A VLI anunciou um investimento superior a R$ 30 bilhões a partir da renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), aguardada para 2026. O anúncio foi feito durante cerimônia de recebimento de um lote de locomotivas fabricadas pela Progress Rail, empresa do Grupo Caterpillar, em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde 2024, a empresa de logística investiu R$ 600 milhões em um ciclo de modernização que abrangeu a compra de 27 locomotivas.


De acordo com Fábio Marchiori, CEO da VLI, em 2026 serão investidos R$ 1,2 bilhão somente na FCA, fora os aportes no restante da operação da empresa, como nos terminais portuários da Concessão Norte-Sul. “Nós estamos agora completando a aquisição dessas oito locomotivas com a Progress Rail e tem mais oito chegando de um outro fornecedor. Tudo isso dentro de Minas Gerais”, explicou.



Se concluída em favor da VLI, a empresa calcula que a prorrogação da concessão vai gerar um incremento superior a 40% nos volumes transportados, favorecendo setores como agronegócio, indústria, siderurgia e construção civil. O projeto também prevê centenas de obras de melhoria na mobilidade urbana em cidades que possuem interface com a ferrovia.



Além da aquisição das locomotivas, a VLI firmou, em outubro passado, contrato de manutenção com a Progress Rail para o Corredor Norte, que conecta o Tocantins ao sistema portuário de São Luís (MA). Com duração de dez anos, o valor do contrato é de até R$ 500 milhões.


Concessão pode ser renovada no fim do primeiro semestre

Sobre a renovação, Leonardo Cezar Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, explica que a revisão da proposta foca no investimento em via permanente. Ele comemora a recuperação do Corredor Minas-Bahia para o transporte de carga: “Uma ferrovia estratégica para o país, cortando cinco estados”. 

O processo seguiu para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da agência, a análise técnica e jurídica está na reta final. “No nosso cronograma, até março vamos mandar para o Tribunal de Contas da União (TCU). Devemos ter uma conclusão até o final do primeiro semestre com o acórdão para fazer o termo aditivo”, informou.

Sampaio destaca que o projeto resolve conflitos urbanos e prevê investimentos como o Corredor Corinto-Campo Formoso (de Minas para a Bahia) e contornos no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.


Trechos devolvidos 

Com a renovação, a VLI devolverá parte da malha para o governo federal. Segundo Ribeiro, a ideia é fazer chamamentos públicos para o setor privado por meio de contratos de autorização. “O primeiro será o Corredor Minas-Rio, fazendo a conexão de Arcos (MG) a Barra Mansa (RJ)”, explicou. O chamamento deve ocorrer ainda neste semestre.

Marchiori destaca que este corredor transporta minério, café e cargas em geral. Ao todo, três corredores serão devolvidos, mas não abandonados. “Vai ter indenização correspondente, vai poder ser direcionada a projetos ferroviários de acordo com a política pública e, por outro lado, também direcionar esses trechos que, no conjunto, não são atrativos, mas isoladamente, baseado nesses estudos, vão ter atratividade no transporte de cargas e até mesmo de passageiros”, disse o diretor-geral da ANTT.


Sobre os trechos da FCA inutilizados, que podem ser devolvidos para o governo federal, Marchiori explica que mais ou menos 2.500 quilômetros da malha estão à disposição, mas não existe carga a ser transportada. “Nós estamos retornando esses trechos para o governo mediante um acordo, mediante inclusive a um pagamento de indenização, que vai ser revertido em investimento, para que a gente possa modernizar ainda mais, comprar mais locomotivas, comprar mais vagões e escoar mais através do modal ferroviário”, disse o CEO da VLI.

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Ele afirma que a soma dos modais ferroviário e hidroviário no Brasil transporta pouco mais de 20% da carga total, sendo que os 80% restantes circulam por rodovia. “Na hora que você moderniza os trilhos e a sinalização, na hora que você compra locomotivas e vagões, naturalmente essa carga vai para a ferrovia. O que a gente vai fazer é um equilíbrio de malha, retornando esses trechos sem carga, que vão ser destinados para outras coisas, e realmente maximizando o investimento nos trechos que tem carga e precisa de investimento”, resume a estratégia da empresa.

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