O fim das embalagens plásticas descartáveis de uso único para condimentos, produtos de higiene e itens oferecidos em hotéis e restaurantes na União Europeia marca uma virada de chave no setor de hospitalidade, que agora precisa conciliar redução de resíduos, controle de custos e expectativas de consumidores muito mais exigentes em relação à sustentabilidade.
O que muda com o fim das embalagens plásticas descartáveis de uso único na União Europeia
A expressão embalagens plásticas descartáveis de uso único se refere aos pequenos recipientes descartáveis usados apenas uma vez e jogados fora. Pelo regulamento europeu sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens (antes conhecido pela sigla em inglês Ppwr), a partir de agosto de 2026 esses itens devem ser substituídos por alternativas reutilizáveis ou mais sustentáveis em hotéis, bares e restaurantes.
A regra vale para condimentos de mesa em porções individuais e itens de cortesia em quartos, como xampu, condicionador e loções. A principal alternativa são dosadores recarregáveis (também chamados de dispensers recarregáveis), que reduzem resíduos, facilitam o controle de consumo e reforçam a imagem ambientalmente responsável dos estabelecimentos.
Como o Brasil avança em 2026 sem uma lei nacional única
Ao contrário da União Europeia, o Brasil ainda não tem, em janeiro de 2026, uma lei nacional ampla que proíba todas as embalagens plásticas descartáveis de uso único em hotéis, bares e restaurantes. O cenário é um mosaico de normas municipais e estaduais, regulamentos sanitários e projetos de lei federais que, na prática, já empurram o setor para rever o uso de sachês e descartáveis.
Na rotina, observa-se uma transição gradual, com foco em saúde pública e meio ambiente. Algumas regras alteram diretamente a oferta de condimentos, enquanto outras abrem caminho para restrições futuras a plásticos de uso único, inclusive sachês de ketchup (molho de tomate), maionese, molhos prontos e similares.

Quais são hoje as principais diretrizes e pressões regulatórias
As normas em vigor combinam preocupações sanitárias, nutricionais e ambientais, criando um ambiente regulatório mais rígido. Isso afeta desde o que pode ficar sobre a mesa até o tipo de embalagem permitido nas cozinhas e nos salões.
- Restrição ao sal nas mesas (saúde pública) – Em diversas capitais e estados, saleiros e sachês de sal não podem ficar expostos; o cliente precisa solicitar ao atendente, reduzindo o consumo automático de sódio.
- Maionese caseira e “bisnagas” (higiene) – Maionese com ovo cru é, na prática, proibida pela vigilância sanitária, e muitas cidades restringem bisnagas recarregáveis, exigindo produtos industriais em sachês ou recipientes totalmente higienizáveis.
- Pressão contra o plástico descartável (meio ambiente) – Leis que já proíbem canudos e copos plásticos preparam o terreno para futuras proibições de sachês; o Projeto de Lei 2524/2022 propõe o banimento gradual de embalagens plásticas não recicláveis até cerca de 2029.
- Referência de São Paulo e outros municípios – A restrição a utensílios plásticos cria precedente jurídico para incluir sachês no próximo ciclo de regras, enquanto programas locais incentivam alternativas reutilizáveis e biodegradáveis.
Quais alternativas podem reduzir lixo sem comprometer higiene
Uma das grandes dúvidas é como manter padrões rígidos de higiene após a pandemia, agora com menos embalagens individuais. O desafio é oferecer segurança alimentar, controlar porções e evitar desperdício, especialmente em operações de alto fluxo e autoatendimento.

Setores como hotelaria, alimentação e turismo já testam um mix de soluções, combinando ajustes de serviço com inovação em materiais e equipamentos. Entre as alternativas, destacam-se dosadores recarregáveis, recipientes reutilizáveis, embalagens compostáveis certificadas e oferta de condimentos apenas sob solicitação.
Como se preparar agora para o fim das embalagens plásticas descartáveis de uso único
Enquanto a regulamentação ainda permite usar estoques atuais, a janela para uma adaptação tranquila está se fechando rápido. Empresas que começam já a testar dosadores certificados, embalagens reutilizáveis e novos fluxos de trabalho reduzem riscos legais, economizam a médio prazo e ganham reputação ambiental positiva.
Se o seu negócio ainda depende de embalagens plásticas descartáveis de uso único, não espere a próxima lei ou multa chegar: revise contratos, pilote novas soluções e treine sua equipe agora. Cada mês de inércia aumenta o risco de perdas financeiras, de clientes e de credibilidade — faça a transição hoje, antes que tornar-se sustentável deixe de ser opção e passe a ser questão de sobrevivência.



