Chás como boldo e chá verde auxiliam na digestão e no inchaço, mas não “limpam” o sangue. O detox real é feito pelo fígado e rins; os chás são apenas complementos que exigem moderação para evitar riscos à saúde.
Depois de um fim de semana de exageros na comida ou na bebida, muita gente corre para o chá de boldo, dente-de-leão ou chá verde achando que, assim, vai “limpar” o organismo de uma vez. Esses chás aparecem em embalagens com a palavra detox em destaque, como se fossem uma espécie de atalho para começar de novo do zero. Mas será que eles realmente cumprem essa promessa ou a história é um pouco diferente do que a propaganda faz parecer?
O que realmente significa fazer um detox?
No dia a dia, detox virou um termo genérico, usado para falar de emagrecimento rápido, sensação de leveza ou até “limpeza do sangue”. Já na medicina, desintoxicação é outra coisa: é a remoção controlada de substâncias tóxicas específicas, como drogas, metais pesados ou grandes quantidades de álcool, geralmente feita em ambiente hospitalar.
O nosso corpo já tem um sistema de limpeza próprio, que funciona o tempo todo. O fígado transforma substâncias potencialmente nocivas em compostos mais fáceis de eliminar, e os rins filtram o sangue e descartam resíduos pela urina. Pele, pulmões e intestino também ajudam nesse processo diário de depuração natural.
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Como funcionam as chamadas plantas desintoxicantes?
Quando se fala em plantas desintoxicantes, logo surgem nomes como boldo, dente-de-leão, chá verde, cavalinha e hibisco. Elas são muito usadas em chás e misturas caseiras, principalmente por quem sente o estômago pesado, quer desinchar um pouco ou busca uma “forcinha” depois de refeições mais gordurosas.
Boa parte dessa fama vem da tradição popular, passada de geração em geração. Em geral, essas plantas podem trazer algum conforto digestivo leve, aumentar um pouco a produção de urina e oferecer compostos antioxidantes, mas isso acontece de forma gradual e sempre depende do conjunto da rotina, não de uma xícara isolada.
O que boldo, dente-de-leão e chá verde realmente fazem no corpo?
O boldo costuma ser lembrado para aquele mal-estar depois de comer demais, ajudando de forma moderada na sensação de digestão. O dente-de-leão é frequentemente citado em chás que prometem apoiar o fígado e ter um leve efeito diurético. Já o chá verde ganhou espaço em dietas por conter cafeína e antioxidantes, que podem dar um discreto impulso no metabolismo.
De forma resumida, essas plantas podem atuar em três frentes principais, sempre com efeitos suaves e que variam conforme a quantidade, o preparo e os hábitos gerais da pessoa:
- Apoio digestivo leve: algumas ervas estimulam a produção de bile e ajudam na sensação de conforto após refeições gordurosas.
- Efeito diurético suave: podem aumentar um pouco o volume de urina, o que dá a impressão de “desinchar”, sem significar expulsão de toxinas milagrosa.
- Ação antioxidante: compostos como catequinas do chá verde ajudam a proteger as células contra danos do dia a dia.
As plantas detox podem substituir fígado e rins?
Muitas propagandas sugerem que certos chás “limpam o fígado” ou “purificam o sangue”, mas, até o que se sabe até 2026, boldo, dente-de-leão e chá verde não substituem o trabalho dos órgãos de desintoxicação. No máximo, podem dar um apoio indireto, desde que usados com moderação e dentro de uma rotina razoavelmente equilibrada.
Quando alguém fala em “limpar o fígado”, costuma esquecer o que realmente faz diferença: reduzir o álcool, evitar excesso de ultraprocessados, cuidar de problemas como diabetes e colesterol alto, manter o peso adequado, se exercitar e beber água regularmente. Sem essas bases, qualquer chá detox vira só um remendo temporário, incapaz de compensar semanas de exageros.
Para você que gosta de aprofundar, separamos um vídeo do canal do Dr. Roberto Yano com dicas de um chá para desinchar:
Quais são os riscos, limites e cuidados ao usar chás detox?
Por parecerem naturais e simples, esses chás muitas vezes são tomados sem nenhum cuidado. Porém, o uso exagerado de plantas desintoxicantes pode causar irritação no estômago, diarreia, queda de pressão, alterações no fígado ou nos rins e ainda interferir com remédios de uso contínuo, como anticoagulantes, medicamentos para pressão e para diabetes.
Alguns cuidados básicos ajudam a usar essas bebidas com mais segurança: evitar consumo prolongado em grandes quantidades sem orientação, desconfiar de promessas de “limpeza total” em poucos dias, checar a procedência das ervas e conversar com profissionais de saúde em casos de gravidez, amamentação, doenças crônicas ou uso regular de medicamentos.




