Os medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, são extremamente populares para quem busca perder peso. No entanto, com o carnaval, essas pessoas devem ficar atentas, especialmente se desejam aproveitar as festas e a folia, pois o uso desses medicamentos, conhecidos como canetas, pode aumentar a chance de problemas de saúde durante essa época do ano.

“Pessoas em uso de agonistas de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, devem ter atenção redobrada. Esses medicamentos reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico, o que aumenta o risco de náuseas, baixa ingestão alimentar e desidratação durante o carnaval”, diz a médica nutróloga, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Marcella Garcez.

Além disso, outra questão importante é com relação à tolerância ao álcool. “A pessoa que faz uso das canetas emagrecedoras fica mais sensível ao consumo de bebidas alcóolicas. E é uma época em que as pessoas já tendem a consumir mais álcool”, alerta a ginecologista com especialização em medicina integrativa e funcional, Patrícia Magier.

Segundo Patricia, a desidratação é um dos principais riscos para quem faz uso das canetas e vai aproveitar a folia. “O calor do verão e a rotina intensa do carnaval se somam ao fato de que pessoas em uso de canetas emagrecedoras tendem a sentir menos sede e, consequentemente, ingerir menos líquidos devido ao aumento da saciedade”, diz a médica.

Além disso, o jejum prolongado e as muitas horas sem comer por conta de não estar sentindo fome podem gerar hipoglicemia. “E tudo isso pode potencializar os efeitos colaterais das canetas, como náusea, vômito e mal-estar, podendo chegar até episódios de síncope”, alerta a especialista.

Para evitar problemas, o fundamental é reforçar a hidratação. Esse cuidado é especialmente importante com as altas temperaturas do verão. "Já que suamos mais, o risco de desidratação é alto”, explica a  endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), Deborah Beranger. Então, ande sempre com sua garrafinha de água. “Para minimizar os danos, beber água entre os goles de álcool é uma maneira importante de evitar a desidratação. Lembre-se também de levar frutas como maçã, pera e melão, pois elas ajudam na hidratação do corpo”, diz Deborah.

Outro ponto muito importante é a moderação. Especialmente para pessoas que fazem uso desses medicamentos, é preciso tomar cuidado com o consumo excessivo de álcool. "Além da desidratação, o álcool também sobrecarrega o rim. O etanol atrapalha a função do hormônio antidiurético, que garante que o corpo não perca muita água, fazendo com que o rim deixe de concentrar a urina, perdendo mais água que o habitual”, afirma Deborah Beranger.

Vale lembrar que há um nível seguro para o consumo de álcool. “Qualquer quantidade está associada a riscos significativos para a saúde. Mas, para quem opta por consumir álcool, é fundamental estar ciente dos potenciais riscos e fazê-lo com extrema moderação e cuidado”, aponta Marcella Garcez.

Uma boa alimentação também é indispensável. Nesse sentido, o primeiro cuidado é não beber de estomago vazio. “A comida reduz a velocidade de absorção do álcool no trato gastrointestinal”, explica a médica nutróloga. É importante também não pular refeições ao logo do dia, então programe-se. Vale a pena, por exemplo, levar alimentos leves na mochila para não ficar sem comer.

“O segredo é se planejar antes e comprar snacks saudáveis, barrinhas proteicas, castanhas, frutas frescas ou secas e lanches naturais para levar durante o percurso, garantindo lanches leves e saudáveis, com o bônus de gastar menos dinheiro”, afirma Marcella.

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Para as pessoas que fazem uso das canetas e querem realmente curtir o carnaval, Patrícia Magier diz que o ideal é que seja feito um planejamento com acompanhamento médico para realizar ajustes das doses da medicação ou até suspender durante esse período do carnaval. “Se a pessoa sabe que vai para bloco e vai ficar muito tempo sem se alimentar, sem estar preocupada com a hidratação, às vezes é melhor suspender e depois retomar o tratamento”, complementa a médica.

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