A perda de amigos na vida adulta costuma acontecer em silêncio, em meio a respostas que demoram, convites adiados e mensagens sem retorno. Ao mesmo tempo, cresce a chamada crise de solidão, que afeta profundamente a saúde emocional, a qualidade de vida e até o corpo, tornando-se um tema urgente de saúde pública em todo o mundo.
A perda de amigos na vida adulta é inevitável?
A perda de amigos na vida adulta nem sempre está ligada a grandes conflitos, mas a mudanças graduais nas rotinas e nas prioridades. Entrada no mercado de trabalho, casamento, filhos, mudanças de cidade ou país e transições de carreira alteram o tempo e a energia disponíveis para cultivar vínculos.
Em muitos casos, a amizade não termina de forma explícita; ela apenas deixa de ser alimentada. Isso pode gerar estranhamento quando antigas confissões e comemorações são substituídas por interações rápidas em redes sociais, deixando dúvidas sobre erros, distanciamento proposital ou simples falta de espaço na vida adulta.

Como a solidão adulta impacta a saúde mental e a forma de se relacionar
A palavra-chave central nesse cenário é solidão na vida adulta, que não se refere só à quantidade de pessoas por perto, mas à qualidade dos vínculos. É possível ter muitos contatos e ainda sentir falta de relações em que exista confiança, intimidade e presença real, o que aumenta o risco de depressão, ansiedade e piora da autoestima.
Estudos sobre estilos de apego mostram que alguns adultos se retraem quando se sentem vulneráveis, enquanto outros buscam ainda mais contato. Perfis mais evitativos preferem interações superficiais, já os mais ansiosos insistem em mensagens e convites, o que facilita mal-entendidos e pode intensificar a sensação de rejeição e isolamento.
Como a cultura molda amizades, solidão e redes de apoio
A forma como a perda de amigos é vivida varia conforme a cultura e o contexto social. Em alguns países, laços criados na infância e adolescência tendem a ser mais estáveis; em outros, há incentivo constante para conhecer pessoas novas em ambientes de trabalho, eventos religiosos, esportes e projetos comunitários.
Para quem migra, a cultura local pode facilitar ou dificultar a criação de novos vínculos. Círculos muito fechados, barreiras de idioma, diferenças de costumes e a distância da rede original de apoio podem acentuar a solidão, mesmo quando há convites pontuais e convivência em grupos maiores.
No vídeo abaixo a influenciadora Fala Laly que faz sucesso no TkTok, onde aborda esse assunto sobre não ter amigas:
O que fazer quando só um lado sustenta a amizade
Um dos aspectos mais delicados da vida adulta é perceber que apenas uma pessoa se esforça para manter a amizade. Quando sempre é o mesmo lado que puxa conversa, marca encontros, lembra datas e oferece ajuda, surge cansaço, frustração e sensação de desvalorização, mesmo sem brigas explícitas.
Essa dinâmica costuma aparecer em sinais sutis do dia a dia, que ajudam a avaliar se vale a pena insistir tanto em um vínculo que parece ter perdido equilíbrio e prioridade:
- Notícias importantes são descobertas por postagens em redes sociais, e não por conversa direta.
- Promessas de visita ou encontros são adiadas repetidamente, sem nova proposta concreta.
- Convites recebem respostas vagas ou silêncio, como se a amizade estivesse sempre em segundo plano.
Estratégias para enfrentar a solidão e reconstruir a rede de apoio
Diante da solidão adulta e da perda gradual de amigos, é possível adotar estratégias práticas para reorganizar a própria rede de apoio. Reconhecer que algumas amizades pertencem a fases específicas, observar a reciprocidade, abrir espaço para novos laços e cuidar da saúde mental são passos essenciais para diminuir a dor desse processo.
Olhar com honestidade para seus vínculos, buscar ajuda psicológica quando necessário e se expor a novos ambientes e grupos pode transformar a sensação de isolamento em oportunidade de recomeço. Não adie esse movimento: se a solidão já está pesando, procure hoje mesmo alguém de confiança, um serviço de saúde mental ou um grupo de apoio e dê o primeiro passo para reconstruir conexões mais verdadeiras e presentes.




