A discussão sobre dieta anti-inflamatória ganhou espaço em redes sociais, consultórios e conversas cotidianas. Em vez de focar em listas rígidas de alimentos “proibidos” e “liberados”, especialistas destacam a importância de entender o que é inflamação, seus tipos e de que maneira o padrão alimentar, repetido ao longo do tempo, influencia esses processos de forma integrada com o sistema imunológico, metabolismo, composição corporal e estilo de vida.
O que é inflamação e por que ela acontece
No vídeo do @Drauzio Varella, a dieta anti-inflamatória é explicada de forma prática, mostrando como o padrão alimentar influencia a inflamação crônica e quais ajustes simples fazem diferença no dia a dia.
A inflamação é um mecanismo de defesa natural do organismo, acionado diante de agressões como infecção, trauma ou substâncias irritantes. Nessa resposta, células de defesa, mediadores químicos e vasos sanguíneos atuam em conjunto, gerando sinais como vermelhidão, calor, inchaço e dor em determinadas situações.
De forma geral, a inflamação pode ser classificada em aguda, que é rápida e passageira, e crônica, que é silenciosa e prolongada. Fatores como infecções persistentes, tabagismo, poluição, excesso de gordura corporal e padrão alimentar desequilibrado podem contribuir para a manutenção dessa resposta inflamatória ao longo dos anos.
Como a dieta anti-inflamatória se relaciona com a inflamação crônica
A chamada dieta anti-inflamatória refere-se a um padrão alimentar capaz de reduzir condições que mantêm processos inflamatórios ativos. Um exemplo é a obesidade: o acúmulo de gordura abdominal libera substâncias que deixam o sistema imunológico em alerta constante, caracterizando um estado inflamatório de baixo grau.
Dietas ricas em gorduras de origem animal, açúcar em excesso e ultraprocessados facilitam ganho de peso e alterações metabólicas, elevando o risco de inflamação crônica. Em contraste, padrões alimentares com predominância de vegetais, frutas, leguminosas, grãos integrais e gorduras de melhor perfil se associam a menor ocorrência de doenças cardiovasculares e resistência à insulina.
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Existe alimento realmente pró-inflamatório ou anti-inflamatório
Algumas frutas, sementes e temperos são divulgados como anti-inflamatórios naturais por fornecerem compostos bioativos, antioxidantes e substâncias fenólicas. Porém, estudos em humanos indicam que o efeito de cada alimento isolado é limitado diante da complexidade do organismo e dos múltiplos fatores envolvidos na inflamação.
O mesmo vale para alimentos vistos como vilões absolutos, que não costumam causar inflamação importante quando consumidos ocasionalmente em um contexto equilibrado. O que se mostra mais relevante é a frequência, a quantidade e o conjunto do padrão alimentar, ou seja, como esses itens aparecem de forma repetida na rotina ao longo de meses ou anos.
Quais padrões alimentares ajudam a reduzir a inflamação

Ao falar em padrão alimentar, o foco sai do alimento isolado e passa para o conjunto de escolhas diárias. Entre os modelos mais estudados, a dieta mediterrânea destaca-se por associar maior consumo de frutas, legumes, verduras, leguminosas, cereais integrais e oleaginosas, uso predominante de azeite e consumo moderado de peixes e aves.
Esse tipo de padrão alimentar costuma oferecer uma combinação de fatores que favorecem menor risco inflamatório, como fibras, gorduras de melhor perfil e menor presença de produtos ultraprocessados. De forma semelhante, dietas baseadas em vegetais priorizam alimentos in natura ou minimamente processados e restringem frituras, embutidos e excesso de carnes gordurosas.
- Maior teor de fibras, que auxilia na saciedade e no controle do peso corporal;
- Menor presença de gorduras saturadas, comuns em carnes gordas e laticínios integrais;
- Boa oferta de vitaminas, minerais e compostos com ação antioxidante;
- Redução natural do consumo de produtos ultraprocessados e açúcares adicionados.
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Como aplicar uma alimentação com efeito anti-inflamatório no dia a dia
Na prática, construir um padrão semelhante ao de uma dieta anti-inflamatória depende de pequenas decisões cotidianas, mais do que de mudanças radicais de curto prazo. Ajustes simples nas refeições principais, nas escolhas de fontes de gordura e no consumo de açúcares já podem contribuir para melhorar o equilíbrio energético e metabólico.
Algumas estratégias práticas podem orientar essa adaptação gradual, sem listas rígidas de proibições, valorizando alimentos in natura e minimamente processados. Materiais oficiais, como o Guia Alimentar para a População Brasileira, reforçam que priorizar “comida de verdade”, variada e predominantemente vegetal, auxilia no controle da inflamação crônica e na redução do risco de doenças associadas.
- Preencher metade do prato com vegetais: priorizar saladas, legumes e verduras cozidos ou crus em todas as refeições principais.
- Escolher fontes de proteína com menos gordura: alternar carnes magras, frango sem pele, peixes, ovos e leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico.
- Substituir frituras por preparações assadas, cozidas ou grelhadas: reduzindo o excesso de gordura usada no preparo.
- Usar gorduras de melhor perfil: dar preferência ao azeite de oliva e a oleaginosas em pequenas porções, em vez de manteiga e gorduras animais.
- Controlar bebidas açucaradas e doces: deixando esses itens para ocasiões pontuais, em quantidades moderadas.




