Último bicampeonato no Oscar, como tenta o Brasil, foi há 37 anos
Dinamarca venceu duas vezes a estatueta de Melhor Filme Internacional em 1988 e 1989; Itália e França já foram bicampeãs três vezes
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Ser campeão é difícil, mas ser bicampeão é muito mais. Em ano de Copa do Mundo, a sentença facilmente aplicada a um torneio de futebol ou a qualquer outro esporte ganha ares cinematográficos em outra decisão, a categoria de filme internacional do Oscar de 2026.
Após a conquista inédita do Brasil na cerimônia do ano passado com "Ainda estou aqui", de Walter Salles, a torcida já pegou as cornetas digitais e voltou à arquibancada das redes sociais para vibrar por "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho.
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Para conquistar o prêmio em anos consecutivos, o longa terá que superar os concorrentes "Sirât" (Espanha), "Foi apenas um acidente" (França); "A voz de Hind Rajab" (Tunísia), e "Valor sentimental" (Noruega), - este último pintando com cara de principal concorrente.
Estatisticamente, a história não é muito favorável a um bis nesta categoria. A última edição que consagrou um bicampeão foi há 37 anos, quando "Pelle, o conquistador", de Bille August, levou a estatueta em 1989 para a Dinamarca, um ano depois da vitória do compatriota "A festa de Babette", de Gabriel Axel.
E olha que os dinamarqueses flertaram com um inédito tricampeonato, mas "Waltzing Regitze", lançado no mercado internacional como "Memories of a marriage", perdeu para o italiano "Cinema Paradiso" em 1990.
O Oscar de Filme Internacional só começou como categoria na 29ª cerimônia da premiação, realizada em 1957, quando a estatueta foi concedida ao italiano "A estrada da vida", de Federico Fellini - logo na cerimônia seguinte veio o primeiro bicampeonato, com "Noite de cabíria", novamente de Fellini.
Antes, entre 1948 e 1956, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood entregava estatuetas especiais para alguns filmes de língua não inglesa que tinham se destacado nos cinemas americanos, mas sem reuni-los em uma categoria.
Nesses primórdios, foram laureados longas como o italiano "Ladrões de bicicleta", de Vittorio De Sica, agraciado em 1949, e o japonês "Rashomon", de Akira Kurosawa, em 1952, entre outros.
Com movimentos cinematográficos e cineastas que chamavam a atenção do mundo, França e Itália dominaram as primeiras décadas da premiação de filme internacional. Após a dupla vitória de Fellini, os franceses conquistaram seu bicampeonato com "Meu tio", de Jacques Tati, em 1958, e "Orfeu negro", de Marcel Camus, no ano seguinte.
O último, com um belo banho de loja brasileiro, incluindo filmagens no Rio de Janeiro, quase todos os diálogos em português e inspiração na peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes. Mas o Oscar está anotado para a França, apesar de o Brasil ter sido coprodutor.
Nas cerimônias de 1961 e 1962, a intensidade da obra de Ingmar Bergman conquistou prêmios consecutivos para a Suécia, com "A fonte da donzela" e "Através de um espelho". Nas duas festas seguintes, a dupla Fellini e De Sica restabeleceu a soberania italiana com estatuetas para "8 ½" e "Ontem, hoje e amanhã", respectivamente.
A década de 1970 teve mais três bicampeonatos, os últimos antes do duplo triunfo da Dinamarca. Primeiro, a Itália - sempre ela - levou as estatuetas em 1971, com o policial "Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita", de Elio Petri, e em 1972, com "O jardim dos finzi-contini", mais um de De Sica.
Na sequência vieram dois prêmios para obras francesas até hoje aclamadas, "O discreto charme da burguesia", de Luis Buñuel, e "A noite americana", de François Truffaut.
Já no final da década, mais um bi francês, com "Madame Rosa, a vida à sua frente", de Moshé Mizrahi, e "Preparem seus lenços", de Bertrand Blier, Melhor Filme Estrangeiro da 51ª cerimônia da Academia, em 1979.
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E enquanto o Brasil tenta seu segundo Oscar na história - e consecutivo -, a Noruega ainda busca sua primeira estatueta, que pode vir com "Valor sentimental". E em Copa do Mundo, o Brasil nunca venceu os noruegueses.