A vida litorânea é, sem dúvidas, sedutora, especialmente para nós, mineiros, que não temos um mar para chamar de nosso. Se em relação a isso não há nada a ser feito, profissionais da gastronomia se dedicam a criar atmosferas praianas por meio de cardápios leves e refrescantes e espaços abertos e rústicos.


Nesta edição especial de verão, apresentamos casas belo-horizontinas que têm um pezinho na areia e se dedicam a trazer um pouco da brisa do mar para a capital mineira.

Depois de um ano da abertura do restaurante Per Lui, primeiro fruto da união de sucesso do chef Yves Saliba e do médico Victor Hugo Barcelos, a dupla decidiu investir em outra casa.

“Chamei meu sócio e falei que queria montar um novo restaurante. Ele tinha acabado de retornar de viagem de Fernando de Noronha com seu irmão, Giovanni Barcelos. Os dois tinham visitado um restaurante com uma pegada condizente com o estilo de vida deles, com uma cozinha mais leve e opções de pratos descomplicados”, diz Yves.

O chef nunca foi uma pessoa muito ligada à praia, mas topou o desafio de montar uma casa que remetesse a esse ambiente. Assim, em 2023, nasceu o Odoyá, localizado na Savassi, Região Centro-Sul de BH, que leva o nome de uma saudação a Iemanjá, a orixá dos mares, águas e oceanos.

A proposta do restaurante é servir comidas mais leves com toques litorâneos, especialmente nordestinos. O clássico bobó de camarão, por exemplo, é servido em duas versões: tradicional, no formato de prato principal, com arroz branco e farofa de coco (R$ 88); e mais criativa, como entrada, em forma de croquete (R$ 49).

O restaurante Odoyá serve de entrada mini acarajé de camarão com vatapá e vinagrete

Victor Schwaner/Divulgação

A moqueca, prato conhecido da cultura alimentar do litoral brasileiro, sobretudo nordestino, também ganha nova roupagem ao se transformar em risoto com camarões grelhados (R$ 92). Essa fusão, aliás, diz muito sobre Yves, que teve passagem por um restaurante estrelado na Itália e comanda uma terceira casa, de gastronomia italiana, o Pastaio, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH.

Os bowls fazem parte de outra seção do menu que combina perfeitamente com a proposta de alimentação mais leve e saudável, ideal para os dias de calor.

São quatro opções, cada uma com um tipo de proteína: atum marinado com mix de folhas, arroz gohan (japonês), molho de iogurte, cebola crispy, tomate cereja e grão-de-bico (R$ 62); salmão com laranja e mel, mix de folhas, arroz gohan, molho ranch, milho torrado e sunomono (R$ 67); shimeji na manteiga, molho ponzu (asiático), mix de folhas, arroz frito e picles de abobrinha (R$ 65); e frango frito, salada de milho tostado na brasa, abacate e arroz gohan (R$ 58).

Para os clientes que preferem pratos principais individuais, o restaurante oferece sabores do mar, como o peixe do dia na brasa com purê de manjericão, vinagrete de manga e óleo de cebolinha (R$ 90), e da terra, como a costela assada com risoto de canjiquinha, defumados, cebola e couve (R$ 93).

Cachaça com coco

Cachaça, purê de coco, toque de menta e crocante de coco salgado: o coquetel do Odoyá faz você se sentir na praia tomando água de coco

Victor Schwaner/Divulgação

Os coquetéis, criados pelo mixologista Albert Coelho, também seguem a proposta praiana. Entre eles, nomes como Mate Amado, com cachaça, mate, maracujá, cravo e canela (R$ 27), e Beira do Mar, com cachaça, purê de coco, toque de menta e crocante de coco salgado (R$ 33).

“A ideia é proporcionar a sensação de estar na praia tomando água de coco, com a refrescância e toque salino do próprio coco, mas sem abrir mão da bebida que é referência em Minas Gerais”, explica o mixologista, exaltando a cachaça.

