Sinparc aponta avanços na Campanha de Popularização de BH
Público com mais de 60 anos está voltando aos teatros e interesse não se concentrou em comédias, como antes, diz Cássio Pinheiro, organizador do evento
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Os números da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança de Belo Horizonte, encerrada no domingo (8/2), ainda não estão fechados, mas Cássio Pinheiro, presidente em exercício do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc), afirma que esta edição foi um sucesso. De acordo com ele, a média de público dos últimos anos se manteve, com cerca de 35 mil ingressos vendidos a cada semana, e vários espetáculos tiveram casas lotadas.
“A campanha cumpriu a função de democratizar o acesso ao teatro e à dança em Belo Horizonte”, diz, destacando o maior comparecimento do público com mais de 60 anos ao teatro. Alguns espetáculos se destinaram a essa faixa etária, como “Tangos e boleros”, “Maio, antes que você me esqueça” e “Nas ondas do rádio”, mas Pinheiro afirma que a presença da faixa 60+ foi marcante de modo geral.
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“Acompanhei diversos espetáculos e via nas plateias muitas pessoas de 70 anos ou mais. É um público que já foi muito comum nos teatros e está retomando esse hábito”, comenta. Ele acredita que uma das razões disso seja o novo modelo de relacionamento e de atendimento adotado pelo Sinparc, com maior proximidade, além do investimento na modernização do site oficial e da plataforma de vendas de ingressos.
Pinheiro informa que 80% das vendas foram on-line, mas houve reforço de equipe para atender demandas por WhatsApp e telefone. “Conseguimos um contato mais humanizado com o público. A pessoa que comprou ingresso para um espetáculo e resolveu ir a outro conseguiu isso de forma simples. Hoje em dia, a compra em nosso sistema é rápida e tranquila, mas não nos bastava. Queríamos ter uma equipe de pessoas para o atendimento, para ajudar”, ressalta.
Pluralidade
O presidente do Sinparc chama a atenção para outro dado desta edição: o maior equilíbrio de público entre os diferentes tipos de espetáculos. “Vi casa cheia em dramas contemporâneos, peças infantis e espetáculos de dança. As pessoas, hoje, não têm mais aquela coisa de ir só em comédia, que, em anos anteriores batiam recordes de bilheteria. Tivemos montagens mais densas que atraíram um excelente público”, afirma.
Ao comentar a pluralidade de propostas, ele destaca que um espetáculo infantil, “Os saltimbancos”, e uma tragédia, “Otelo, de William Shakespeare, estiveram entre as peças que atraíram os maiores públicos. Inclusive, “Otelo” abriu sessão extra na última segunda-feira (9/2), estendendo em um dia a programação da campanha. Para Pinheiro, esses dados são reflexo de longo e contínuo processo de formação de público.
“Temos o movimento de pessoas habituadas a ir só a comédias que estão começando a migrar para todos os gêneros de teatro e da dança. 'Otelo', com quatro datas marcadas no Teatro Marília, teve de abrir mais uma, por causa da procura. Foram muitos espetáculos infantis com ingressos esgotados, como 'Os saltimbancos', com três sessões lotadas no Palácio das Artes. Nosso mote deste ano foi 'A vida se faz ao vivo', e o público atendeu ao chamamento”, destaca.
Planejamento
Nesta edição, observa Pinheiro, houve maior aproximação do Sinparc com a Belotur e a Prefeitura de Belo Horizonte para o planejamento do período de pré-carnaval.
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“A ideia era que os blocos tivessem sua vida normal, mas não interferissem na campanha. Pensamos nessa logística e vamos repetir a dose no próximo ano. Trata-se de ter as vias de acesso aos teatros liberadas para quem não quer pular carnaval”, explica.