram nesta segunda-feira sanções jurídicas e financeiras ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pela "ruptura da ordem constitucional" pela Assembleia Constituinte.
"As eleições ilegítimas de ontem (domingo) confirmam que Maduro é um ditador que ignora a vontade do povo venezuelano", disse o secretário do Tesouro, Steven T. Mnuchin, ao anunciar que todos os ativos do mandatário "sob a jurisdição dos Estados Unidos estão congelados".
A Procuradora-Geral da Venezuela, Luisa Ortega, afirmou nesta segunda-feira que o país está diante de uma "ambição ditatorial" do presidente Nicolás Maduro, e que não reconhece a Assembleia Constituinte eleita no domingo durante um dia de violência que deixou dez mortos.
Leia Mais
Procuradora-geral: Venezuela está ante uma 'ambição ditatorial' de MaduroMaduro celebra Constituinte e oposição não reconhece resultado na Venezuela"Eu me dirijo ao país (...) para desconhecer a origem, o processo e suposto resultado da imoral Constituinte presidencial (...). Estamos frente a uma ambição ditatorial", afirmou Ortega em um pronunciamento ante a imprensa, ao assegurar que essa instância "não tem legitimidade".
Ortega, chavista bastante crítica a Maduro, assegurou que a Constituinte "vai acabar" com os direitos a voto, manifestação e liberdade de expressão. "Todos os direitos políticos estão em perigo", advertiu.
O poder eleitoral anunciou que oito milhões de venezuelanos (45,5%) participaram na votação de domingo, o que Maduro celebrou "como um triunfo histórico", mas a oposição denuncia como fraude.
"Essa Constituinte presidencial não tem legitimidade. É uma piada com o povo e sua soberania. Veremos um poder absoluto nas mãos de uma minoria", sentenciou a funcionária.
A procuradora disse o que governo quer "exercer o poder sem limite algum" e que este "não é o projeto de país que proporia" o presidente Hugo Chávez (1999-2013).
Ortega rompeu com Maduro há quase quatro meses ao qualificar como "ruptura da ordem constitucional" as decisões do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que se sobrepuseram às competências do Parlamento, de maioria opositora.
.