A forma como cada pessoa se lembra do próprio passado influencia diretamente a autoestima, os relacionamentos e até as escolhas profissionais. Em vez de funcionar como uma câmera que registra tudo fielmente, a memória é um sistema dinâmico que reconstrói os fatos conforme emoções, crenças e experiências, fortalecendo ou enfraquecendo a confiança pessoal a partir das histórias internas repetidas ao longo do tempo.
Como a memória influencia a autoestima e a visão de si mesmo
A relação entre memória e autoestima aparece com frequência em consultórios e pesquisas. Lembranças de fracassos, rejeições ou comparações negativas tendem a ser retomadas com mais força por quem já se percebe como inseguro ou inadequado.
Nesses casos, a memória autobiográfica seleciona episódios que confirmam crenças centrais como “não sou capaz” ou “sempre erro”. Em vez de registrar o passado de forma equilibrada, reforça apenas uma parte da narrativa e distorce a história pessoal.

Por que pessoas diferentes lembram o mesmo fato de formas tão distintas
Esse mecanismo ajuda a explicar por que duas pessoas que viveram a mesma situação podem descrevê-la de modo oposto. Uma destaca oportunidades de aprendizado; a outra enfatiza humilhações ou falhas, sem que isso seja mentira deliberada.
A forma de organizar lembranças é guiada por emoções e pela imagem prévia de si mesmo. Quanto mais depreciativa é a autoimagem, mais o cérebro procura memórias que “confirmem” essa visão, mantendo a pessoa presa a uma identidade limitada e desatualizada.
Como crenças antigas distorcem a memória e fortalecem rótulos
Quando a autoestima está fragilizada, a memória funciona como um arquivo seletivo de autocríticas. Comentários depreciativos, rótulos usados por familiares e comparações com irmãos ou colegas podem permanecer ativos por décadas.
Essas mensagens formam um repertório de crenças que orienta quase todas as interpretações. A história de vida fica distorcida, como se alguns capítulos fossem ampliados e outros apagados, mantendo a pessoa presa a versões antigas de quem ela é.
🧠 A memória segundo Walter Riso
Como as histórias que contamos a nós mesmos moldam quem somos
📖 A metáfora da memória
Para Walter Riso, a memória não funciona como um arquivo fiel da realidade. Ela é comparada a “alguém que inventa histórias”, reconstruindo fatos a partir de emoções, crenças e experiências posteriores.
🔄 A história que você conta
A forma como uma pessoa se vê depende diretamente da narrativa interna que construiu ao longo da vida. Essa história influencia pensamentos, sentimentos, decisões e até a autoestima.
🧩 O mesmo fato, versões diferentes
Duas pessoas podem viver o mesmo relacionamento e lembrar dos eventos de maneira totalmente diferente. A última lembrança costuma funcionar como filtro para reinterpretar todo o passado.
⚠️ Crenças aprendidas na infância
Mensagens repetidas desde cedo — como “você não é capaz” — podem se tornar verdades internas. Mesmo quando há sucesso, a pessoa tende a desvalorizá-lo, atribuindo-o à sorte.
❓ Questione sua narrativa
Riso destaca a importância de questionar as histórias internas. Nem toda memória reflete a realidade. Muitas são exageradas, distorcidas ou baseadas em crenças sem fundamento.
🔓 Aprender a “desobedecer” a si mesmo
Autoconhecimento envolve coragem para romper padrões internos, abandonar comandos falsos e reconstruir uma narrativa mais justa, realista e compassiva sobre si mesmo.
✨ A ideia central de Walter Riso
A memória existe, mas não é neutra. A história que você conta a si mesmo pode aprisionar ou libertar. Questioná-la é um passo essencial para desenvolver amor-próprio, autonomia emocional e uma relação mais saudável consigo mesmo.
Quais estratégias ajudam a desafiar a narrativa interna e atualizar a história pessoal
Para reconstruir a memória de forma mais justa, é preciso questionar a própria versão dos fatos e criar novos registros de experiências positivas. Esse movimento exige intenção diária e pequenas ações práticas que, repetidas, mudam a forma como você se enxerga.
- Revisar rótulos antigos: identifique expressões repetidas desde a infância e avalie se ainda fazem sentido hoje.
- Buscar outros pontos de vista: pergunte a pessoas de confiança como elas lembram determinados episódios.
- Ampliar o foco temporal: olhe para diferentes fases da vida, e não apenas para um período doloroso.
- Registrar pequenas conquistas: anote avanços diários para alimentar a memória de experiências positivas.
Como reconstruir sua história e agir agora para cuidar de si
A reconstrução da história pessoal começa pela linguagem usada ao falar de si mesmo. Termos como “incapaz” ou “inútil” revelam mensagens antigas que viraram “verdades internas”; identificá-las permite avaliar se ainda se sustentam diante da vida atual e das capacidades já desenvolvidas.
Se você sente que está preso a um passado que não te representa mais, não adie esse ajuste de rota. Procure ajuda psicológica agora, antes que memórias parciais continuem definindo seu valor: assumir esse compromisso urgente consigo mesmo é um ato de amor-próprio que pode mudar, a partir de hoje, a forma como você se vê e as escolhas que faz para o seu futuro.




