A perda de colágeno ao longo da vida ocorre de forma gradual e costuma ser notada apenas quando o corpo já apresenta sinais bem visíveis, como rugas mais marcadas, pele sem firmeza e desconfortos articulares. Mesmo em pessoas com boa alimentação e rotina saudável, essa proteína pode diminuir em ritmo acelerado, afetando não apenas a aparência, mas também funções importantes do organismo, como a estabilidade das articulações e a integridade de mucosas internas.
Colágeno é a proteína estrutural que sustenta tecidos e funções vitais
Separamos esse vídeo do @Dr. Fernando Lemos – Planeta Intestino para aprofundar a relação entre glicina, colágeno e envelhecimento do organismo, explicando por que essa proteína pode cair mesmo com alimentação considerada adequada.
O colágeno é uma proteína estrutural que atua como uma “armação interna” do organismo, essencial para a pele, ossos, cartilagens, tendões, músculos, vasos sanguíneos e partes do sistema digestivo. A partir de cerca de 25 anos, sua produção cai gradualmente, e essa redução se intensifica com a idade, com impacto estético e funcional, como flacidez, menor resistência mecânica e maior vulnerabilidade a lesões.
Quando os níveis de colágeno diminuem, a pele perde sustentação e fica mais flácida, com maior tendência a linhas finas e ressecamento. Em paralelo, articulações podem se tornar menos estáveis e dolorosas, cabelos e unhas mais frágeis, e estruturas internas, como a barreira intestinal, podem perder integridade, favorecendo inflamação local e desconfortos digestivos.
Glicina é um aminoácido central para a formação do colágeno
A glicina é um aminoácido que representa uma parcela significativa da composição do colágeno e participa da organização de sua estrutura em tripla hélice. Embora seja classificada como não essencial, ou seja, produzida pelo organismo, a síntese endógena muitas vezes não supre as demandas em períodos de estresse metabólico, inflamação, prática intensa de exercícios ou envelhecimento.
Dietas modernas costumam priorizar cortes magros e ultraprocessados, afastando o consumo de partes ricas em tecidos conectivos, como pele, ossos, cartilagens e tendões. Nesses componentes concentram-se maiores quantidades de glicina e outros aminoácidos fundamentais para a síntese de colágeno, o que explica por que, mesmo com ingestão adequada de proteínas, pode haver deficiência relativa de componentes específicos para manter essa proteína estrutural.
Glicina participa de processos antioxidantes, metabólicos e de reparo celular
A glicina não atua apenas na formação do colágeno, mas também na síntese de glutationa, um dos principais antioxidantes celulares, importante no controle de processos inflamatórios e na neutralização de radicais livres. Esse aminoácido contribui ainda para a função hepática, ajudando na desintoxicação, na conjugação de toxinas e na regeneração das células do fígado.
Ela também participa da produção de hemoglobina, da síntese de enzimas digestivas, da proteção da mucosa intestinal, da manutenção do DNA e reparo celular, além de influenciar a sensibilidade à insulina, o metabolismo energético e a qualidade do sono. Dessa forma, uma deficiência relativa de glicina pode repercutir em várias áreas, desde o conforto articular e equilíbrio metabólico até a saúde intestinal e o padrão de descanso noturno.
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Fatores do estilo de vida que favorecem a deficiência de glicina e a perda de colágeno
Vários elementos do estilo de vida atual podem reduzir a disponibilidade de glicina e comprometer a produção de colágeno. Uma alimentação baseada em cortes muito magros, ultraprocessados e baixa ingestão de preparações com ossos, pele e cartilagens diminui a oferta natural desse aminoácido, ao mesmo tempo, em que o estresse crônico e o sono inadequado aumentam seu consumo interno.
O uso prolongado de determinados medicamentos, como alguns antiácidos contínuos, estatinas, antibióticos e anticoncepcionais hormonais, pode interferir no metabolismo de nutrientes. Além disso, o consumo frequente de álcool e a exposição a poluentes e outras toxinas ambientais elevam a demanda por defesas antioxidantes dependentes de glicina, somando-se ao efeito do envelhecimento, que amplia as exigências metabólicas do organismo.
Alimentos ricos em glicina e colágeno que podem ser incluídos na rotina

Entre as formas tradicionais de obter glicina e colágeno estão preparações que utilizam partes do animal hoje pouco valorizadas, como ossos, cartilagens e pele. Caldos de ossos cozidos lentamente, sopas com frango inteiro, incluindo pele e ossos, além de pratos típicos que aproveitam articulações e tendões, liberam aminoácidos, colágeno e minerais importantes para a saúde de tecidos conectivos.
Esses alimentos e preparações podem ser organizados de forma prática na rotina, oferecendo opções para diferentes preferências regionais e culturais:
- Gelatina sem sabor de origem bovina;
- Pés de galinha em caldos e ensopados;
- Cabeça e espinha de peixe usadas em sopas e fundos;
- Pratos tradicionais como mocotó e dobradinha;
- Costela bovina com osso e rabo de boi;
- Pele de porco e torresmo preparados com moderação e poucos aditivos químicos.
Para algumas pessoas, suplementos de colágeno hidrolisado e de glicina em pó também podem ser considerados, geralmente em doses diárias entre 5 e 10 gramas, sempre com avaliação profissional para ajustar quantidades, horários de uso e possíveis interações com outros cuidados de saúde.
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Cuidados diários que ajudam a preservar o colágeno ao longo da vida
Cuidar do colágeno envolve mais do que escolher bons alimentos: exige uma abordagem ampla, com sono consistente, manejo do estresse, prática regular de atividade física e redução do contato com substâncias que sobrecarregam o organismo. Hidratação adequada e ingestão de nutrientes como vitamina C, zinco, cobre e proteínas de boa qualidade também favorecem a produção e a manutenção dessa proteína estrutural.
- Priorizar refeições com alimentos in natura e minimamente processados.
- Incluir periodicamente caldos, sopas e cortes ricos em tecido conectivo.
- Cuidar do sono e da rotina de descanso.
- Evitar o uso desnecessário de medicamentos sem orientação.
- Buscar avaliação profissional antes de iniciar suplementos específicos.
Com essas estratégias, permite-se apoiar de forma consistente a produção de colágeno e o aporte de glicina, contribuindo para a manutenção da estrutura da pele, das articulações e de diversos sistemas do organismo, ajudando a envelhecer com mais conforto, função e qualidade de vida.




