O futebol brasileiro é mesmo uma bagunça. O Brasileirão, competição que merece respeito, começou no meio de semana, mas hoje o que entra em campo são os Estaduais. Uma mistura que não leva ninguém a lugar algum, e que só existe porque no Brasil as federações existem, com o propósito de eleger o presidente da CBF. Os clubes têm peso 2 e 1; as entidades, peso 3, nas eleições, o que implica dizer que bastam os votos das 27 federações para superar os clubes.


Como o atual presidente da CBF foi imposto politicamente, segundo denúncias, já que não tem história nem histórico para dirigir a entidade, não seria ele a mudar o estatuto. O correto seria os clubes terem um peso maior, dando uma banana para as federações, que vivem de mesadas da CBF, e só existem para organizar os tais estaduais, competições falidas, retrógradas e ultrapassadas.


Esse tipo de torneio não cabe mais e só serve para atrapalhar a pré-temporada dos clubes. Gastamos tempo, dinheiro e energia em algo que já está superado há décadas.


Nenhum clube pode fazer uma pré-temporada decente, já que isso demanda uns 40 dias. Eles tiveram que voltar às pressas para disputar um torneio onde a maioria dos grandes entrou com time juniores, pois os profissionais – casos de Flamengo, Corinthians, Cruzeiro e Vasco – jogaram até o dia 21 de dezembro, nesse calendário insano, imposto pela CBF.


Não que eu seja contra jogadores atuarem quarta e domingo, mas é preciso qualificar as competições que irão disputar. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes são as competições que valem. Todo o resto é para “encher linguiça”.


Sou da filosofia do português Jorge Jesus: “Jogador descansa na segunda-feira, trabalha durante a semana, joga quarta ou quinta, sábado ou domingo”. Os caras ganham fortunas, que os deixam milionários em uma temporada, mas não querem atuar em todos os jogos. Senhoras e senhores, eles são preparados para isso, são atletas de alta performance. Karl-Heinz Rummenigge, ex-diretor-executivo do Bayern de Munique e ex-jogador, foi taxativo: “Se os jogadores querem diminuir o número de jogos, que reduzam seus salários irreais e astronômicos”. Ele está mais do que certo.


Como pode o Flamengo pagar quase R$ 300 milhões para repatriar o mediano Lucas Paquetá? Dinheiro o Flamengo tem, mas é um absurdo pagar tal quantia por um atleta de 28 anos, revelado pelo próprio clube, e que nada vai acrescentar, num país onde os professores, médicos e policiais são pessimamente remunerados.


Eu sou radicalmente contra a esses salários absurdos e irreais, nos país da fantasia. Se a Europa paga é porque tem outra realidade financeira.


O Brasil está quebrado, com dívida trilionária, e os clubes de pires na mão, com dívidas bilionárias. O Corinthians, time do ex-presidiário, deve quase R$ 3 bilhões, uma dívida impagável, e hoje não tem em caixa nem R$ 1 milhão para pagar pelo empréstimo de Alisson, do São Paulo. Como pode um time desses pagar R$ 3,5 milhões, mensais, a Memphis Depay? E olha que a carência de eventos e de craques no futebol não são empecilhos para ter arquibancadas cheias país afora.


Os ingênuos torcedores acham que Carlo Ancelotti tem a “varinha de condão” para dar o hexa ao Brasil. Esquecem que França, Argentina, Inglaterra, Espanha, Portugal e Holanda têm equipes mais fortes, mais bem treinadas e jogadores de alto nível em relação ao nosso time.


Já fomos os donos do futebol, mas não somos mais. Fracassos acumulados a cada Copa, nos mostram outra realidade. Enquanto não investirmos nas divisões de base, nos campos de terra, como diz meu amigo Luxa, para o garoto “ralar a bunda no chão e aprender a jogar bola de verdade”, não chegaremos a lugar algum.


Eu avisei quando o São Paulo contratou os ex-jogadores em atividade, Luiz Gustavo e Oscar, que não daria certo. Não deu e os caras ainda cobram o clube na Justiça. Repatriar esses caras é a pior coisa que um clube pode fazer. Enquanto isso, o São Paulo deve ter perdido bons volantes e armadores, que poderiam ter subido nos lugares desses repatriados, que só deram prejuízo. E segue o baile neste domingo com os estaduais, que nada mais acrescentam na vida do torcedor, dos jogadores e técnicos. Eles só valem para a CBF e Federações. Por que será???????????

 

CADEIA NESSES MARGINAIS


Os “marginais” que mataram cruelmente o cãozinho Orelha deveriam estar presos, com uma condenação de, no mínimo, 15 anos. Isso se fosse num país sério. No Brasil, são “filhinhos de papais ricos” e ficarão impunes. Aliás, as famílias os premiaram com viagens internacionais. Os pais são tão culpados quanto esses vagabundos, que deveriam pagar como adultos e não com medidas socioeducativas, se é que pelo menos isso terão de cumprir.

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