Imagine descobrir que algo presente na sua panela favorita, na sua roupa impermeável e até na água que você bebe pode ficar no planeta – e no seu corpo – por décadas. É isso que está por trás da discussão sobre os chamados “químicos eternos”, os PFAS, que passaram de símbolo de modernidade a motivo de preocupação em todo o mundo.
O que são PFAS e por que os “químicos eternos” preocupam tanto
Os PFAS são uma grande família de compostos artificiais usados para repelir água, óleo e sujeira. Eles estão em panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis, espumas contra incêndio e várias embalagens de alimentos que usamos sem pensar duas vezes no dia a dia.
O problema é que essas moléculas foram feitas para serem extremamente resistentes. Por isso quase não se degradam na natureza nem no organismo, acumulando-se na água, no solo, em animais e no sangue de pessoas ao redor do mundo, inclusive em locais muito distantes de fábricas ou grandes cidades.
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Como o teflon se conecta aos PFAS e aos riscos à saúde
Quando se fala em risco, muita gente aponta direto para o teflon, o famoso revestimento antiaderente. O polímero em si (PTFE) é considerado quimicamente inerte, ou seja, não costuma reagir com o corpo e tende a passar sem ser absorvido. A grande questão está nas substâncias usadas para produzí-lo.
Durante décadas, a fabricação do teflon contou com o PFOA (também chamado de C8), um PFAS que se acumula no organismo. Estudos ligaram a exposição prolongada a esse composto a maior risco de alguns tipos de câncer, problemas de tireoide, alterações no fígado, colesterol alto e complicações na gestação, o que levou a ações na Justiça e a mudanças na indústria.
De que maneiras os PFAS chegam à água, ao ar e ao nosso sangue
Os PFAS entram no ambiente principalmente por resíduos industriais e uso de produtos que os contêm. Parte vai para rios, lagos e lençóis freáticos; parte se espalha pelo ar, cai com a chuva e retorna para a água que abastece cidades, criando um ciclo difícil de interromper.
Com o tempo, essas substâncias podem chegar às pessoas pela água potável sem tratamento adequado, pelo consumo de peixes e alimentos produzidos em áreas contaminadas, pelo ar perto de fábricas ou bases militares e até pelo contato frequente com tecidos e embalagens tratadas com PFAS.
Quais atitudes do dia a dia podem reduzir o contato com PFAS
Não é possível se proteger totalmente desses compostos hoje, mas algumas escolhas ajudam a diminuir a exposição mais direta. A ideia não é gerar pânico, e sim dar ferramentas para decisões mais conscientes na rotina da casa e da família, incluindo conversar com profissionais de saúde em casos de exposição intensa.
- Substituir panelas antiaderentes muito antigas ou bem arranhadas e evitar deixá-las vazias em fogo alto.
- Priorizar alimentos frescos e reduzir o consumo frequente de fast food e pipoca de micro-ondas em embalagens resistentes à gordura.
- Dar preferência a roupas, estofados e calçados sem promessa de impermeabilidade “permanente” ou “repelente a manchas”.
- Quando possível, usar sistemas de filtragem mais avançados, como osmose reversa ou carvão ativado de alta performance, bem instalados e mantidos.
Para você que gosta de aprofundar, separamos um vídeo do canal Canal Top10 falando mais sobre o assunto de PFAS:
Por que o tema PFAS e teflon ainda gera tantas dúvidas em 2026
PFAS e teflon continuam em debate porque tocam em um ponto sensível: até onde vale a pena apostar em materiais “milagrosos” se eles deixam um rastro difícil de apagar? Os benefícios do antiaderente e dos tecidos repelentes são claros, mas o impacto de longo prazo sobre a saúde e o ambiente ainda está sendo medido.
Enquanto ações judiciais, leis e novas tecnologias tentam corrigir o rumo, cientistas seguem buscando formas de detectar, reduzir e, quem sabe, destruir esses “químicos eternos”. Nesse cenário, informação acessível e escolhas mais conscientes tornam-se parte importante da resposta coletiva ao problema.




