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Paulo Guerra
Paulo Guerra
CAMINHO DIGITAL

Como um jogo pode mudar uma indústria inteira

De uma partida improvisada nasceu a tecnologia que move a IA moderna

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Há histórias que parecem pequenas demais para explicar grandes revoluções. Um estudante, um laboratório improvisado e um jogo de tiro em primeira pessoa lançado no fim dos anos 1990. Nada disso soa como o ponto de virada de uma indústria multibilionária, mas foi exatamente assim que começou uma das transformações mais profundas da computação moderna.

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No fim da década de 1990, Ian Buck, então estudante de Stanford, decidiu montar um supercomputador artesanal usando 32 placas gráficas GeForce para rodar Quake III Arena. A ideia parecia apenas uma ousadia nerd, um experimento para testar limites, mas Buck estava abrindo caminho para uma revolução que mudaria a forma como computadores trabalham, como empresas inovam e como a ciência resolve problemas complexos.

Naquele período, placas gráficas eram vistas como acessórios para gamers, responsáveis apenas por renderizar imagens e efeitos visuais. Ao contrário da CPU, que tem poucos núcleos muito sofisticados, uma GPU possui centenas ou milhares de núcleos menores e mais simples. É como se a CPU fosse um chef de cozinha altamente especializado e a GPU, um exército de cozinheiros rápidos, eficientes e capazes de trabalhar juntos em perfeita sincronia.

Buck percebeu algo que poucos enxergavam: aquelas placas eram, na verdade, máquinas paralelas extremamente poderosas, capazes de realizar milhares de cálculos simultâneos. O problema é que ninguém sabia como programálas para fazer mais do que gráficos. Foi aí que a brincadeira virou ciência. Ao adaptar algoritmos científicos para rodar nas GPUs, Buck obteve resultados tão impressionantes que chamou a atenção da NVIDIA, que o contratou para transformar aquela descoberta em uma plataforma oficial.

Assim nasceu o CUDA, um modelo completo de programação paralela, com extensões de linguagem, bibliotecas, drivers e ferramentas que permitem que programas escritos em C ou C++ rodem diretamente na GPU. Ele introduziu um modo de execução chamado SIMT, no qual milhares de threads executam a mesma instrução em paralelo, cada uma com seus próprios dados. Essa estrutura permitiu que a GPU deixasse de ser um acessório gráfico e se tornasse um processador de propósito geral, capaz de acelerar cálculos científicos, simulações físicas, análises de dados e, mais tarde, o treinamento de redes neurais profundas.

O mais interessante é que essa revolução não nasceu de um plano corporativo grandioso e complexo, mas de um estudante curioso que queria rodar um jogo com desempenho absurdo. É um lembrete poderoso de que inovação não segue roteiros e, muitas vezes, surge de necessidades práticas, obsessões pessoais ou simples curiosidade.

A trajetória do CUDA também revela algo que o Brasil ainda hesita em aceitar: grandes transformações tecnológicas nascem de ambientes onde pesquisa, experimentação e liberdade acadêmica são incentivadas. Se Buck tivesse sido desencorajado, se não houvesse laboratório, se não houvesse espaço para testar ideias aparentemente inúteis, essa revolução simplesmente não teria acontecido.

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Se você é um jogador, da próxima vez que alguém mandar você parar de jogar porque “isso não leva a nada”, conte essa história. Quem sabe não está ali, no meio de uma partida, o início de outra revolução.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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