Você olhou seu contracheque deste mês e a preocupação bateu: o salário passou um pouco de R$ 5 mil e o medo de pagar um Imposto de Renda altíssimo surgiu. Se você pensou que, por causa de algumas centenas de reais, perdeu a isenção e caiu na maior alíquota, respire aliviado. Essa conta não está correta.
A verdade é que o sistema de tributação foi desenhado para ser uma rampa suave, não um abismo. Na prática, mesmo ganhando um pouco acima do teto de isenção, o valor descontado do seu bolso é mínimo e a mudança pode até ser vantajosa para você.
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Entenda a lógica da 'fatia do bolo'
O cálculo do Imposto de Renda é progressivo. Isso significa que as alíquotas não incidem sobre todo o seu salário, mas apenas sobre as partes que se encaixam em cada faixa de tributação. Pense nisso como um bolo dividido em fatias, onde cada fatia pode ter um imposto diferente.
Se você ganha R$ 5.200, por exemplo, a Receita Federal não aplica o imposto sobre esse valor total. Uma grande parte do seu salário continua na faixa isenta, e apenas o pequeno valor que ultrapassa esse limite é que será tributado. Para quem está nessa transição, o sistema ainda prevê um desconto simplificado que alivia o peso do imposto.
Quem ganha isenção com a nova regra?
e você olhou seu contracheque este mês, deve ter notado a diferença. A nova regra do Imposto de Renda já está valendo. A grande novidade é o salto na faixa de isenção, que antes era de dois salários mínimos (R$ 3.036) e agora beneficia quem ganha até R$ 5.000 mensais.
Com a mudança, o governo estima que 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto, gerando uma economia de até R$ 4 mil por ano (considerando o 13º salário) para este grupo.
Ganho um pouco mais de 5 mil. Perdi o benefício?
Não. Para evitar que quem receba um aumento pequeno pague um imposto alto demais (o chamado "degrau tributário"), foi criada uma redução gradual:
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Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350: O contribuinte tem isenção parcial. Quanto mais próximo de R$ 5 mil for o salário, maior o desconto.
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Acima de R$ 7.350: A regra permanece a mesma, seguindo a tabela progressiva tradicional de até 27,5%.
Exemplos de economia real:
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Salário de R$ 5.500: Redução de cerca de 75% no valor descontado mensalmente.
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Salário de R$ 6.500: Cerca de R$ 1.470 a mais no bolso ao final de um ano.
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Salário de R$ 7.000: Economia anual em torno de R$ 600.
Atenção ao calendário!
A mudança já vale para o salário recebido agora (início de 2026). Porém, a Declaração do Imposto de Renda que você enviará em março/abril de 2026 é referente ao ano de 2025. Ou seja: na hora de declarar, ainda valem as regras antigas.
A tributação, portanto, funciona como uma escada, não como um precipício. A cada degrau que você sobe na faixa salarial, o imposto aumenta um pouco, de forma proporcional. Quem está nos primeiros degraus acima da isenção paga um valor muito baixo.
Se você recebeu um aumento que o colocou nessa situação, a notícia é boa. Você está lucrando mais do que na regra antiga. Agora, vale conferir seu holerite. Se o desconto do Imposto de Renda parece alto, uma conversa com o departamento de RH da sua empresa pode esclarecer se a nova tabela progressiva foi aplicada corretamente.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
