O que causou a morte de James Van Der Beek aos 48 anos?
Entenda a doença, os fatores de risco, o rastreio e as opções de tratamento
compartilhe
SIGA
O ator James Van Der Beek, de 48 anos, conhecido por protagonizar a série "Dawson’s Creek", morreu na última quarta-feira (11/2) em decorrência de um câncer colorretal. O astro foi diagnosticado com a doença em 2023, e contou ao público sobre a doença em 2024.
A confirmação ocorreu após a realização de uma colonoscopia, mesmo sem a presença de sintomas. "Antes do meu diagnóstico, eu não sabia muito sobre câncer colorretal. Eu nem percebi que a idade de triagem caiu para 45; eu achava que ainda era 50”, comentou na época em entrevista ao Healthline.
Leia Mais
O que é câncer colorretal?
O câncer colorretal é uma doença maligna do aparelho digestivo que acomete o intestino grosso e apresenta chances de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Na prática, o termo “câncer colorretal” engloba dois tipos de neoplasias do intestino grosso: o câncer de cólon e o câncer de reto.
“Quando o tumor está localizado até 10 centímetros da margem anal, classificamos como câncer de reto. Entre 10 e 12 centímetros, trata-se da transição sigmoide. Acima de 12 centímetros, é considerado câncer de cólon”, explica Ramon Andrade de Mello, oncologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Fatores de risco
De acordo com o especialista, os principais fatores de risco para as neoplasias colorretais são:
-
Obesidade
-
Consumo de alimentos processados
-
Estilo de vida sedentário
A idade também é um fator importante. “Há maior suscetibilidade ao desenvolvimento desse tipo de neoplasia após os 50 anos”, destaca o oncologista, ressaltando a importância da realização anual de exames para o rastreio da doença.
Rastreio da doença
Um dos principais métodos de rastreamento é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, que deve ser realizada anualmente. Dependendo do resultado, o médico pode indicar exames complementares, como retossigmoidoscopia ou colonoscopia total.
Em alguns casos, como em pacientes com histórico familiar de doenças genéticas associadas a neoplasias intestinais, pode haver indicação direta de colonoscopia, sem necessidade prévia do teste de sangue oculto.
Outra estratégia que vem ganhando espaço é a biópsia líquida, um exame minimamente invasivo que, a partir de uma simples coleta de sangue, identifica fragmentos de DNA tumoral ou células tumorais circulantes (CTCs) na corrente sanguínea.
“Esse método pode oferecer respostas em situações nas quais exames de imagem não detectam alterações suspeitas ou quando a biópsia tradicional representa alto risco para o paciente”, explica o oncologista. Segundo ele, a técnica tem contribuído significativamente para diagnósticos mais precoces. “Para o câncer, tempo é vida. Quanto mais se atrasa o tratamento oncológico, maiores são as perdas em termos de sobrevivência.”
Tratamento
Após o diagnóstico, o tratamento depende do tipo específico do câncer e do grau de acometimento.
No câncer de reto, o tratamento pode envolver radioterapia, quimioterapia e cirurgia. “Normalmente, iniciamos com quimioterapia, avaliamos a resposta com exames de imagem, como a ressonância magnética, e depois indicamos radioterapia. A cirurgia, quando realizada após esse protocolo, tende a apresentar menor risco de complicações e maiores chances de sucesso”, informa.
Já no câncer de cólon, a abordagem costuma começar com cirurgia. Posteriormente, com base no resultado anatomopatológico da peça cirúrgica, o médico avalia a necessidade de quimioterapia complementar.
Nos casos de doença avançada metastática - tanto no câncer de cólon quanto no de reto - o tratamento é semelhante e envolve terapia sistêmica antineoplásica, que pode incluir quimioterapia, terapias-alvo e, em situações selecionadas, imunoterapia.
Diretrizes
A escolha terapêutica depende, entre outros fatores, de a doença metastática ser ressecável (quando as metástases podem ser removidas cirurgicamente) ou irressecável. “Dependendo da extensão e da forma como a doença está disseminada, podemos combinar diferentes modalidades de tratamento. É uma doença complexa, mas atualmente contamos com diretrizes consolidadas que permitem bons resultados”, afirma o especialista.
Na fase inicial, o tratamento pode durar entre quatro e seis meses, por envolver a combinação de protocolos. Já na doença avançada, pode se estender por mais de cinco anos, dependendo das características individuais do paciente. “Podemos afirmar que o câncer colorretal é curável, principalmente quando diagnosticado nos estágios mais precoces. Quanto mais localizada a doença, maiores as chances de cura. Na doença avançada, essas chances diminuem”, ressalta.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Ramon Andrade também destaca a importância da biologia molecular na definição do tratamento. “Solicitamos testes genéticos que ajudam a direcionar a melhor estratégia terapêutica para cada caso. Os testes de RAS e BRAF são recomendados pelas diretrizes brasileiras e americanas de cancerologia. Além disso, a biópsia líquida tem se mostrado cada vez mais útil na personalização do tratamento.”