Outro coquetel que o profissional destaca é o Sabaraíva, que leva cachaça, jabuticaba e netuno (R$ 33). “Une o dulçor de uma das frutas mais famosas de Minas com a bebida de Caraíva Netuno, uma espécie de amaro brasileiro com base de gengibre. O coquetel equilibra suavidade, especiarias e identidade mineira em um único gole.”

Leve de verdade

A preocupação em servir comida de verdade e opções balanceadas é reforçada pelo fato de o Odoyá não trabalhar com refrigerantes.

“Há clientes que acham um absurdo não vendermos refrigerantes, mas esse produto vai contra tudo o que a gente queria para o restaurante, é um monte de química”, destaca Yves, chamando atenção para outra política ousada da casa, de não servir sucos adoçados.

Não há também nenhum produto com embalagens de plástico servido por lá. Os canudos, por exemplo, são biodegradáveis.

Brisa da lagoa

Em ambiente no estilo "beach club", o Al Mar sugere petiscar com o vinagrete de lula, polvo laminado e camarão

Victor Schwaner/Divulgação

Outra casa que se inspira na atmosfera praiana, tanto no espaço quanto no menu, é o Al Mar, na Região da Pampulha, próximo à lagoa, que é ponto turístico da capital mineira. O restaurante nasceu do interesse compartilhado dos sócios, Vitor Cestaro e Giovanni Tito, pela praia e pelo sol.

Há três anos, eles se uniram e abriram a enorme casa com estrutura aberta e arborizada. “Como a gente queria trazer a praia para cá, precisávamos de um ambiente grande, com espaço aberto. A gente queria um ambiente estilo ‘beach club'”, explica Vitor.

No cardápio, a proposta segue com petiscos como o ceviche de tilápia e salmão servido com chips de batata doce (R$ 65,90) e o vinagrete de frutos do mar, preparado com lulas, polvo laminado e camarões, acompanhado de cestinha de pães (R$ 89).

Os pratos para compartilhar são um diferencial do Al Mar. Um dos destaques nesse parte do menu é o Praia de Iracema, espaguete com lulas, camarões e vôngole com molho pomodoro, tomates confitados, pesto de manjericão e muçarela de búfala (R$ 239,90). Também chama atenção o polvo assado com brócolis tomate-cereja, batata, azeitona, cebola e alho confitados e pesto de manjericão (R$ 179,90).

O Al Mar ainda aposta em uma carta de drinques refrescantes. Um dos destaques, que está entre os mais vendidos, conforme explica Giovanni, é o Sunset Bellini (R$ 42,90). Entram na lista de ingredientes vodca com sabor de pêssego, geleia de frutas amarelas e prosecco. “Ele é muito gostoso, refrescante e ainda bonito”, completa.

Ambiente descontraído

Desde que abriram o Al Mar, Vitor e Giovanni tentam mostrar para o público que o objetivo do Al Mar não é ser um restaurante formal, mas, sim, um bar de atmosfera descontraída que comporta eventos que vão de happy hours a aniversários.

Já pensando na Copa do Mundo e nessa paixão nacional, que é o futebol, a dupla investiu recentemente em um telão e novas televisões para que os clientes possam escolher visitar a casa para beber, petiscar e torcer.

Inspiração havaiana

Refrescantes e nutritivos, os pokes são vendidos em três tamanhos e com inúmeras combinações de ingredientes na rede Mana Poke

Mana Poke/Divulgação

Outra opção perfeita para dias quentes, por ser refrescante e nutritiva, são os pokes. E quem é referência nisso, não só em Belo Horizonte, mas em todo o país, é a rede Mana Poke. Criada em 2018 por três jovens em Campinas, no interior de São Paulo, a rede já conta com quase 70 unidades espalhadas por 13 estados brasileiros e pretende, ainda neste ano, ultrapassar a marca de 100. Na capital mineira, a loja fica no Bairro Anchieta, Região Centro-Sul.

