Wagner Moura fez história em 2023 ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, mas uma revelação recente tornou o feito ainda mais inusitado. Em entrevista ao programa "Late Night with Seth Meyers", nos Estados Unidos, o ator contou por que não estava presente na França para receber o troféu: ele trocou a cerimônia por uma gravação bizarra que envolvia catar fezes de cachorro.

O motivo, segundo ele, foi pura vergonha. Moura estava filmando em Londres na época do festival e, mesmo estando de folga no dia da premiação, foi chamado de última hora para gravar cenas extras. Ele confessou que não se sentiu à vontade para justificar a ausência. "Eu não podia dizer: 'Preciso ir para Cannes porque acho que posso ganhar um prêmio'. Fiquei com vergonha, então topei", explicou.

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A situação ficou ainda mais cômica quando o ator detalhou a cena que precisou fazer no exato momento em que seu nome era anunciado como vencedor em Cannes. "Colocaram uma sacola de plástico na minha mão e me filmaram pegando m*rda de cachorro do chão", lembrou, arrancando gargalhadas do apresentador e da plateia.

Filme e contexto político

Durante a conversa, Wagner Moura também falou sobre o filme que lhe rendeu o prêmio, "O Agente Secreto", e o cenário que inspirou a obra. Ele explicou que a produção nasceu do que aconteceu no Brasil entre 2018 e 2022. Ao descrever o período, ele usou o termo "fascista" para se referir ao ex-presidente, uma definição com a qual Seth Meyers concordou.

Moura destacou como o campo artístico foi atacado durante esse governo. "O manual fascista é atacar primeiro as universidades, os jornalistas e os artistas. E eles conseguiram transformar os artistas em inimigos do público", refletiu.

Para ele, a recepção positiva de filmes como "O Agente Secreto" e "Ainda Estou Aqui", que venceu o Oscar, representa uma reconexão do público com seus artistas. "Ver os brasileiros torcendo pelos artistas e acreditando que nós os representamos, tem sido lindo e estou muito feliz", finalizou.

Wagner Moura interpreta o professor Marcelo no novo filme de Kleber Mendonça Filho, "O agente secreto" (2025). Ele venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes Reprodução redes sociais Kleber Mendonça Filho
No longa hollywoodiano "Guerra civil" (2024), de Alex Garland, o ator é Joel, jornalista que atravessa o país ao lado da fotógrafa Lee (Kirsten Dunst), para cobrir a conflagração que tomou conta do país Diamond Films/Divulgação
Wagner Moura estreou na direção de longas com "Marighella", biografia do guerrilheiro Carlos Marighella, interpretado por Seu Jorge. O filme está disponível no Prime Video O2 Filmes/Divulgação
No drama biográfico "Sérgio" (2020), de Greg Barker, o ator interoreta o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, morto num atentado no Iraque, em 2003 Netflix/Divulgação
Na série "Narcos" (2015-2017), da Netflix, Wagner Moura vive o megatraficante colombiano "Pablo Escobar". Papel o tornou mundialmente conhecido Juan Pablo Gutierrez/Netflix
Na comédia musical, "Ó paí,ó" (2007), de Monique Gardenberg, Wagner Moura voltou a contracenar com Lázaro Ramos, retomando a parceria de sucesso do teatro, quando os dois atores baianos interpretaram o mesmo personagem na montagem "A máquina" Europa Filmes/Divulgação
Em "Tropa de elite" (2007), de José Padilha, Wagner Moura vive o Capitão Nascimento, um policial do Bope. O sucesso do filme fez com que expressões como "pede pra sair", ditas pelo Capitão, fossem incorporadas ao vocabulário do dia a dia David Prichard/Divulgação
Wagner Moura como Zico no longa-metragem "Carandiru" (2003), superprodução de Hector Babenco adaptada do livro homônimo de Drauzio Varella Marlene Bergamo/Divulgação

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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