Fevereiro chega e, com ele, o período mais festivo do ano. Blocos de rua e praias lotadas são símbolo do carnaval. Nessa época, é comum que as pessoas passem mais tempo fora de casa, o que, combinado com as altas temperaturas do período, pode aumentar muito o risco de queimaduras.

“A queimadura solar é uma reação inflamatória aguda que ocorre após a superexposição à radiação ultravioleta. Ela causa danos diretos ao DNA, resultando em inflamação e morte de células da pele. Há também o risco de insolação, uma condição grave que ocorre quando o corpo se aquece muito devido à exposição ao calor e ao sol”, diz o dermatologista, diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), Daniel Cassiano.

“Além disso, a exposição crônica ao sol acelera o envelhecimento cutâneo, representado pela flacidez e perda de viço da pele, e provoca manchas brancas e marrons nas áreas expostas. E a radiação UV também é o principal fator de risco para o câncer de pele”, acrescenta. Logo, se proteger do sol durante o feriado é fundamental para evitar essas consequências para a saúde da pele. E engana-se quem acha que basta aplicar o protetor solar antes de sair de casa. Para garantir uma proteção adequada, é importante seguir pelo menos três passos:

Passo 1: Escolher um produto adequado

O primeiro cuidado começa antes mesmo da aplicação, no momento da escolha do produto. “O mais importante é que o protetor solar tenha, no mínimo, FPS 30”, diz a dermatologista Glauce Eiko, membro da SBD-RESP.

Ela explica que o Fator de Proteção Solar (FPS) indica o nível de proteção contra os raios UVB, responsáveis pelas queimaduras. “Na prática, ele mede quanto tempo a pele pode ficar exposta ao sol sem se queimar, em comparação à pele sem proteção. Um protetor com FPS 30, por exemplo, bloqueia cerca de 97% dos raios UVB, enquanto o FPS 50 bloqueia aproximadamente 98%. Embora a diferença pareça pequena, optar por fatores mais altos pode oferecer uma margem extra de segurança. Além disso, a maioria das pessoas aplica menos produto do que o recomendado. Nesses casos, um FPS mais alto ajuda a compensar”, explica a médica.

Mas é importante que o produto ofereça proteção de amplo espectro e também combata a radiação UVA, principal responsável pelo fotoenvelhecimento e o câncer de pele. “As siglas PPD (Persistant Pigment Darkening) ou FPUVA (Fator de Proteção UVA) indicam o grau de proteção contra os raios UVA. Para exposição solar direta, o recomendado é que o PPD seja de 15 a 20, de acordo com o fototipo da pele”, complementa Daniel.

Na hora de escolher, vale a pena levar em consideração outros fatores, como a textura. “Encontrar uma textura agradável para o seu tipo de pele aumenta a adesão e garante a proteção contínua contra os danos solares”, recomenda o dermatologista.

Para peles oleosas, por exemplo, o ideal são produtos em gel ou oil free. “Já peles sensíveis se beneficiam mais de protetores minerais, sem fragrância e hipoalergênicos. Peles normais ou secas podem optar por versões em creme ou loção, que são mais hidratantes”, acrescenta Glauce Eiko.

Para quem vai pular carnaval e pode acabar enfrentando chuvas, assim como quem vai para a praia, pode ser interessante também apostar em produtos resistentes à agua. “Termos como ‘resistente à água’ e 'super-resistente' no rótulo dos protetores referem-se à capacidade dos produtos de manterem sua eficácia mesmo quando expostos à água ou ao suor. Normalmente, um protetor resistente à água permanece eficaz por até 40 minutos após a imersão na água ou transpiração. Já um produto super-resistente oferece proteção por um período mais longo, geralmente até 80 minutos”, detalha a médica.

Passo 2: Aplicar (e reaplicar) corretamente

Tão importante quanto escolher o produto correto, é aplicá-lo corretamente para garantir uma proteção eficaz contra a radiação solar. “O produto deve ser aplicado 15 minutos antes da exposição solar”, diz a Glauce.

E a quantidade também importa. “A regra geral é usar cerca de uma colher de chá para rosto e pescoço, uma colher para cada braço, duas colheres para cada perna e duas para o tronco”, detalha a médica, que ressalta que o produto deve ser aplicado mesmo em dias nublados. “Cerca de 80% da radiação ultravioleta atravessa as nuvens. Portanto, mesmo em dias nublados ou chuvosos, o protetor solar continua sendo indispensável”, alerta a dermatologista.

Não basta também aplicar o protetor solar apenas uma vez por dia, pois a reaplicação é indispensável para garantir a proteção contínua. “O produto é gradualmente quebrado pela ação dos raios ultravioleta, tornando-se menos efetivo com o passar do tempo. Por isso, o recomendado é reaplicar o produto a cada duas horas ou após contato com água ou suor excessivo”, diz Daniel Cassiano.

E para reaplicar é simples - basta seguir a mesma regra que deve ser utilizada para aplicar o produto pela primeira vez, assim garantindo máxima cobertura e proteção. Produtos resistentes a água também devem ser reaplicados. “Recomendamos que esses produtos sejam reaplicados imediatamente após sair da água, por exemplo, pois o ato de passar a mão no rosto ou se enxugar com uma toalha, o que é comum nesses momentos, ajuda a retirar o protetor solar. Então, o melhor é se prevenir e garantir a proteção assim que possível”, aconselha o especialista.

Passo 3: potencializar a fotoproteção

O protetor solar é a principal medida de fotoproteção, mas não é, e nem deve ser, a única. No carnaval, é importante adotar outras estratégias para garantir uma fotoproteção ainda mais eficaz, como apostar em bloqueios físicos. “Sempre que possível, mantenha-se na sombra e invista em acessórios como óculos de sol e chapéus, que devem oferecer proteção ultravioleta”, diz Daniel Cassiano.

Também é recomendado investir em roupas que ofereçam proteção UV, apesar de não substituírem o protetor solar. “A roupa oferece uma camada extra de proteção da pele, mas é necessário aplicar protetor solar antes de vesti-la, assim como nas áreas expostas. Vale ressaltar que, quando a roupa com FPS é muito justa, a trama acaba abrindo com o passar do tempo, o que diminui a eficácia de proteção. Além disso, após molhada, a roupa com FPS também pode ter sua capacidade de proteção prejudicada”, alerta Glauce Eiko.

Os médicos ressaltam que o uso de protetor solar é perfeitamente seguro. “Alguns consumidores temem que os filtros químicos possam atuar como desreguladores hormonais ou causar reações alérgicas. Outros citam a deficiência de vitamina D como motivo para abandonar completamente o protetor solar. Mas nada disso tem evidência”, aponta Daniel Cassiano.

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“Com relação à questão hormonal, a preocupação decorre principalmente de estudos em animais ou em laboratório com altas concentrações que superam a quantidade utilizada na formulação dos protetores. E embora a exposição aos raios UVB ajude o corpo a sintetizar vitamina D, em caso de deficiência, é recomendada a suplementação por via oral. A ciência reforça que o uso diário do protetor solar é uma estratégia consistente para reduzir a incidência de câncer de pele, controlar doenças de pele como o melasma e retardar os sinais de envelhecimento”, reforça.

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