Com tantos endereços, o padrão de qualidade é uma preocupação constante. A consultora em nutrição da rede Mana Poke Thaís Graça explica que todo franqueado (mesmo que já tenha uma loja da Mana Poke) precisa passar por um treinamento.

“Toda franquia que abre tem um treinamento grande, isso é uma política da rede. Temos também um consultor de campo que faz a vistoria completa das lojas a cada três meses e o acompanhamento de uma empresa de nutrição, que, inicialmente, visita a franquia a cada dois meses e, depois, passa a ir semanalmente”, detalha.

Apesar de variado, por possibilitar diversas misturas de ingredientes, o cardápio é enxuto e aposta em itens menos sazonais, justamente por precisar seguir um padrão a nível nacional.

Os clientes podem montar seu próprio poke (disponível em 80g, 100g ou 120g de proteína). Os preços variam de R$ 39,90 a R$ 59,90, dependendo do tamanho e da proteína escolhida. Entre as opções, frango, ovo de codorna, peixes, shimeji, tofu e camarão.

Depois de eleger a proteína, é preciso escolher duas bases, entre elas os conhecidos arroz gohan (japonês) e mix de folhas e os menos convencionais espaguete de pupunha e quinoa; três toppings, que podem ser frutas como abacaxi e manga, tomate-cereja e sunomono (salada de pepino japonesa); dois crunches, a exemplo do crispy de cebola e de mandioca; uma semente, como amêndoa laminada e castanha-de-caju; e um molho, sendo o clássico uma mistura de shoyu e óleo de gergelim.

Os clientes indecisos ou que quiserem apostar em uma combinação certeira podem optar por pokes já montados. O de maior sucesso é o “Poke Perfeito” (de R$ 51,90 a R$ 58,90), montado com arroz gohan, mix de folhas, sunomono, cenoura, cream cheese, chips de batata-doce, chips de mandioca, salmão com cream cheese, shimeji, amêndoa laminada, cebola roxa, gengibre e gergelim, servido com molho tarê.
Para acompanhar, a casa serve bebidas naturais, como o suco detox (com abacaxi, limão, couve e gengibre), vendido por R$ 13, e a água de coco natural (R$ 12).

Referência há décadas

Um dos sanduíches favoritos do Néctar da Serra é o de salmão na ciabatta com alface americana, creme de wasabi e alho-poró

Néctar da Serra/Divulgação

Lanches, bufê, sucos, vitaminas, açaís, crepes, hambúrgueres e refeições congeladas são parte do enorme cardápio do Néctar da Serra, restaurante e lanchonete focada em produtos saudáveis.
A casa, com unidades no Mangabeiras e na Savassi, Região Centro-Sul de BH, foi fundada em 1993 pelo casal formado por Júnia Quick e Cid Maestrini. Os dois, que sempre tiveram um estilo de vida saudável e natural, frequentavam as lojas de suco no Rio de Janeiro e sentiam falta de algo parecido em Belo Horizonte.

“A cidade já tinha tido casas de suco que viraram o ‘point da paquera’ na década de 1970, mas, depois que fecharam, BH ficou sem uma de qualidade”, conta Júnia.

Assim, eles abriram o Néctar da Serra, que, além de sucos naturais, vendia sanduíches. Logo, a pequena portinha na divisa dos bairros Serra e Mangabeiras se tornou ponto de encontro de jovens que estudavam no colégio Promove, frequentavam o Minas Tênis Clube e moravam por perto.
Depois de um ano encantando o público com sucos e sanduíches, a casa começou a servir o açaí. “Quando a gente colocou o açaí, o negócio explodiu de vez.”

Depois de três anos, eles mudaram de ponto e passaram para a grande loja que ocupam ainda hoje. Naquele momento, itens como a salada, os crepes, o carpaccio, as quiches e a tradicional limonada suíça de cortesia foram implementados no espaço com decoração rústica em tons de azul e branco que remete à Santorini, cidade na Grécia.

