Conflitos por barulho em condomínios podem gerar multas mesmo sem polícia. Código Civil impõe limites ao uso do imóvel, exige respeito ao sossego e autoriza sanções com base na convenção, provas documentadas e direito de defesa.
O barulho excessivo em condomínio segue entre os principais motivos de conflitos e ações judiciais. Um relato ocorrido na Unidade 404 mostra como a Justiça entende que o direito de propriedade encontra limites no sossego coletivo, permitindo multas mesmo sem intervenção policial.
O direito de propriedade permite fazer qualquer barulho?
Embora o imóvel seja particular, o uso da unidade deve respeitar a convivência coletiva. O direito condominial estabelece que a propriedade não pode ser exercida de forma a comprometer o descanso, a segurança e a saúde dos demais moradores.
O Artigo 1.336, inciso IV, do Código Civil impõe ao condômino o dever de utilizar sua unidade sem prejudicar o sossego alheio. A Justiça reforça que esse dever vale independentemente do horário ou da intenção do morador.

Como a lei permite a aplicação de multa por barulho?
A multa não nasce da vontade do síndico, mas da Convenção do Condomínio e do Código Civil. O síndico apenas executa regras previamente aprovadas, respeitando limites legais e a proporcionalidade da sanção, conforme os pontos a seguir.
- Base legal: Código Civil autoriza multa de até cinco cotas se a convenção for omissa.
- Previsão interna: Convenção ou Regimento define valores, reincidência e progressão.
- Poder-dever do síndico: obrigação de agir para preservar a convivência.
Quais provas sustentam a multa por perturbação do sossego?
Em disputas judiciais, a multa só se mantém quando há prova concreta. Relatos verbais isolados tendem a ser insuficientes, especialmente quando o morador recorre alegando abuso ou perseguição.
Registros escritos, testemunhos e dados técnicos fortalecem a legalidade da punição. A jurisprudência atual reconhece que provas bem documentadas demonstram que a medida não foi arbitrária.

Qual é o rito correto antes de gerar o boleto da multa?
O respeito ao contraditório e à ampla defesa é essencial para que a penalidade não seja anulada. O morador precisa ter ciência formal da infração e oportunidade real de se manifestar, como ocorre nas etapas abaixo.
- Notificação formal: comunicação escrita detalhando o fato e a infração.
- Prazo de defesa: geralmente entre cinco e dez dias para resposta.
- Possibilidade de recurso: encaminhamento à assembleia, se previsto.
Existe diferença entre barulho comum e comportamento antissocial?
A Justiça distingue infrações pontuais de conduta antissocial. Esta ocorre quando o comportamento reiterado torna insuportável a convivência, permitindo penalidades muito mais severas.
Nesses casos, o Artigo 1.337 do Código Civil autoriza multa de até dez vezes a cota condominial, desde que aprovada em assembleia. O objetivo não é punir, mas proteger o direito coletivo ao sossego.




