Você já acordou de madrugada para ir ao banheiro e a necessidade voltou duas horas depois? Isso pode ser alerta para dois problemas: diabetes ou coração. Na segunda hipótese, é um sinal que costuma aparecer anos antes de você sentir qualquer dor no peito.
Um estudo de 2023 acompanhou grupo de adultos por cerca de 27 anos. Descobriu-se que urinar duas ou mais vezes por noite aumenta o risco de morte por qualquer causa, assim como o risco específico de doenças cardíacas em pelo menos 50%.
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A noctúria, vontade de urinar várias vezes durante a noite, foi identificada como marcador de risco aumentado de doença arterial coronariana em homens com menos de 60 anos. Cerca de 75% dos pacientes com essa doença desenvolveram noctúria aproximadamente cinco anos antes do surgimento de sintomas cardíacos, como dor no peito ou falta de ar. Quanto mais cedo a noctúria começava, mais cedo apareciam os sintomas cardíacos.
Diversos mecanismos importantes relacionam a micção noturna à saúde cardiovascular. Acordar frequentemente interrompe o sono profundo e o ritmo circadiano natural do corpo. A fragmentação do sono pode desencadear inflamação por meio de vias neuro imunes, contribuindo para o acúmulo de placas e aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
A doença aterosclerótica pode reduzir o fluxo sanguíneo para a bexiga, levando ao estresse oxidativo e à diminuição da capacidade daquele órgão, o que pode contribuir para a bexiga hiperativa. No caso de pessoas com insuficiência cardíaca congestiva, o líquido que se acumula nas pernas durante o dia volta à circulação quando elas se deitam à noite, aumentando a produção de urina.
Em pessoas com doenças cardíacas, a apneia do sono pode causar tanto estresse oxidativo quanto produção de urina noturna.
Outra possível ligação é o diabetes. A ligação entre noctúria e saúde cardiovascular faz sentido, já que o aumento do volume urinário (diurese) é uma característica do diabetes, um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares e renais.
Se a noctúria estiver relacionada a doenças cardíacas, o primeiro passo é tratar a condição cardíaca subjacente. Além disso, adotar ajustes no estilo de vida para prevenir a retenção de líquidos pode ser útil. Reduzir a ingestão de líquidos à noite, duas a quatro horas antes de dormir, e seguir hábitos básicos de sono é um bom começo.
Recomendam-se a prática de exercícios físicos, a redução do consumo de açúcar, a limitação do consumo de álcool antes de dormir e evitar café e outros estimulantes à tarde ou à noite. A fisioterapia do assoalho pélvico também ajuda. Tratada a fraqueza ou a rigidez, o assoalho pélvico, a uretra e até mesmo a bexiga podem começar a funcionar normalmente.
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Como a noctúria é sintoma, e não doença, identificar a causa principal é essencial. A descoberta da causa pode exigir exame médico completo, incluindo avaliação cardiovascular, estudos do sono e exame urológico.
