Casos recentes em Santa Fé e Rosário chamaram a atenção para um golpe de estelionato em alta entre criminosos: o chamado golpe da confiança, em que golpistas usam dados pessoais, laços afetivos e a vulnerabilidade de idosos para acessar economias guardadas em casa, muitas vezes em dólares e joias, por meio de telefonemas longos, falsos funcionários públicos e até cuidadores para dar aparência de legitimidade.
O que é o golpe da confiança e como ele funciona na prática
O golpe da confiança, também chamado de “conto do falso funcionário” ou “golpe do familiar”, é uma forma de estelionato em que o criminoso conquista credibilidade antes de pedir dinheiro ou bens. Em vez de ameaças, utiliza conversa calma, educada e cheia de detalhes verdadeiros, fazendo a vítima acreditar que está cumprindo um procedimento oficial ou ajudando um parente.
Os golpistas costumam explorar informações reais da rotina da pessoa idosa, como benefícios, endereço, nomes de filhos e dados bancários. Com isso, constroem uma história convincente, geralmente ligada a supostas exigências de órgãos públicos ou emergências familiares, o que reduz a desconfiança e favorece decisões impulsivas.
Como ocorreu o golpe da confiança contra a aposentada de Santa Fé
Em Santa Fé, uma aposentada de 85 anos perdeu cerca de US$ 90.000 após ser enganada em casa por criminosos que se passaram por funcionários da ANSES. A fraude envolveu uma ligação de quase uma hora sobre uma falsa “troca de notas antigas” e a visita de um suposto contador autorizado para recolher o dinheiro “a ser substituído”.

Segundo relatos da mídia local, uma mulher que se identificou como Graciela Rodríguez se fez passar por funcionária da ANSES, citou dados pessoais, usou linguagem técnica e garantiu que um contador passaria em sua casa, na Rua Eva Perón, 2400. Minutos depois, um homem com aparência de profissional em serviço entrou na residência e levou US$ 43.000 e € 40.000 guardados ao longo de anos de economia familiar.
Por que idosos são alvos frequentes desse tipo de golpe
Pessoas acima de 70 ou 80 anos costumam ter rotina previsível, muitas vezes vivem sozinhas e podem guardar economias em espécie, sem acompanhar bem golpes digitais ou mudanças bancárias. Essa combinação facilita abordagens que simulam urgência, com tom calmo e persuasivo, explorando confiança, medo de perda de benefícios e desconhecimento de procedimentos oficiais.
A relação de dependência com cuidadores, porteiros, funcionários de prédios ou vizinhos aumenta o risco, pois esses vínculos permitem observar hábitos, localizar cofres e mapear a rotina. Em Rosário, por exemplo, a polícia suspeita que informações obtidas no dia a dia tenham sido usadas para coordenar a entrada de um falso chaveiro no prédio da vítima.
Quais sinais de alerta ajudam a reconhecer o golpe da confiança
Embora cada caso tenha particularidades, alguns sinais se repetem e precisam acender o alerta, especialmente com idosos ou pessoas dependentes. Entender esses padrões ajuda familiares, vizinhos e cuidadores a identificar riscos e interromper o golpe antes que a perda aconteça.
Entre as principais situações de risco, destacam-se comportamentos e pedidos que fogem totalmente da rotina, trazendo pressão emocional e urgência financeira. Ao perceber qualquer um dos sinais abaixo, a orientação é sempre interromper o contato e checar a informação com alguém de confiança:
- Ligações inesperadas pedindo dinheiro ou dólares em espécie, quase sempre com tom de urgência ou segredo, alegando “expiração de notas antigas” ou bloqueio de benefício.
- Pedidos para entregar valores a terceiros apresentados como contadores, funcionários públicos, chaveiros ou técnicos credenciados, que vão até a casa da vítima.
- Pressão psicológica para decidir rapidamente, com ameaça de perda de benefício, bloqueio de conta ou vencimento de notas, impedindo reflexão ou consulta à família.
- Uso excessivo de dados pessoais, como se o interlocutor soubesse demais sobre família, endereço e situação financeira, para passar credibilidade artificial.
- Resistência a qualquer checagem, desencorajando ligações para parentes, bancos ou órgãos oficiais para confirmar a história apresentada.
Selecionamos o vídeo do Meu Bolso em Dia que faz sucesso no Instagram e fala sobre os golpes emocionais:
Como prevenir o golpe da confiança e por que agir imediatamente
A prevenção começa com informação clara, conversas frequentes com idosos e uma rede de proteção envolvendo família, vizinhos e profissionais de saúde. Combinar regras simples — como nunca entregar dinheiro em casa a desconhecidos, desligar diante de pressão e sempre checar com um parente ou banco — reduz muito as chances de sucesso do golpe e fortalece a autonomia das pessoas mais velhas.
Se houver qualquer suspeita ou se o crime já tiver acontecido, é essencial registrar boletim de ocorrência imediatamente e reunir imagens de câmeras, registros de chamadas e dados bancários. Cada denúncia ajuda a desarticular quadrilhas e pode evitar que outro idoso perca a economia de uma vida — converse hoje com quem você ama, revise essas orientações agora e não espere o próximo telefonema para agir.




