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O que é Open Finance e como ele revela a renda invisível de milhões de brasileiros-lugardafinancas.com
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Open finance está achando o dinheiro que sempre existiu, mas você nem via

Milhões de brasileiros trabalham, ganham dinheiro e pagam contas, mas seguem invisíveis para o sistema financeiro.

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Por Alexia Diniz

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Você já tentou explicar quanto ganha e percebeu que isso não cabia em um formulário?

Primeiro, porque nem toda renda vem de salário fixo. Depois, porque muita gente trabalha fora do modelo tradicional. Por fim, porque o sistema financeiro ainda foi desenhado para outro Brasil.

Esse descompasso afeta milhões de pessoas. Não por falta de renda, mas por falta de visibilidade.

O Brasil que trabalha fora do holerite

O Brasil tem hoje mais de 40 milhões de trabalhadores informais, segundo o IBGE. Isso representa quase 40% da força de trabalho do país.

Esse grupo inclui motoristas de aplicativo, freelancers, autônomos, vendedores online e pessoas que combinam várias fontes de renda.

Eles ganham dinheiro, pagam contas e sustentam a economia. Só não aparecem direito quando pedem crédito.

Quando o sistema não enxerga, ele penaliza

Sem holerite ou vínculo formal, o risco percebido aumenta automaticamente. O sistema fica desconfiado.

Essa desconfiança vira juros mais altos, limites menores ou crédito negado. Não porque a pessoa não paga, mas porque não “prova” do jeito esperado.

No fim, quem trabalha fora do padrão acaba pagando mais caro para acessar o básico.

O problema é falta de renda ou falta de informação?

Existe uma narrativa confortável de que o problema do crédito no Brasil é a inadimplência.

Mas, na prática, muitos trabalhadores informais têm fluxo de caixa previsível. O dinheiro entra, as contas são pagas e o padrão se repete mês após mês.

A renda existe. O que falta é um sistema capaz de enxergar essa realidade sem pedir um holerite que nunca vai chegar.

O que é Open Finance e como funciona?

Open Finance é um sistema que permite ao próprio consumidor autorizar o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições.

Na prática, bancos e fintechs passam a analisar o que realmente acontece na conta. Entradas de renda, frequência de recebimentos e comportamento financeiro. Tudo só acontece com consentimento do usuário, que decide quais dados compartilhar, por quanto tempo e com quem.

No Brasil, o Open Finance começou a ser implementado em 2021, sob coordenação do Banco Central. Ele faz parte do mesmo movimento que trouxe o Pix e busca aumentar a concorrência, reduzir custos e melhorar a oferta de crédito. Hoje, envolve bancos tradicionais, fintechs, cooperativas e plataformas de tecnologia financeira.

A renda invisível começa a aparecer

Um dos principais impactos do Open Finance é revelar rendas que os modelos tradicionais simplesmente ignoram.

Muita gente recebe mais de uma fonte. Um salário formal, uma renda extra no fim de semana.

Plataformas de Open Finance mostram que, quando o banco olha só o holerite, muita renda simplesmente não existe. Quando olha o extrato, ela aparece, para o bem ou para o mal.

O Open Finance ajuda quem sempre foi invisível para o crédito. Mas também deixa rastros de dinheiro que antes passavam batido. E o rastro, no Brasil, costuma virar problema.

Um exemplo comum

Pense em um motorista de aplicativo que ganha cerca de R$4.500 por mês.

Ele recebe quase todos os dias, mas não tem holerite. No modelo antigo, essa renda praticamente não contava.

Com Open Finance, a recorrência aparece. A renda se materializa, e o risco deixa de ser uma suposição.

Renda informal é instável?

É. Às vezes entra mais, às vezes entra menos. Isso acontece com muita gente que trabalha por conta própria ou tem renda extra. Para banco, renda que varia é risco.


Na média, quem não sabe exatamente quanto vai ganhar no mês acaba atrasando mais a conta do que quem recebe sempre o mesmo valor. Não é julgamento. É como o sistema funciona hoje.

O problema é que, por muito tempo, o banco tratou renda que oscila como se fosse renda nenhuma. Sem holerite, sem conversa. Como se quem não tivesse salário fixo fosse imprevisível demais para qualquer análise.

O Open Finance muda esse olhar. Quando o banco passa a olhar o extrato de vários meses, ele começa a enxergar padrão. Vê que o dinheiro entra quase toda semana. Que oscila, mas não some.

Isso não faz o risco desaparecer. Mas faz o banco parar de chutar. E quando o risco é medido com dado de verdade, o crédito tende a ficar menos caro e menos injusto.

Cobrar no dia certo faz mais diferença do que parece

Nem todo mundo recebe no quinto dia útil. Para muita gente, a renda entra semanalmente ou de forma irregular.

Quando a cobrança ignora essa dinâmica, o atraso vira regra. Não por má-fé, mas por desalinhamento.

Com dados de Open Finance, é possível alinhar vencimentos aos dias reais de entrada de dinheiro. Isso reduz atrito e aumenta o pagamento.

