Heitor Martins, referência da crítica literária mineira, morre aos 92 anos
Jornalista e escritor belo-horizontino publicou livros de poesia e ensaio, além de articular a relação entre literatura, imprensa e universidade
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O escritor, professor, jornalista e crítico literário mineiro Heitor Martins morreu neste domingo (8/2), aos 92 anos, nos Estados Unidos, onde morava. A causa da morte não foi divulgada.
Um dos nomes mais importantes na articulação entre literatura, imprensa e universidade, Heitor nasceu em Belo Horizonte, em julho de 1933. Construiu trajetória que atravessou redações, editoras, universidades e suplementos literários, tornando-se uma figura-chave para compreender a formação do pensamento crítico e da vida cultural mineira no pós-guerra.
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Na década de 1950, Martins ingressou na então Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais (UMG), depois UFMG. Nessa mesma época, foi colaborador do Estado de Minas.
Jovem, participou do ambiente cultural que reunia a chamada primeira geração modernista em Minas, além dos grupos ligados ao Suplemento Literário de Minas Gerais e à revista Complemento, da qual foi um dos fundadores ao lado de Silviano Santiago e outros intelectuais da época.
Iniciou a carreira de jornalista na Tribuna de Minas, cobrindo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na década de 1950, mudou-se para São Paulo e, ao retornar a Belo Horizonte, participou diretamente do crescimento da Editora e Livraria Itatiaia, colaborando para a primeira edição brasileira do romance “Doutor Jivago”, de Boris Pasternak.
Na virada da década de 1950 para 1960, mudou-se para os Estados Unidos a convite da adida cultural daquele país para trabalhar na área acadêmica. Heitor participou da criação do mestrado em literatura brasileira da Universidade de Brasília (UnB), na década de 1980.
Na literatura, sua produção transitou entre a poesia, o ensaio e a crítica, sempre com forte interesse pela tradição luso-brasileira e pelos desdobramentos do modernismo.
Publicou “Das emoções necessárias” (1954) e “Sirgo nos cabelos” (1961), na poesia. No campo ensaístico e crítico, lançou “Manuel de Galhegos, um poeta entre a monarquia dual e a restauração” (1964), “Bocage e Minas” (1966), “O início do conservadorismo ideológico de Olavo Bilac” (1970), “Oswald de Andrade e outros” (1973) e “Neoclassicismo, uma visão temática” (1973).
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Heitor Martins era membro da Academia Brasiliense de Letras, mesmo vivendo fora do Brasil.