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BH em risco geológico: onde a chuva virou sinônimo de medo

Alerta de forte perigo em toda a cidade tira o sono de quem vive nas cerca de 1.200 moradias mais expostas em BH. Na Vila Chaves, problemas se multiplicam

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Medo, preocupação constante e sensação de descaso. Esses são os sentimentos de moradores de áreas de risco em Belo Horizonte, durante o período chuvoso, ouvidos pelo Estado de Minas. A apreensão se intensifica com o alerta de risco geológico forte, emitido pela Defesa Civil Municipal para todas as regionais da capital diante dos volumes de chuvas registrados nos últimos dias e a previsão de mais precipitações, provocadas pela Zona de Convergência do Atlântico Sul, que atua em quase todo o estado. O alerta é válido até as 10h de amanhã. Segundo a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel), cerca de 1.200 domicílios localizados em vilas e favelas da capital estão classificados em situação de risco.

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Alguns deles estão na ocupação Vila Chaves, localizada no Bairro Conjunto Califórnia II, na Região Noroeste da capital. Geni Mendes é líder comunitária da ocupação há 14 anos e conta que são 217 famílias cadastradas. “Todo ano passamos por isso com os moradores, com barrancos cedendo, famílias em risco. Estamos esquecidos pelos órgãos públicos, prefeitura. A não ser o pessoal da Defesa Civil, não temos outro tipo de ajuda aqui”, reclama. Ela diz que os moradores afetados não têm condições de ir para um lugar mais seguro.

 

Ao lado da líder comunitária, a reportagem percorreu os becos da ocupação e encontrou pessoas como a dona de casa Maria das Graças Junia, de 49 anos, conhecida como Mariazinha. Diabética, ela perdeu a visão e mora no beco Boas Vindas há cerca de dez anos. Atualmente, vive apenas com a filha Beatriz, de 16. “A gente fica com medo, às vezes não consegue dormir. Mas temos que conviver (com a situação)”. lamenta.

Parte da cozinha dela foi levada no domingo (4/1). A casa fica à beira do córrego Avaí, que corta o bairro. Apesar do medo de morar tão perto do curso d'água, durante o período chuvoso, a dona de casa se recusa a deixar o local, mesmo com a insistência dos líderes comunitários em tirar mãe e filha do imóvel.

A poucos metros dali, no beco dos Unidos, está a venda de Silvani Dias Pereira, de 52. Ela e o marido vieram do interior da Bahia e vivem na ocupação há cerca de seis anos. O casal construiu, com recursos próprios, um passeio, que rachou no último fim de semana, já que também fica à beira do córrego.

A comerciante conta que a parte esquerda da estrutura cedeu e puxou a outra metade. “A cada momento que passa, ele desce. A tendência agora é piorar. É preocupante não só para mim, mas para todo mundo (da ocupação). Aqui é a única passagem para a entrega de gás e alimentos (para a população local). A líder comunitária ressalta que a queda da estrutura coloca em risco as casas que estão próximas e das pessoas que transitam pelo local. “Aqui é a passagem dos moradores”, reforça.

Sobre viver no local, durante o período chuvoso, a comerciante é enfática: “É tenso. Para mim e para todos. A gente fica preocupado o tempo todo. É um risco, a gente precisa dormir com um olho aberto e outro fechado. Estar sempre atento e vigiar o tempo todo.”

Já na parte mais alta da ocupação mora o pedreiro John Batista dos Santos, de 43, que teve a entrada da casa levada quando um barranco deslizou no Beco Água Limpa, em 27 de dezembro. No mesmo terreno, moram a ex-mulher dele e os cinco filhos do casal.

Os moradores estenderam lonas no local para evitar que a situação se agrave e a terra desça para as casas na parte inferior do terreno. “É luta, oração, pegando com Deus o tempo todo para as coisas melhorarem. Pedir a Deus para a chuva parar também. Precisamos dela, mas, nessa situação em que estamos, pedimos para dar uma amenizada.”

