Entre ruínas submersas, novas tecnologias de varredura 3D e experiências imersivas em realidade virtual, o antigo Farol de Alexandria volta ao centro das atenções arqueológicas. No fundo do porto oriental do Egito, no mar Mediterrâneo, foram identificados e resgatados blocos monumentais que fizeram parte da base e da entrada dessa torre histórica, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, e agora reconstruída digitalmente para aproximar o público de um monumento que não existe mais.
Como o Farol de Alexandria foi redescoberto no fundo do mar?
No porto oriental de Alexandria, blocos gigantes permaneceram séculos escondidos sob sedimentos, correntes marítimas e intensa atividade portuária moderna. Mesmo assim, muitos preservam detalhes arquitetônicos que ajudam a entender como era a passagem monumental rumo ao farol e suas estruturas anexas.
Entre grandes blocos de granito e elementos decorativos, o conjunto revela técnicas de construção que misturavam tradições egípcias e gregas em um mesmo projeto. Pela primeira vez, esses elementos são reposicionados de forma sistemática em modelos digitais, permitindo reconstruções cada vez mais precisas.

Quais blocos monumentais revelam a entrada do farol?
O achado recente inclui 22 blocos monumentais, alguns com peso estimado entre 70 e 80 toneladas, que integravam a entrada do Farol de Alexandria. São dintéis, jambas, umbrais e lajes de pavimento que indicam uma construção monumental, voltada tanto à orientação de navios quanto à exibição de poder político.
Esses blocos se somam a milhares de objetos já documentados desde o fim do século XX, como colunas, estátuas, esfinges e fragmentos de obeliscos. A grande diferença agora é a combinação entre arqueologia subaquática tradicional e recursos digitais avançados para análise e reconstrução.
Como é feita hoje a reconstrução digital do Farol de Alexandria?
A reconstrução digital do Farol de Alexandria se baseia em uma ampla base de dados coletada ao longo de anos de mergulhos e pesquisas. Mais de uma centena de fragmentos arquitetônicos foi escaneada no fundo do mar, usando fotogrametria detalhada que gera modelos 3D precisos, com fissuras, relevos e marcas de desgaste.
Para orientar essa reconstrução visual, uma equipe multidisciplinar cruza evidências materiais com fontes históricas variadas, criando um grande “quebra-cabeça” virtual que testa diferentes arranjos estruturais plausíveis.
- Relatos de viajantes e geógrafos da Antiguidade e da Idade Média;
- Moedas e medalhas com o farol representado em miniatura;
- Mosaicos antigos que sugerem a forma da torre e de sua base;
- Comparações com outras construções ptolomaicas e helenísticas;
- Simulações estruturais digitais para testar estabilidade e altura.
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O que a história do Farol de Alexandria nos conta sobre o Mediterrâneo antigo?
Construído no início do século III a.C., sob a dinastia ptolemaica, o farol é atribuído ao arquiteto grego Sóstrato de Cnido e teria ultrapassado 100 metros de altura. Além de servir como referência luminosa em uma costa perigosa, simbolizava a centralidade comercial, intelectual e política de Alexandria no Mediterrâneo.
Terremotos entre os séculos XIII e XIV levaram ao colapso progressivo da torre, culminando em 1303, quando um grande abalo comprometeu sua estabilidade. Nos séculos seguintes, muitas pedras foram reaproveitadas em novas obras, como a fortaleza mameluca do século XV erguida na mesma área.
Por que o Farol de Alexandria ainda importa e o que você pode fazer agora?
Estudar o Farol de Alexandria ajuda a entender práticas construtivas antigas, rotas de navegação e a formação de grandes centros portuários. Tecnologias como fotogrametria, modelagem 3D e realidade virtual permitem recriar o monumento com alta fidelidade, ampliando o acesso ao conhecimento sem risco aos vestígios físicos submersos.
Esse patrimônio está ameaçado por erosão, poluição e atividade humana, e o tempo de preservá-lo é limitado. Busque projetos, museus e plataformas que divulguem e apoiem a pesquisa sobre o farol, compartilhe esse tema e engaje-se agora: cada gesto de interesse e apoio ajuda a manter viva, antes que seja tarde demais, a memória de uma das maiores maravilhas do Mediterrâneo antigo.




