Por Isabel Gonçalves 

Você já saiu do mercado com a sensação de que comprou menos coisas gastando mais dinheiro, mas sem saber exatamente explicar o porquê? Ou abriu a fatura do cartão, tomou um susto e pensou: “eu nem comprei nada demais”? Essas situações parecem pequenas mas têm algo em comum, todas são consequência direta de conceitos de economia que afetam o nosso dia a dia, mesmo quando a gente não percebe.

A verdade é que muita gente aprende a pagar contas, fazer Pix e parcelar compras antes mesmo de entender o que é inflação, juros ou como as taxas que passam nos jornais influenciam o próprio bolso. E aí a gente acha que entende de finanças, até fazer um péssimo negócio porque não entende como os juros funcionam.

Não porque falte interesse, mas porque ninguém nunca explicou isso de um jeito simples e próximo da vida real. E aí a economia vira um assunto distante, complicado, “coisa de especialista”. Mas não precisa ser assim.

Por que tanta gente ainda não entende economia básica?

Um levantamento do Santander em parceria com a Ipsos sobre educação financeira mostrou que 75% dos brasileiros não entendem conceitos básicos de economia, como inflação, juros e orçamento. Ao mesmo tempo, 73% confia na gestão do próprio dinheiro. Na prática, existe um abismo entre achar que entende e realmente compreender como a economia funciona no dia a dia.

Este descompasso acontece porque a maioria das pessoas nunca teve contato com temas econômicos e financeiros fundamentais de forma estruturada. A gente ouve falar de inflação no noticiário, de juros nas propagandas de banco e de orçamento em conversas sobre dinheiro. O problema é que ouvir não é o mesmo que entender. Sem uma explicação clara e aplicada à rotina, esses conceitos viram palavras soltas e o resultado é uma relação confusa com o dinheiro, baseada mais em tentativa e erro do que em entendimento.

Economia não é sobre números difíceis, é sobre decisões do dia a dia

Quando se fala em economia, muita gente imagina gráficos complicados, cálculos intermináveis e termos técnicos que parecem distantes da realidade. Mas, na prática, a economia está presente em escolhas simples e rotineiras: decidir se vale a pena parcelar uma compra, comparar preços no mercado, escolher entre pagar uma conta à vista ou no crédito, escolher entre alugar ou financiar um carro ou imóvel, fazer uma conversão de moeda estrangeira em uma compra ou viagem internacional ou até definir o momento certo de guardar dinheiro e onde investir em preparação para a aposentadoria por exemplo

Toda vez que alguém opta por comprar agora ou esperar, gastar tudo ou poupar um pouco, usar o cartão ou o Pix, está tomando uma decisão econômica, mesmo sem perceber. Por isso, conceitos como inflação e juros devem estar bem claros na nossa cabeça. 

Conceitos básicos de economia que todo mundo deveria aprender cedo

Aqui estão alguns conceitos de economia que todo mundo deveria entender desde cedo, não para virar especialista, mas para não ser pego de surpresa. E o melhor, explicado de uma forma fácil. 

Inflação: o que ela realmente significa na prática?

Uma das perguntas da pesquisa do Santander era: se a taxa anual da inflação cai pela metade, mas ainda fica acima do zero, o que acontece com os preços? E aí, você saberia responder? 

Acontece que a inflação é quando as coisas (bens e serviços) ficam mais caras com o tempo, mas o seu dinheiro continua o mesmo. Resultado? Seu dinheiro compra menos coisas. Ela rola quando os preços vão subindo aos poucos, mas a sua renda não sobe no mesmo ritmo, parece que o dinheiro “some”, mesmo você fazendo o mesmo.

Tipo:

Ano passado, com R$20 você comprava um lanche completo.

Hoje, com os mesmos R$20, dá pra comprar só o sanduíche ou a bebida.

Isso é inflação acontecendo na vida real.

Mas agora vamos responder a pergunta. Se a inflação ficou acima do zero, ela existe, então as coisas vão ficar mais caras. Mas como a taxa caiu pela metade, os preços vão subir mais lentamente. Entendeu? 

Juros compostos: o mesmo mecanismo que pode te ajudar ou te afundar

A segunda pergunta da pesquisa era sobre juros. “Quanto haveria na conta após aplicar R$100 em uma taxa de 2% ao ano?”

Antes de tudo vamos entender o que são os juros compostos. De um jeito bem simples, eles são tipo dinheiro fazendo filhos… que fazem mais filhos. Ou, se preferir, o lado sombrio é a dívida se multiplicando sozinha.

Ou seja, o dinheiro cresce, aí ele rende, aí ele cresce mais em cima do rendimento e rende de novo. É efeito bola de neve, que pode ser do bem ou não.

Já a resposta da pergunta, com uma conta básica de matemática (2% de 100), é R$102, isso se o dinheiro ficar lá durante um ano. Bom, se ele rende R$2 em um ano, ele renderia R$4 em dois anos, certo? Não, porque aí entram os juros compostos.O rendimento de 2% agora é sobre os R$102, gerando aí uma sobra de 4 centavos. Pode parecer pouco, mas imagine em 10 anos, e com mais dinheiro ainda. 

Conclusão: entender economia é entender melhor o próprio bolso

Entender conceitos de economia não é sobre decorar definições ou acompanhar o noticiário econômico todos os dias. É sobre ganhar clareza para tomar decisões melhores na vida real, no supermercado, no cartão, no planejamento do mês e nos planos para o futuro. Quando inflação e juros deixam de ser palavras difíceis e passam a fazer sentido, o dinheiro deixa de ser um mistério.

A pesquisa do Santander mostra que muita gente confia na própria capacidade de lidar com o dinheiro, mas ainda tropeça no básico. E isso não é culpa individual, é reflexo de uma falta histórica de educação financeira simples, acessível e conectada ao cotidiano. Economia não deveria ser um assunto distante, reservado a especialistas, ela faz parte da rotina de todo mundo.

No fim das contas, aprender o básico de economia é uma forma de autonomia. É entender por que o dinheiro rende (ou não), por que os preços sobem e como as pequenas escolhas de hoje impactam o amanhã. Sem economês, sem complicação, só informação clara para você cuidar melhor do seu bolso todos os dias.

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