Ana Mendonça
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em minas

Zema diz não a quase tudo, menos ao Planalto

Zema tem sido cuidadoso em não tratar Flávio Bolsonaro como adversário direto e mantém canais abertos com o ex-presidente Jair Bolsonaro

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O governador Romeu Zema (Novo) tem repetido uma estratégia curiosa, mas consistente, na pré-corrida presidencial de 2026: dizer não a todas as alternativas que não sejam o topo da chapa. Nos últimos meses, o mineiro recusou três caminhos que, para muitos aliados da direita, seriam atalhos naturais. Disse não ao Senado, disse não à Vice-Presidência da República e, apesar da proximidade política, disse não a qualquer composição antecipada com o bolsonarismo. O recado é simples: Zema quer ser candidato a presidente ou, no limite, seguir como presidenciável até onde der.

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Nesta segunda-feira (12), Zema negou publicamente a possibilidade de ser vice numa chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A negativa veio após semanas de especulação sobre uma possível costura liderada pelo senador Ciro Nogueira (PP), defensor da unificação da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu sou pré-candidato, como já aconteceu o lançamento no ano passado e continuo com a pré-candidatura e irei até o final”, disse o governador ao ser questionado pela imprensa.

Zema foi direto. Reafirmou sua posição ao Planalto e afastou qualquer outra especulação. Pessoas próximas ao governador reforçam que não houve qualquer contato formal para tratar de Vice-Presidência. O movimento, ao menos por agora, é tratado como ruído externo.

Essa não foi a primeira recusa pública. Em dezembro do ano passado, Zema descartou de forma categórica a possibilidade de disputar o Senado em 2026. “Nunca serei senador”, disse, em entrevista, ao afirmar que não tem perfil para o Legislativo e que se enxerga exclusivamente como gestor do Executivo. A fala encerrou um período de especulação sobre uma possível candidatura ao Senado como plano B.

A recusa a qualquer composição precoce não significa rompimento com o bolsonarismo. Pelo contrário. Zema tem sido cuidadoso em não tratar Flávio Bolsonaro como adversário direto e mantém canais abertos com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, o próprio governador relata uma conversa como o líder da extrema direita, ainda em 2025, na qual o ex-presidente o teria incentivado a manter a candidatura e defendido que múltiplos nomes da direita no primeiro turno ajudam a somar forças no segundo. A lógica é a mesma que Zema passou a repetir publicamente: não há prejuízo em pulverizar agora para concentrar depois.

Essa ambiguidade calculada se reflete também nas ruas. Zema participou de atos convocados por Jair Bolsonaro, como a manifestação na Avenida Paulista em fevereiro de 2024 e o ato em defesa da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, em 2025. Em outros momentos, no entanto, optou por não comparecer a mobilizações com tom mais agressivo contra o Supremo Tribunal Federal (STF), preservando a margem institucional.

Enquanto diz não às alternativas, Zema diz sim à construção simbólica da pré-campanha. Nas redes sociais, tem investido em metáforas, vídeos caseiros e analogias políticas, como o recente episódio em que comparou a limpeza do quintal de casa à necessidade de “dar destino às frutas podres” na política brasileira em 2026. Os vídeos virais, esses usados com inteligência artificial, são seus favoritos. É comunicação direta com o eleitor antipetista, sem assumir confronto frontal com aliados potenciais.
O desenho que se forma é claro. Zema tenta ocupar o espaço de presidenciável da direita liberal, mantendo diálogo com o bolsonarismo sem subordinação formal. Ao recusar o Senado e a Vice-Presidência, ele evita o papel de coadjuvante e sustenta a narrativa de que Minas não entra pequeno na eleição presidencial.
Até o período das convenções, entre julho e agosto, o cenário ainda pode mudar. Mas, por ora, o governador mineiro tem sido consistente: não quer escada, não quer atalho e não quer consolação. Quer a disputa inteira, mesmo sabendo que, na política, insistir em dizer não também é uma forma de negociação.


NÃO GOSTOU

Depois que o cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de “O agente secreto”, afirmou em conversa com jornalistas – após a premiação que rendeu ao longa um Globo de Ouro – , que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro foi essencial para vitória da cultura no Brasil, o deputado federal Junio Amaral (PL) demonstrou a sua insatisfação. “Os hipócritas enchem a boca para falar de Bolsonaro enquanto são ‘premiados’ no tal Globo de Ouro, mas ficam calados sobre o Banco Master, sobre a ditadura venezuelana, que torturava até crianças, sobre o regime iraniano, que já matou milhares de manifestantes, sobre os escândalos do INSS, o aumento da violência e todas as outras mazelas que, se não envolvessem aliados deles, os fariam sair histéricos por aí. São canalhas, um amontoado de lixo. A esquerda é um câncer”, disse ele em rede social.


CONTRAPARTIDA

A premiação de “O agente secreto” repercutiu positivamente também entre outros parlamentares. A deputada federal Duda Salabert (PDT) celebrou a vitória e destacou o momento do cinema brasileiro, com elogios a Wagner Moura. A deputada estadual Lohanna França (PV) compartilhou os vídeos da premiação e exaltou o filme. Já o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) afirmou que o longa ajuda a projetar os valores democráticos do país.


DE VOLTA

O ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) foi reconduzido ao cargo de diretor-presidente da Empresa Gestora de Ativos S.A. (Emgea). A decisão foi tomada pelo conselho da estatal em 24 de dezembro de 2025, mas a recondução só foi oficializada com a publicação do resultado no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (12/1).


SEM GORDURINHA

O prefeito interino de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos), usou as redes sociais para compartilhar sua #dicadasemana sobre como perder a gordura localizada abaixo do umbigo. Professor de educação física, Lopes mantém a rotina de publicar vídeos semanais com orientações de exercícios, hábito que cultivava mesmo como presidente da Câmara Municipal. À frente da prefeitura, ele repetiu o gesto e ensinou como se exercitar em casa.


CULTURA

A demissão da maestra Lígia Amadio, após denunciar a situação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, acendeu um alerta no meio cultural mineiro. A regente passou a ser alvo de críticas e pressões depois de tornar públicas as condições de trabalho e os baixos salários dos músicos. O episódio ocorre em um momento sensível da política cultural do estado. Recentemente, o governo de Romeu Zema foi criticado ao cogitar a venda da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o que gerou reação de artistas e especialistas.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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