Inhotim reabre restaurante com pratos que fazem tributo à cozinha mineira
Cada região do estado será representada por um ingrediente no extenso cardápio do bufê Comidaria Oiticica
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Se as pessoas vão ao Inhotim pela arte, por que não podem sair de lá falando também da comida? Morena Leite partiu dessa reflexão para construir conceitos bem sólidos para as operações gastronômicas e fazer com que elas também sejam um atrativo dentro do museu. Por enquanto, só está em funcionamento o Comedoria Oiticica, que vai sempre girar em torno de Minas Gerais, seus ingredientes e chefs.
Para criar o menu do bufê, ela partiu de uma extensa pesquisa baseada em uma mapa que considera uma divisão do estado em 12 mesorregiões. O trabalho consiste em entender as características da cultura alimentar de cada uma delas e eleger produtos representativos (veja a lista abaixo).
“As pessoas acham que Minas é uma só, mas são muitas. Quando vamos para o Triângulo, a carne de boi é essencial, porque lá hoje tem o maior rebanho bovino. No Sul e Sudeste, escolhemos o café, afinal, somos o maior produtor do mundo”, destaca a curadora Carolina Daher, responsável pela pesquisa, que será contínua.
O tributo a Minas Gerais se estende com a iniciativa de convidar um chef mineiro, a cada mês, para levar um prato que representa seu trabalho para o bufê. O pedido é sempre o mesmo: “Traga um prato que remete à comida da sua mãe. Não quero comida de restaurante, quero comida de casa. Acredito muito numa comida afetiva que é de mãe”, aponta Morena, que diz ter aprendido a cozinhar “no útero da mãe”.
Não por acaso, o primeiro convidado é Flávio Trombino, do Xapuri. “Ele traz o abraço da dona Nelsa”, diz a chef, relembrando do seu encontro com a mulher do interior de São Paulo que se tornou ícone da cozinha mineira. Ela conheceu o filho tempos depois, em festivais de gastronomia, com “torresmo e limão cravo”, descrevendo sua primeira memória com ele. Os encontros evoluíram para uma grande amizade.
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Admiração mútua
Flávio sempre ouviu de Morena o tanto que ela admirava sua mãe. Agora, ele aproveita para declarar sua admiração pela chef, que o levou a conhecer e cozinhar com nomes como Saulo Jennings (Casa do Saulo – PA) e Rodrigo Oliveira (Mocotó – SP).
“A Morena é uma pessoa super empreendedora, com vários negócios, ela tem um carga de experiência de vida incrível e as dores são sempre as mesmas. Então, ter com quem conversar, trocar conselhos para tomar decisões é super importante”, acrescenta.
Sobre o convite para estar no Inhotim, ele diz ser “uma honra muito grande”. Até porque sabe da importância do museu para para o turismo em Minas Gerais. “É motivo de orgulho ver a Morena levando a nossa cozinha para o mundo.”
História de pescador
A escolha do chef do Xapuri para a estreia do projeto é o frango preguento do Bento. “Só para você ter ideia da importância desse prato, a nossa senha do wi-fi é frango preguento”, diverte-se.
Bento era o tio-avô responsável pela comida nas viagens de pescaria. “Ele começava a fazer o frango no fogo de chão e o pessoal só queria saber de beber e contar mentira. Aí o frango secava, ele pingava água e ia soltando muito colágeno, que é uma cola natural. No fim do dia, a turma ficava com fome, comia com a mão e gritava no mineirês: Bento, seu frango está preguento.”
Dona Nelsa aprendeu a receita com as cunhadas e a colocou no cardápio do Xapuri desde o início, tradição que Flávio segue com orgulho. “A única mudança é que não é mais frango caipira, pela quantidade e pela questão sanitária. Então, usamos frango fresco, porque com o congelado não dá para fazer o processo de fritura em imersão na banha de porco.”
Flávio levou para a cozinha do Comidaria Oiticica o mesmo processo, assim como o tempero caseiro que usa, e deu treinamento para a equipe. O que muda é a apresentação. No bufê, só vai o frango, que fica até o fim do mês. Já no restaurante, o frango ensopado com caldo bem encorpado é servido inteiro ou em meia porção com arroz, feijão, couve, quiabo, chuchu e angu.
Próximos nomes
A próxima convidada será Marina Leite (do Casulo, na Lapinha da Serra – MG), que fisgou Morena pelo angu de banana verde. Depois virão nomes bem conhecidos, como Bruna Martins (Birosca, Florestal e Gata Gorda) e Ivo Faria (Instituto Ivo Faria), ambos de BH, e outros, que ainda serão revelados, para representar as regiões. Alguns chefs nem atuam mais em Minas, mas não perderam a mineiridade.
Diversidade no prato
As 12 mesorregiões de Minas Gerais e os produtos que as representam no Comidaria Oiticica
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- Noroeste: pão de queijo de Paracatu
- Norte: cachaça de Salinas
- Jequitinhonha: queijo cabacinha
- Vale do Mucuri: requeijão moreno
- Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba: carne de boi e jantinha (prato com arroz, feijão simples ou tropeiro, espetinho de carne, farofa e vinagrete)
- Centro: surubim do Rio São Francisco
- Grande BH: jabuticaba de Sabará
- Zona da Mata: doce de leite de Viçosa
- Oeste: linguiça artesanal
- Sul e Sudeste: café
- Vale do Rio Doce: queijo minas artesanal
- Campo das Vertentes: fubá de milho branco de Barbacena
Serviço
Inhotim
- Rua B, 20, Brumadinho
- (31) 3571-9700
- De quarta a sexta, das 9h30 às 16h30
- Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
- Ingressos a R$ 65 (inteira) e R$ 32,50 (meia) – entrada gratuita às quartas e no último domingo do mês
- @inhotim