Volta ao mundo

Depois de seis meses no novo espaço, Júnia deixou a casa sob a responsabilidade de sua sogra e do seu cunhado para realizar o sonho antigo de viajar pelo mundo em um veleiro com o marido. Essa aventura durou 12 anos, período em que passaram por mais de 30 países, o que rendeu muito estudo que seria trazido para o restaurante em Belo Horizonte.

Quando retornou à capital mineira, em 2009, o casal implementou o bufê saudável, com opções variadas todos os dias. “Começamos a trabalhar com muitos brotos, cogumelos e até itens como ceviche, arroz gohan e salmão marinado”, destaca Júnia.

Outros itens, como pokes e hambúrgueres, também passaram a integrar o menu. Assim como as saladas, sucos, omeletes e sanduíches, eles são vendidos em versões prontas ou podem ser montados de acordo com as preferências dos clientes. Um sanduíche destacado por Júnia como um dos favoritos é o de salmão na ciabatta com alface americana, creme de wasabi e alho-poró (R$ 49).

Aposta no delivery

Desde 2012, a casa conta com a linha Quick Natural, de produtos saudáveis pensados para levar para a casa, mas que também são vendidos no salão, como a lasanha de cogumelos (R$ 49) e o escondidinho de bacalhau e mandioca (R$ 50). Já as kombuchas, nos sabores guaraná, maçã com canela, hibisco e cúrcuma, custam R$ 15 a garrafa de 275ml.

Anote a receita: Croquete de bobó de camarão do Odoyá

Croquete de bobó de camarão do Odoyá

Victor Schwaner/Divulgação

Ingredientes:

  • 50ml de azeite de dendê;
  • 300ml de leite de coco;
  • 30g de coentro;
  • 200g de cebola;
  • 200g de tomate;
  • 100g de pimentão colorido;
  • 50g de farinha de trigo;
  • Sal a gosto;
  • Pimenta a gosto;
  • 500g de camarão;
  • Farinha de trigo, farinha panko e ovo para empanar.

Modo de fazer:

  • Regue a frigideira com azeite de dendê.
  • Coloque a cebola, o tomate e os pimentões picados e deixe cozinhar em fogo baixo por 10 minutos no próprio líquido dos legumes.
  • Acrescente o leite de coco e deixe cozinhar por mais 10 minutos, reduzindo o caldo.
  • Acrescente o sal, a pimenta a gosto e entre com a farinha de trigo para engrossar a mistura.
  • Pode parecer que deu errado, mas continue mexendo.
  • Quando estiver no ponto de desgrudar do fundo da panela, coloque o coentro picado e o camarão.
  • Desligue do fogo e deixe esfriar.
  • Quando estiver fria, a massa poderá ser modelada.
  • Faça bolinhas de 40g e empane com trigo, ovo batido e panko.
  • Frite a 160 graus.


Serviço

Odoyá (@odoya.cozinha)
Rua Pernambuco, 797, Savassi
(31) 98493-7436
Terça e quarta, das 11h30 às 15h30; quinta e sexta, das 11h30 às 15h30 e das 18h às 23h; sábado e domingo, das 12h às 17h

Al Mar (@almarpraiabar)
Avenida Dom Orione, 116, São Luiz
(31) 99176-2675
De terça a quinta, das 17h30 à 00h; sexta e sábado, das 11h30 à 00h; domingo, das 11h30 às 19h

Mana Poke (@manapoke.bh)
Avenida dos Bandeirantes, 1725, loja 1, Anchieta
(31) 3586-3600
Todos os dias, das 11h30 às 22h

Néctar da Serra (@nectardaserra)
Avenida dos Bandeirantes, 1839, Mangabeiras
(31) 3281-1466
Todos os dias, das 8h às 22h
Rua Santa Rita Durão, 929, Funcionários
(31) 3261-2969
De segunda a sábado, das 9h às 22h; domingo, das 10h às 21

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino

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