O homem preso pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) como principal suspeito de agredir e estuprar uma mulher em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi liberado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Ele foi detido no último sábado (17/1), dia do crime, depois de ser flagrado por uma câmera de segurança próximo à lagoa. Na oportunidade, foram apreendidas as roupas do suspeito com respingos de sangue. A vítima sobreviveu ao ataque.

A mulher foi atacada logo depois de sair de casa para trabalhar, por volta das 5h30. Ela foi encontrada por um homem, que possui uma barraca de bebidas, às margens da Lagoa Azul, no Bairro Baronesa II. À polícia, o comerciante contou que chegou para trabalhar quando percebeu que havia uma pessoa boiando a cerca de 30 metros da margem.

Ele então chamou uma vizinha, que acionou a Polícia Militar, e entrou na água para salvá-la. Conforme o registro de ocorrência, quando a vítima foi retirada da água, a testemunha percebeu que a mulher estava seminua e com diversas lacerações no rosto.

Próximo à margem, estavam os pertences da babá, além de suas roupas e de um pedaço de madeira sujo de sangue. Ainda segundo o B.O., além dos ferimentos no rosto, a mulher também tinha lesões internas nas costelas, fígado e rins.

Como o homem foi identificado?

Assim que acionada, a PMMG fez uma busca por imagens de segurança próximas à lagoa que pudessem mostrar o momento em que a vítima foi atacada. Uma das gravações mostrou um homem vestindo calça e blusa escuras passando pela região. Ele foi identificado.

No endereço do suspeito, os militares encontraram as roupas que ele vestira poucas horas antes, dentro de um balde. As vestimentas tinham manchas de sangue. Além disso, suas botas estavam sujas de barro.

Os materiais foram apreendidos e o homem encaminhado à delegacia da Polícia Civil em Santa Luzia. No entanto, depois de ser ouvido, o suspeito foi liberado por falta de provas.

Procurada, a PCMG informou que no momento da apresentação da ocorrência, a autoridade policial responsável, “com base nos elementos informativos disponíveis”, não identificou indícios suficientes para a ratificação da prisão em flagrante. Apesar disso, o caso ainda está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Santa Luzia.

“A PCMG ressalta que a análise do flagrante é um ato técnico e jurídico, realizado de forma criteriosa e fundamentada, visando assegurar a legalidade do procedimento e os direitos previstos em lei”, reforçou a corporação.

Revolta

À TV Alterosa, o marido da vítima afirmou que foi pego de surpresa pela notícia de que a mulher foi atacada e estava ferida. Ele contou que, em um primeiro momento, não acreditou quando foi chamado por conhecidos, já que só haviam se passado duas horas desde que a esposa tinha saído de casa para trabalhar.

“Eu cheguei lá perto e vi que tinha um carro da Polícia Militar e um Samu parados. Eu pensei que ela estava na rua, mas quando eles falaram que ela estava lá embaixo, perto da lagoa, eu desesperei”, diz o homem, que não será identificado.

Com a liberação do principal suspeito, por falta de provas, o companheiro da vítima relata que o sentimento é de revolta e pede justiça. “Uma pessoa sai para trabalhar e sofre uma agressão dessas. Queremos que as autoridades olhem para o nosso lado. Santa Luzia está abandonada, essa é a realidade [...] Agora fica essa pessoa solta na rua, podendo fazer até mais vítimas.”

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Matheus Cardoso, advogado da babá, afirmou que, apesar da decisão da Polícia Civil, vai pedir à Justiça a prisão do suspeito. “A autoridade entendeu pela liberação do suspeito [...] Estamos acompanhando o caso, as investigações e, nesse momento, o que mais desejamos é que a Justiça seja feita.”

compartilhe