Open Finance melhora o score de crédito?

Depende do score. O score tradicional, como o da Serasa, já usa um monte de informação: histórico de pagamento, dívidas, atrasos, relacionamento com crédito. Por isso, quando entra dado novo via Open Finance, o impacto costuma ser pequeno. Não espere um salto mágico no número.

Onde a coisa muda de verdade é dentro dos bancos.

Cada banco tem seus próprios modelos de risco. E esses modelos mudam bastante quando o cliente autoriza o acesso a dados de outras contas, cartões e serviços. Ali o banco passa a enxergar sua vida financeira inteira, não só um pedaço.

E aqui vem a parte que pouca gente gosta de ouvir: isso pode melhorar ou piorar sua avaliação.

Se o Open Finance mostrar renda recorrente, poucos atrasos e alguma organização, a chance de crédito aumenta. Mas se mostrar bagunça, contas demais, cartão estourado e atraso frequente, o efeito pode ser o contrário.

Com a quantidade de contas, cartões e parcelamentos que o brasileiro acumulou nos últimos anos, não é absurdo imaginar que, na média, muita gente saia pior do que imagina.

No fim, a pergunta não é “o Open Finance melhora meu score?”.  A pergunta certa é outra:

Quando o banco olhar tudo, que retrato ele vai ver de você?


Uma pessoa organizada ou perdida? Com renda firme ou cheia de buracos? Que paga em dia ou vive apagando incêndio? O Open Finance não cria problema. Ele só acende a luz.

É vantajoso compartilhar dados entre bancos?

Para muitos consumidores, sim. Especialmente para quem tem renda informal ou múltiplas fontes de ganho. Compartilhar dados permite ser avaliado pela realidade financeira, e não pela ausência de documentos. No fim, é uma troca. Informação por decisões mais justas.

Quais são os riscos do Open Finance?

O maior risco não está no sistema em si, mas no jeito que a pessoa usa.

Um exemplo comum: você autoriza o Open Finance para testar um aplicativo de controle financeiro de uma startup nova. A ideia era só “dar uma olhada”. Passa o tempo, você esquece de revogar o acesso.

Enquanto isso, o app continua puxando seus dados. Sabe quanto você ganha, quando recebe, onde gasta, se atrasa conta, se usa cheque especial, se vive parcelando.

Ou seja: passa a saber da sua vida financeira mais do que muita gente próxima.

O problema piora se essa empresa não for sólida ou não tiver um modelo de negócio claro. Essas informações podem virar perfil de consumo. E o perfil de consumo pode virar produto, vendido para outros negócios que querem exatamente alguém com o seu padrão de renda, gasto e dívida.

Nada disso exige invasão, golpe ou hack. Basta um “ok” dado sem pensar e um acesso que nunca foi cancelado.

Por isso, Open Finance exige cuidado básico: autorizar só quem você confia, por quanto tempo você precisa e revisar esses acessos de vez em quando.

Open Finance é seguro ou pode virar fraude?

O Open Finance é seguro enquanto o usuário permanece dentro do ambiente oficial.

Fraudes costumam acontecer quando alguém cai em links falsos ou pedidos de acesso fora dos canais regulados.

Vale lembrar um ponto simples. Nenhuma instituição pode ativar Open Finance sem autorização clara do cliente.

Por que os bancos querem Open Finance?

Porque informação reduz erro. E o erro custa caro.

Com mais dados, o banco consegue medir melhor o risco, errar menos em quem empresta dinheiro e cobrar juros mais alinhados com o comportamento real da pessoa. Isso ajuda a reduzir a inadimplência e aumentar o lucro. Simples assim.

Já a tal da “personalização” ainda é mais promessa do que realidade.

Na prática, o que o Open Finance tem permitido até agora é o banco copiar o que você já faz em outras instituições. Se você tem investimento em outro lugar, ele aparece. Se usa cartão de outro banco, ele aparece. Se concentra renda fora dali, ele aparece.

A partir disso, vem a abordagem clássica: “Vi que você tem isso lá fora. Tenho algo parecido aqui. Traz seu dinheiro pra cá.”

Não é inovação radical. É disputa por cliente com mais informação.O Open Finance não existe para te conhecer melhor. Ele existe para o banco competir melhor.

Se isso vai virar produtos realmente mais baratos e mais inteligentes no futuro, ainda está em aberto. Por enquanto, o principal uso é enxergar onde seu dinheiro já está.

Conclusão: futuro do crédito passa pela realidade

A análise de crédito baseada apenas em holerite está perdendo espaço, porque já não representa a forma como milhões de brasileiros trabalham e ganham dinheiro.

O Open Finance deixou de ser promessa e passou a integrar, de fato, o sistema financeiro, ampliando a capacidade de enxergar renda, comportamento e risco com mais precisão.

Talvez o problema nunca tenha sido a renda do brasileiro, mas a teimosia de um sistema que insiste em enxergar apenas o que cabe em um formulário.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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