Há quem diga que o jornalismo antecipa o futuro, talvez por uma necessidade de estar, de fato, um pouco à frente do tempo presente para manter os leitores informados.

Nesta primeira edição do ano, o Degusta se propõe, justamente, a prever o que 2026 deve trazer de novidades para Belo Horizonte em termos de bares e restaurantes. A missão rendeu um conteúdo especial, que vai alimentar o imaginário de curiosos e apaixonados pela cozinha.


A seguir, descubra quais são as casas que, em breve, estarão de portas abertas.

“Irmão” mais novo


Com pouco mais de um ano de existência, o Casa Riuga, restaurante intimista na Savassi, está perto de escrever um novo capítulo de sua história, agora com uma casa para chamar de “irmã”. Praticamente pronto, o Riú Bar, que fica, literalmente, ao lado, deve ser inaugurado no fim de janeiro.

As lulas com o embutido espanhol sobrasada e salsa verde devem estar no cardápio do Riú Bar

Joana El KhouriEM/D.A Press


A ideia é abrir um bar descontraído com cardápio menos “engessado”, que mude com frequência e explore a sazonalidade dos ingredientes. O menu enxuto, que já é característico do Casa Riuga, também será parte essencial do novo bar.


“A gente fala que na Casa Riuga as pessoas vão para comer e a bebida é um complemento. No Riú, as pessoas irão beber e a comida será mais um complemento”, explica Pedro Stussi, proprietário das casas, ao lado de Carolina Elias.


Comidas para compartilhar e pratos diferentes do usual fazem parte da proposta da dupla. “A gente descobriu que cada vez mais pessoas querem provar novas coisas e compartilhar pratos. Na Casa Riuga, não servimos nenhum arroz, nenhuma massa, nem risoto. Foi uma grata surpresa ver que as pessoas abraçaram essa nossa proposta”, conta Pedro, reforçando que o bar prestes a inaugurar seguirá as mesmas premissas.


O Riú vai servir pequenas porções – muitas, inclusive, para comer com as mãos. O cardápio ainda não está fechado, mas Pedro destaca alguns itens que podem entrar: patê de fígado de frango, ostras, charcutarias etc.


A brasa, assim como no Casa Riuga, será parte importante da cozinha. Preparos que saem dela, como as lulas com sobrasada (embutido espanhol de Mallorca feito com carne e gordura de porco, sal e páprica) e salsa verde, que já esteve disponível temporariamente no restaurante, também devem aparecer no Bar.


A carta de drinques também está em construção, mas Pedro adianta que a proposta é investir em coquetéis clássicos, mas não tão clichês. O Macunaíma, drinque brasileiro com cachaça, fernet e limão, deve ser um dos escolhidos.

Espaço em dobro


A ideia de abrir outra casa já era um desejo de Pedro e Carol, mas a oportunidade de pegar o ponto ao lado do restaurante foi como um “empurrão”. “Sempre quisemos ter um bar e a oportunidade bateu na nossa porta. A gente não podia deixar passar”, explica Pedro.


O fato de o Riú estar exatamente ao lado do Riuga vai trazer vantagens além das que os clientes enxergam. “A gente praticamente dobrou o nosso espaço de produção e de estoque.”

Menu enxuto


O investimento em cardápios concisos parece ser uma tendência em novos restaurantes e bares de BH. Tanto o Riú quanto o Casa Riuga seguem essa lógica.

“A gente opta por isso, em primeiro lugar, por termos um espaço reduzido e por não podermos fazer vários preparos ao mesmo tempo. Em segundo lugar, porque acreditamos que conseguimos dar mais atenção a cada ingrediente de forma individual. Nossos pratos têm poucos elementos, mas muita técnica em cima de cada um”, destaca Pedro.


O desperdício é outro fator importante que pode ser evitado com o cardápio enxuto. “O que a gente compra, a gente usa. Praticamente não temos desperdício. A gente faz, por exemplo, um vinagre de abóbora com as aparas dela que não usamos.”


Produtos para levar


Sócio do Cabernet Butiquim e do restaurante Rex Bibendi, Pablo Teixeira vai abrir um novo negócio em 2026. “A proposta é bem diferente das outras casas. Terá um espaço menor para serviço, onde as pessoas possam comer algo rápido ou levar para casa.”

