James Van Der Beek marcou gerações como 'o palhaço preso no corpo de galã'
Ator que estrelou a série adolescente 'Dawson’s Creek' morreu nesta quarta-feira (11/2), em decorrência de câncer colorretal, diagnosticado em 2023
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Um bom moço loiro e um moreno nem tão certinho assim – mas longe de ser um bad guy. Vinte e oito anos atrás, hordas de adolescentes (e algumas nem tão jovens assim), nos Estados Unidos, no Brasil e sabe-se lá mais onde, se dividiam entre Dawson e Pacey. Não havia melhor lugar do mundo do que a TV a cabo de casa para assistir à hora semanal de “Dawson’s Creek”.
A morte de James Van Der Beek, aos 48 anos, nesta quarta-feira (11/2), em decorrência de câncer colorretal, levou as antigas fãs, hoje mulheres, a se voltarem, com nostalgia, para Capeside, a pequena cidade litorânea de Massachusetts.
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Durante seis anos, de 1998 a 2003, amadurecemos junto a Dawson (Van Der Beek), o garoto que sonhava em ser o novo Steven Spielberg, e seus melhores amigos – Pacey (Joshua Jackson), Joey (Katie Holmes) e Jen (Michelle Williams).
Uma das maiores séries adolescentes da história da TV americana (disponível no streaming Sony One, hospedado no Prime Video), “Dawson’s Creek” é absolutamente simples. Um menino e uma menina sentados na cama – ela invariavelmente chegava ao quarto dele pela janela – tendo conversas existenciais. É assim que a história começa.
Os desdobramentos foram enormes, e foram além de seu público. Nunca é demais lembrar que o primeiro beijo gay masculino da TV americana foi no último capítulo da série, 23 anos atrás. A reação emocionada de Dawson ao ser dispensado por Joey (sua alma gêmea, que o trocou pelo melhor amigo, Pacey), tornou-se um meme que perdurou muito depois do fim da série.
Produção que sedimentou a carreira do roteirista e diretor Kevin Williamson (que havia chegado ao cinema por meio de duas franquias de terror, “Pânico” e “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”), “Dawson’s Creek” partiu da própria adolescência de seu criador.
O elenco era basicamente desconhecido quando entrou no projeto. Van Der Beek já tinha feito espetáculos off-Broadway e filmes independentes antes de ser escalado. Tinha 15 anos. Foi ele, do núcleo principal, o único que não conseguiu se descolar do personagem.
"Há tanta coisa em Dawson que me irrita", admitiu ele certa vez. “É difícil competir com algo que foi um fenômeno cultural como 'Dawson's Creek’. São muitas horas interpretando um único personagem”. Na reunião para celebrar o 20º aniversário da série, em 2019, Van Der Beek assumiu, no entanto, que “adorava a vulnerabilidade” do personagem.
Na reunião dos 25 anos, ocorrida em setembro último, o ator, já debilitado (o diagnóstico do câncer foi em 2023), não pôde comparecer. Fez uma aparição surpresa, em vídeo, no palco do Teatro Richard Rodgers, durante uma leitura ao vivo do piloto da série, em benefício da F Cancer. Lin-Manuel Miranda o substituiu no palco. “Obrigado a cada pessoa aqui”, disse.
Com o fim da série, o ator fez participações em várias produções, no cinema e na TV. Chegou às semifinais do programa "Dancing with the stars" e interpretou um ex-namorado calvo e fora de forma em "How I met your mother".
“Quanto mais você ri de si mesmo e não tenta obter nenhum tipo de respeito, mais as pessoas parecem te respeitar”, disse Van Der Beek à “Vanity Fair”. “Eu sempre fui um palhaço preso no corpo de um galã.”
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