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Luca Argel trata das encruzilhadas da masculinidade em ‘O homem triste’ -lugardafinancas.com
MÚSICA

Luca Argel trata das encruzilhadas da masculinidade em ‘O homem triste’ 

Cantor e compositor brasileiro radicado em Portugal desenvolve o tema desde 2025, com livro e EP sobre traços machistas na obra de Vinicius de Moraes

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Cantor, compositor e escritor carioca radicado em Portugal desde 2012, Luca Argel lançou, no ano passado, o livro “Meigo energúmeno – Notas para uma leitura antimachista de Vinicius de Moraes”, derivado de sua dissertação de mestrado em literatura, e o EP “Meigo energúmeno – Luca Argel canta Vinicius”.

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A feitura da obra, ao longo de três anos, despertou no artista várias reflexões acerca das encruzilhadas da masculinidade, que, agora, ganham forma no recém-lançado álbum autoral “O homem triste”.


As nove músicas que integram o disco foram compostas enquanto o livro era escrito. Três delas – a faixa-título, “O homem (a canção)” e “Quando a cura começa”, parceria com o mineiro César Lacerda – falam objetivamente dos males que a masculinidade tóxica causa aos homens.

As outras, segundo Luca, abordam o tema de forma tangencial. Além das pesquisas para “Meigo energúmeno”, outros fatores reforçaram nele o desejo de refletir sobre a “construção” do homem na sociedade.


Um deles foi a observação do comportamento de seu afilhado, que, com o passar do tempo, começou a voltar diferente da escola, mais agressivo, rejeitando alguns brinquedos, algumas roupas, algumas cores de que antes gostava. Ele diz que estudar o viés machista na obra de Vinicius de Moraes o ajudou a conceituar “O homem triste” – álbum que conta com a produção artística de Moreno Veloso.


Luca observa, contudo, que o novo trabalho não chega a ser propriamente um desdobramento do livro e do EP lançados no ano passado. “Acho que é mais uma outra forma de falar sobre o mesmo assunto, porque o exercício de escrever um livro de ensaios é cerebral demais, e a composição de canções oferece mais abertura, dá uma liberdade maior. Eu estava pensando muito no assunto de forma acadêmica. Fazendo música, posso encontrar caminhos mais intuitivos”, diz.


Autoras feministas

Ele conta que, lendo autoras feministas, começou a perceber como o modelo hegemônico de masculinidade era prejudicial para os próprios homens. “Tem um preço muito alto que se paga para ter acesso à carteirinha de sócio do clube dos homens de verdade, um preço que vai sendo cobrado a prestação ao longo de toda a vida. Comecei a identificar isso em mim mesmo, nos amigos próximos, na minha família”, afirma.


Trata-se, ele reflete, de um processo que começa cedo, quando é vetado aos meninos ter comportamentos que revelem fragilidade ou feminilidade – não se pode, por exemplo, chorar ou usar roupas cor-de-rosa. “Tenho lembranças vivas do meu tempo de escola, de como tínhamos que estar vigilantes. Com essas interdições todas, começamos a perder o vocabulário para falar sobre os próprios sentimentos, e aí vamos desenvolvendo problemas psíquicos, recalques, comportamentos de risco”, diz.


Ele observa que, se no que diz respeito à temática “O homem triste” se vincula ao EP “Meigo energúmeno – Luca Argel canta Vinicius”, em termos de sonoridade, o novo trabalho difere de sua discografia anterior, muito em função de, pela primeira vez, ter trabalhado com um produtor. “Eu mesmo produzi todos os meus álbuns anteriores. Ter um olhar de fora fez muita diferença, me levou para outros lugares”, diz, destacando a pegada mais pop presente em “O homem triste”.


Arranjos de cordas

Luca destaca que, pela primeira vez, se valeu de arranjos de cordas, em três músicas. Ela pontua, ainda, que o novo álbum foi gravado de uma forma diferente dos anteriores, com todos os músicos tocando juntos no estúdio.

“Isso torna o trabalho mais orgânico, mais natural, o que traz maior sinceridade, transparência e até, de certa forma, expõe todas as vulnerabilidades a que estamos sujeitos quando estamos tocando uma música, interpretando”, comenta, destacando que, nesse sentido, o som vai ao encontro da temática.


A banda, formada por Pedro Sá (guitarra), Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria), Pri Azevedo (teclados) e Leo Reis (percussão), que há anos acompanha Moreno Veloso em sua carreira solo, foi fundamental no processo de feitura de “O homem triste”, segundo Luca. “Foi uma estratégia, porque são músicos, convocados pelo Moreno, craques, que trabalham juntos há muito tempo, que têm sintonia, o que foi determinante para gravar da forma como gravamos”, ressalta.

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“O HOMEM TRISTE”
• Álbum de Luca Argel
• Aurita Records
• 9 faixas
• Disponível nas principais plataformas

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