Mesmo aparecendo com apenas 2% das intenções de voto na pesquisa Quaest realizada entre 8 e 11 de janeiro, o governador Romeu Zema (Novo) mostra capacidade de leitura estratégica e fôlego político para seguir no debate presidencial. O dado que sustenta essa avaliação está em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no qual Zema chega a 31%, ante 46% do petista. Brancos e nulos somam 19%, e indecisos, 4%.
É nesse recorte que o governador mineiro encontra oxigênio. O antipetismo segue sendo um ativo eleitoral relevante e continua capaz de inflar candidaturas que, no primeiro turno, ainda não se sustentam sozinhas. Zema cresce quando o embate é direto com Lula, mas o caminho até esse cenário é estreito e altamente competitivo.
Para chegar ao segundo turno, o mineiro precisaria superar adversários hoje mais consolidados no campo da direita e da centro-direita. Tarcísio de Freitas aparece com 39% contra 44% de Lula. Flávio Bolsonaro tem 28% frente a 45% do presidente. Ratinho Jr. soma 36% contra 43%, enquanto Ronaldo Caiado marca 33% diante dos 44% do petista. Entre os governadores testados, Zema é o que apresenta o pior desempenho nesse recorte.
O dado central, porém, não é a fragilidade atual, mas a existência de espaço político. Zema precisa conquistar o eleitor bolsonarista, mas, sobretudo, o eleitor de centro que rejeita os extremos e não se identifica nem com Lula nem com uma direita ideológica mais radical. Esse eleitor, decisivo em segundo turno, é o público que o governador tenta ocupar.
Por isso, embora defenda o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em momentos-chave, Zema foge de um enquadramento ideológico rígido. Ele surfa no antipetismo como estratégia de viabilização eleitoral, mas evita se posicionar como vice de Flávio Bolsonaro ou como herdeiro direto do bolsonarismo. A tentativa é clara: ampliar o arco de alianças e não ficar refém de um único campo político.
Nas últimas semanas, esse cálculo ficou evidente na comunicação. O discurso ideológico cede espaço a uma narrativa de gestor eficiente, centrada em resultados, números e administração. A imagem do “bom gerente” é reforçada com cuidado. Zema passou a publicar conteúdos sobre seus livros favoritos, todos ligados a gestão empresarial e liderança corporativa, consolidando a construção de um personagem que se apresenta menos como político tradicional e mais como executivo que entrou na política.
Há, contudo, obstáculos relevantes. No Nordeste, Zema enfrenta resistência aberta. Governadores da região divulgaram recentemente uma carta pública de repúdio a declarações do mineiro, acusando-o de atacar e estigmatizar os estados nordestinos. Na época, Zema afirmou que a maioria dos moradores da região dependiam de projetos sociais para sobreviver, O episódio reforça as dificuldades de nacionalização do seu nome e impõe limites claros à sua estratégia, sobretudo em uma região decisiva em eleições presidenciais.
Viagens
A presidente do PT e deputada estadual Leninha (PT) pediu que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) apure a regularidade das últimas viagens do governador Romeu Zema(Novo) realizadas em aeronaves oficiais do Estado. A solicitação foi protocolada nesta segunda-feira (19/1), um dia após reportagem do jornal O Globo, que indica o uso da estrutura do Estado pelo governador para pavimentar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
Caminhada
O deputado federal Nikolas Ferreira iniciou uma “caminhada até Brasília” como forma de protesto político. A iniciativa foi divulgada em vídeo nas redes sociais após o parlamentar cumprir agenda em Minas Gerais. O trajeto é feito pela BR-040, com cerca de 240 quilômetros, ao longo de sete dias, e a expectativa é de chegada à capital federal no próximo domingo. Segundo Nikolas, a decisão foi motivada por uma “inquietação” diante do cenário político nacional, que ele classifica como marcado por uma sucessão de escândalos, o que, em sua avaliação, teria levado à naturalização de fatos que deveriam causar maior indignação. O deputado afirmou ainda que a caminhada simboliza resistência democrática e esperança, citando críticas ao governo, ao STF e prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
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Luto
A morte do ex-ministro Raul Jungmann na noite de domingo (18), aos 73 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas e após internação no Hospital DF Star, em Brasília, provocou manifestações de pesar de autoridades diversas. Os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli destacaram a trajetória democrática e a atuação institucional de Jungmann. Ele foi ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Fernando Henrique Cardoso e chefiou os ministérios da Defesa e da Segurança Pública na gestão Michel Temer. Era o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