Mesmo diante das dificuldades, ele não perde a esperança. “Caiu aqui, arruma ali. A gente sai, espera um tempo, volta. Vamos sobrevivendo”, diz. Desde que o deslizamento aconteceu, o pedreiro está na casa de vizinhos. Com o fim do período chuvoso, ele espera fazer um muro de arrimo para proteger o terreno em que vive. “Para na próxima chuva não acontecer mais.”

Na manhã de ontem, segundo a líder comunitária Geni Mendes, uma equipe da Urbel esteve no local para fazer uma vistoria nos imóveis.


VISTORIA E MONITORAMENTO

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que, segundo a Urbel, Belo Horizonte tem cerca de 1.200 domicílios localizados em vilas e favelas e classificados em situação de risco. “Esse número é variável, já que o risco geológico é dinâmico: uma obra pode eliminar várias situações, mas chuvas intensas ou intervenções inadequadas, como cortes de barranco feitos por moradores, podem gerar novos pontos de risco.”

Ainda segundo a PBH, ao longo do ano são feitas ações de vistoria e monitoramento das áreas de risco, com atenção especial aos pontos considerados mais críticos. Nos meses que antecedem o período chuvoso, esses trabalhos são intensificados, com foco na prevenção e na conscientização dos moradores de vilas e favelas localizadas em áreas de risco geológico e de inundação.

Durante o período chuvoso, a Urbel, por meio do Programa Estrutural em Área de Risco (PEAR), acompanha os índices de chuva e repassa alertas aos voluntários comunitários. O programa também monitora moradias com sinalização preventiva, instalação de lonas em encostas, isolamento de cômodos, realização de obras emergenciais e, quando necessário, remoções preventivas, temporárias ou definitivas.


O órgão ressalta ainda que os moradores devem ficar atentos a sinais que podem indicar instabilidade no imóvel (confira o quadro no alto da página). Em relação à ocupação Vela Chaves, a Urbel informa que uma equipe técnica esteve no local realizando vistorias para avaliar as condições dos imóveis. “A partir dessa análise, serão definidas as medidas necessárias.”


INCLINAÇÃO E ENCHARCAMENTO

Uma combinação de fatores é a responsável pelos deslizamentos de terra durante o período chuvoso. É o que explica a professora do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, Cristiane Oliveira. “Tem a rocha e solo que é formado a partir dessa rocha e que fica em cima desse material. Com o período de chuva, o solo fica encharcado à medida em que chove. É como uma roupa molhada que é muito mais pesada do que a seca. Com o solo cada vez mais saturado, aumenta também o peso.”

Aliado a isso, ela destaca o relevo inclinado em algumas regiões da capital. “É igual a um escorregador, quanto mais pesado e inclinado, mais rápido acontece o escorregamento do solo. Com o relevo inclinado e o solo muito molhado e pesado sobre a rocha, a tendência é (a terra) escorregar até a parte mais baixa do local. É por isso que os escorregamentos, normalmente, ocorrem no período chuvoso”, destaca.

A professora lembra que os deslizamentos podem acontecer na natureza, com vegetação preservada e cita os casos na Baixada Santista e na região Serrana do Rio de Janeiro. “Mas em áreas desmatadas isso fica muito mais problemático. A vegetação ajuda na evaporação de água para a atmosfera e ameniza o peso do solo.”

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Outro fator que pode contribuir, segundo ela, é que a maior parte das construções da população mais vulnerável é feita, muitas vezes, sem conhecimento técnico e investimento em infraestrutura. “Essas construções não têm, por exemplo, um sistema de drenagem de água e esgoto, o que favorece ainda mais a saturação do solo. Não têm estrutura pública de drenagem da água da chuva eficiente. Tudo isso se soma para favorecer os escorregamentos nessas áreas, especialmente, nesta época do ano”, conclui. 

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