O brioche do sanduíche de camarão empanado do Rex Bibendi está cotado para o novo negócio do grupo

Bia Braz/Divulgação


Pablo ainda não decidiu exatamente o que vai compor o cardápio, mas já tem algumas ideias. “Coisas que as pessoas podem pegar para consumir em casa ou comer por lá mesmo, como o nosso molho de tomate e as almôndegas.”


Esse funcionamento de delikatessen tem como função oferecer praticidade com muita qualidade. “A ideia é vender produtos ideais para quem for receber alguém de última hora, como tortas.”


Os pães também devem aparecer em destaque no novo empreendimento, que ainda não tem um nome definido, mas, segundo Pablo, deve conter a palavra “adeguinha”. Brioche e focaccia, que já são usados no Rex Bibendi, certamente serão componentes do menu da nova casa, inclusive em sanduíches.


Além dos comes, os bebes também são uma preocupação do empresário, que é referência em descomplicar o consumo do vinho. “O vinho é um produto importante para os nossos negócios, mas ainda não sei se vamos ter serviço de taça ou garrafa. A ideia é ser ainda mais descomplicado que o Cabernet”, comenta Pablo. O endereço ainda não foi divulgado.

Aguardado retorno


Para a felicidade de muitos, uma das casas que se despediu dos clientes no ano passado deve reabrir as portas em breve, em um novo endereço. O Bar do Salomão já está praticamente com tudo pronto para seu retorno, que deve ocorrer em fevereiro.

'Quero que o novo espaço seja bem aberto, com muitas mesas fora. O espaço de balcão e de estufa vai ser menor' - Salomão Jorge, do Bar do Salomão

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press


O bar vai continuar no Bairro Serra, na Região Centro-Sul de BH, onde desenrolou sua história de mais de 70 anos. O novo ponto também será uma esquina.

Novidades na churrasqueira


Uma das grandes novidades do novo Bar do Salomão é que o proprietário da casa, Salomão Jorge, vai contar agora com sócios. “Agora o bar vai ter mais controle, vamos dar um passo à frente.”


Além dos petiscos tradicionais, como língua, carne de panela e moela, Salomão vai implementar uma novidade especial no menu. Carnes (ainda a definir) vão sair da churrasqueira.


A decoração do espaço também será um ponto alto, mas não vai deixar de ter os mesmos símbolos de antes. Em conversa com o arquiteto responsável, Salomão deixou claro que a decoração deve ser bem atleticana, com muito uso do preto e do branco.


“Quero que o novo espaço seja bem aberto, com muitas mesas fora. O espaço de balcão e de estufa vai ser menor”, conta o dono da casa.

Tempo de descanso


Com o encerramento das atividades após a venda do imóvel do bar, em setembro de 2025, Salomão conseguiu, pela primeira vez em muitos anos, tirar “férias”. “Nunca tinha viajado por 15 dias, nunca fiquei sem ter o que fazer. Estou estranhando, mas estou descansando”, conta.


Salomão destaca, ainda, que esse período de hiato foi essencial para algumas decisões que tomou, como a de ter agora um gerente, uma pessoa que o ajude a liderar a casa. “Acho que consigo administrar de outra forma. Não quero mais que chegue domingo às 21h e eu esteja lá ainda. Vou estar lá sempre, mas quero um apoio.”


Mais fornadas


Especializada em bolos de pão de queijo, a marca Polvilha, de Fabiana Martins, vai ganhar, provavelmente no segundo semestre deste ano, um espaço físico. A ideia da fundadora da marca surgiu também de uma demanda do público, que sempre queria ver o rosto da responsável pela receita inusitada.

'Sempre tive o desejo de ter um espaço físico, mas, antes de abrir, precisava validar o produto, ver se as pessoas iam gostar e entender' - Fabiana Martins, da Polvilha

Túlio Santos/EM/D.A Press


“Acho que as pessoas precisam vivenciar e experimentar. O espaço físico é importante como posicionamento de marca, até por eu trabalhar com um produto novo, que tem muita gente que não conhece. Todos os dias recebo mensagens de clientes perguntando sobre um espaço físico”, conta.


Antes mesmo de saber que seus clientes também teriam vontade de encontrá-la pessoalmente, Fabiana já sabia que uma loja era importante. “Sempre tive o desejo de ter um espaço físico, mas, antes de abrir, precisava validar o produto, ver se as pessoas iam gostar e entender.”


