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Anna Marina
Anna Marina
VIDA URBANA

Trânsito de BH: motoristas egoístas e direção por sexto sentido

Ninguém dá seta, pista da esquerda é território dos lentos e zigue-zague entre as faixas chega a ser desesperador. Dirigir nesta cidade é desafio para poucos

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A cada dia que passa, tenho mais certeza de que quem dirige em BH consegue dirigir bem em qualquer lugar do mundo – do caótico trânsito da Índia, sem sinalização, à mão invertida no Reino Unido.

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Primeira questão: assim que os belo-horizontinos tiram carteira, a primeira coisa que fazem é esquecer todas as leis de trânsito. Carros lentos à direita é algo que não existe na cabeça de nenhum deles, pois o que mais se encontra são carros andando devagar na pista da esquerda. Não adianta piscar farol, porque não veem, fingem não ver ou não entendem a mensagem.

Segunda questão: seta pra quê? Raros motoristas dão seta para mudar de faixa ou virar em alguma rua. Aqui, tenho de fazer mea culpa. Muitas vezes também esqueço. Isso é desesperador e perigoso, principalmente para motoqueiros.

Por outro lado, conseguimos desenvolver habilidade raríssima em motoristas: o sexto sentido. Por sinal, acredito que seja exclusividade nossa, poderíamos até patentear. Tem patente para esse tipo de coisa? Se tiver, o prefeito poderia pedi-la e o município ficaria rico.

A gente está no volante, observando os carros da frente e do lado. Temos que dirigir por nós e pelos outros. Sentimos na hora que o carro X entrará na nossa frente, que o Y vai virar à direita e o Z fará barbeiragem. E não é que acontece tudinho como pressentimos?

Por que não damos seta? Porque motorista belo-horizontino é egoísta. Se vê uma seta, em vez de educadamente reduzir a velocidade para deixar o outro entrar, acelera para ninguém passar na sua frente. Se você precisa entrar, pois vai virar na rua logo adiante, corre o risco de perder o seu trajeto.

Há os apressadinhos, que dão seta e entram imediatamente, quase trombando no seu carro, pois ficam com medo de você acelerar quando perceber a seta. O normal é dar seta e esperar o outro reduzir a velocidade, abrindo espaço para o interessado em mudar de faixa entrar.

E os zigue-zagues entre as faixas na tentativa de andar mais rápido? Se alguém fizer isso em São Paulo, fica sem carro ou sem vida. Sem carro porque, com certeza, vai trombar em um motoqueiro. Sem vida porque acabará linchado. Na capital paulista, cada um fica na sua fila e só troca de faixa quando há necessidade de pegar vias laterais.

Para finalizar, tem os “Buck Rogers”, que se acham reis do espaço e podem tudo no trânsito. Param em fila dupla e na frente das garagens, sem se importar se estão incomodando as pessoas ou atrapalhando o trânsito.

Para quem nunca ouviu falar, “Buck Rogers in the 25th century” é um seriado americano de ficção científica exibido de 1979 a 1981. Protagonizado pelo ator Gil Gerard, depois virou filme.

A inspiração veio do personagem Buck Rogers, presente em histórias em quadrinhos desde os anos 1920.

Resumo da ópera: meus colegas motoristas poderiam ter um pouco mais de educação e civilidade no trânsito, mas damos show em qualquer outro lugar, pois dirigir aqui em Belo Horizonte é desafio para poucos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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