Chuvas causam inundação no Rio São Francisco em Minas
Serviço Geológico do Brasil emitiu boletim de monitoramento da bacia do Rio São Francisco com alerta para que municípios adotem medidas preventivas
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O aumento do volume do Rio São Francisco, devido às chuvas intensas dos últimos dias, causou apreensão em relação a possíveis inundações em cidades ribeirinhas no Norte de Minas. A situação é mais crítica em São Francisco, onde, de acordo com a Defesa Civil do Município, o Velho Chico subiu 7,22 metros acima do seu nível normal nesta sexta-feira (30/1) e inundou várias comunidades rurais, deixando 200 famílias desalojadas, além de provocar perdas de plantações.
Nesta sexta-feira, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) emitiu um “boletim de monitoramento hidrológico da bacia do Rio São Francisco”, no qual aponta “as cotas de alerta” e “cotas de inundação” nos municípios banhados pelo Rio da Integração Nacional, orientando as medidas para a prevenção e segurança em casos de inundação. Entre as cidades ribeirinhas mineiras cortadas pelo manancial, em três delas o volume do rio está acima da “cota de alerta”: São Francisco, Pedras de Maria da Cruz e Manga.
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“A ‘cota de alerta’ representa o nível atingido pelo rio que indica possibilidade elevada de ocorrência de inundação. Já a ‘cota de inundação’ representa o ponto em que o primeiro dano é observado no município”, explica o serviço federal de monitoramento.
De acordo com o boletim do SGB, no município de São Francisco, o rio vai alcançar a marca de 7,41 metros acima do seu nível normal na manhã deste sábado (31/1), bem acima da “cota de alerta” (6,40 metros acima do nível normal) e próximo da “cota de inundação” (7,50 metros).
Ainda conforme o Sistema de Alerta Hidrológico, em Pedras de Maria da Cruz, por conta das últimas chuvas, na manhã deste sábado o volume do Velho Chico vai chegar a 7,41 metros acima do normal, acima da “cota de inundação” (5,8 metros). Segundo o mesmo alerta, em Pedras de Maria da Cruz, a tendência do nível das águas é baixar e chegar a 7,20 metros acima do nível normal do Rio São Francisco ainda na manhã deste sábado.
Nesta mesma data, em Manga, alerta o SGB, o nível do Rio São Francisco vai alcançar 7,38 metros acima do normal, sendo que a cota de alerta na cidade é de 7,0 metros. O alerta diz ainda que, em Manga, o nível do rio tem tendência “a estabilizar e começar a reduzir, podendo atingir a cota de 7,20 metros até o final da tarde deste sábado (31/01)”.
Inundação e perdas em São Francisco
O superintendente municipal de Defesa Civil de São Francisco, Romenig Barbosa Martins, informou que várias localidades ribeirinhas foram afetadas pela inundação do Velho Chico na zona rural do município, entre elas as comunidades de Ilha das Porteiras, Ilha da União, Ilha do Victor e Lajedo. Ele afirma que as cerca de 200 famílias dos locais inundados foram levadas para moradias na sede urbana do município.
“A Defesa Civil Municipal já vinha acompanhando o aumento do volume do rio e alertando todos os ribeirinhos, fazendo a retirada deles com antecedência, levando as pessoas para um local seguro”, relatou Romenig. Ele lembra que o município conta com o Núcleo de Proteção e Defesa Civil (Nupdec), que sempre orienta as lideranças de comunidades ribeirinhas sobre os alertas de inundação.
O coordenador de Defesa Civil informa que os pequenos agricultores das áreas próximas ao Rio São Francisco perderam suas lavouras por conta da enchente. Por outro lado, mesmo no período chuvoso, na zona rural do município ainda há muitas famílias que sofrem com a escassez de água potável, sendo abastecidas por caminhão-pipa – consequência da seca severa que castigou a região durante mais de seis meses no ano passado.
O coordenador municipal de Defesa Civil de Manga, Paulo Sérgio Nunes Cerqueira, informou que, apesar do aumento do volume do Rio São Francisco e do alerta do Serviço Geológico do Brasil, até então não foram registrados na cidade problemas com a cheia do Velho Chico.
Porém, a Prefeitura local está atenta e faz o monitoramento do nível do Rio São Francisco duas vezes por dia, além de emitir alertas pelas redes sociais e manter pescadores e moradores ribeirinhos informados sobre a situação.
Em Pirapora, informa a coordenadora municipal de Defesa Civil, Carla Diana de Souza Dias, durante o mês de janeiro, as ilhas fluviais do Rio São Francisco (do Coqueiro e Marambaia) tiveram partes inundadas devido à enchente do rio, sem maiores consequências. Na cidade, não houve problemas em decorrência da enchente do Velho Chico.
Em Buritizeiro, município separado de Pirapora pelo Rio São Francisco, o coordenador municipal de Proteção de Defesa Civil, Rodrigo Cardoso da Cruz, informou que, no dia 22 de janeiro, o nível do Velho Chico subiu bastante, atingindo cota máxima. Ele afirmou que a Prefeitura fez o monitoramento e alerta para os moradores ribeirinhos e pessoas que vivem em ilhas fluviais – “a água chegou bem perto das casas de alguns deles”, disse. No entanto, não houve danos.
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“A nossa situação está bem tranquila”, assegurou Rodrigo. “Mas nós estamos em atenção em relação às chuvas que virão nos próximos dias. Se houver necessidade, nossas equipes vão atuar”, finalizou.