Além do tempo de aprimorar a produção, ela também teve um tempo para se encontrar nesse lugar de protagonismo. “Sou uma pessoa introvertida. No início, falava que queria ficar só na cozinha, mas hoje sei a importância de aparecer.”

Em busca de um espaço


Fabiana ainda não encontrou o ponto ideal. Ela hoje está no Bairro Prado, Região Oeste de BH, onde sempre morou. A ideia, entretanto, é abrir a loja na Região Centro-Sul, onde 80% dos clientes da Polvilha vivem. “Adoraria que fosse um espaço com características originais, com uma arquitetura mais antiga, mas isso não é um requisito.”


Além da venda de produtos que já existem, como os bolos de pão de queijo e o waffle de pão de queijo, o espaço vai contar com uma área de armazém. “Quero vender produtos que eu uso, como o queijo. Também pretendo servir um café e alguns produtos que gosto, como o Guaramão [refrigerante de BH feito com guaraná e limão]”, conta Fabiana.

Amor por servir


André Gabrich, dono da marca Dedé Pães Artesanais, também começou com uma produção mais caseira, que foi tomando conta do escritório de arquitetura do qual era dono. De repente, ele se viu como padeiro e amante da panificação.

O plano do padeiro André Gabrich é aumentar a produção para quarta a sábado com o ponto fixo

Dedé Pães Artesanais/Divulgação


Agora, com a marca de pães de fermentação natural já consolidada, ele está prestes a dar um passo importante: abrir seu espaço, onde vai poder receber clientes pessoalmente. “As pessoas esperam me ver quando vêm aqui buscar pães no serviço de retirada”, diz, destacando a importância da humanização do produto.


Nesse sentido, André sempre chama a atenção para eventos, como a Quermesse da Mary, da qual participa sempre. É nesse espaço onde ele consegue apresentar seus produtos, entender as demandas dos clientes e trocar ideias com outros vendedores. “Faço questão de ter contato com meus clientes, e isso veio da Quermesse.”

Brunch aos sábados


André ainda não tem um ponto, mas faz questão de que ele seja no Bairro São Pedro, Região Centro-Sul da cidade, já que é onde mora. O plano do padeiro é de que a loja funcione de quarta a sábado com o serviço de retirada de produtos. Nos primeiros dois anos, ele não tem a intenção de funcionar como cafeteria. A ideia é apostar em um modelo de brunch apenas aos sábados.


A proposta de fornadas semanais, com itens que vão mudando sempre e outros clássicos que nunca saem (como o croissant), também vai se aplicar ao espaço físico. O único porém é que, enquanto hoje André trabalha com uma fornada semanal, às sextas, na loja será uma para cada dia de funcionamento (de quarta a sábado). Para isso, ele já conta com uma equipe consolidada e que se dá muito bem entre si. Além dele, trabalham uma mãe e filha, que são “cozinheiras de mão cheia”.


Vale destacar que André é vegetariano e todos seus produtos também. Com a loja física, essa premissa não deixará de existir.


Anote a receita: Bolinho de limão siciliano com merengue (Dedé Pães Artesanais)

Bolinho de limão siciliano com merengue da Dedé Pães Artesanais

André Gabrich/Divulgação

Ingredientes

  • 2 ovos médios;
  • 2/3 xícaras de chá de óleo de milho;
  • 1 xícara de chá de iogurte integral;
  • 1 e 1/3 xícara de chá de açúcar demerara;
  • 1 e 1/2 xícara de chá de farinha de trigo;
  • 1/2 xícara de chá de farinha de amêndoas;
  • 1 colher de chá de fermento seco biológico;
  • 1/2 colher de chá de bicarbonato;
  • suco e raspas de 2 limões sicilianos;
  • 1 e 1/2 colher de sopa de semente de papoula (opcional);
  • 3 claras;
  • 1 xícara de chá de açúcar de confeiteiro;
  • suco de 1/2 limão

Modo de fazer

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  • Para o bolo, preaqueça o forno a 180º.
  • Peneire a farinha e os ingredientes secos.
  • Bata os dois ovos médios com o açúcar usando um batedor de arame ou batedeira.
  • Em seguida, acrescente o óleo e o iogurte com o limão e as raspas.
  • Adicione os demais ingredientes à massa, misturando delicadamente.
  • Acrescente o fermento e o bicarbonato e asse a massa por 40 a 45 minutos (em forma grande untada) ou por 28 minutos (para 12 unidades de bolinhos individuais).

*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino

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