Médica é indiciada por morte de mulher durante procedimento estético
Paciente morreu após se submeter a minilipo. Profissional recém-formada vai responder por homicídio doloso, na modalidade dolo eventual. Defesa contesta
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Uma médica, de 28 anos, de Montes Claros, no Norte de Minas, foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio doloso, na modalidade dolo eventual, pela morte de uma mulher, de 42, durante procedimento estético – minilipo –, realizado pela profissional em 11 de novembro do ano passado.
Segundo a Polícia Civil, a vítima, que era esteticista e natural de Porteirinha, também no Norte do estado, onde foi sepultada, pagou R$ 10 mil pelo procedimento e teve uma parada cardiorrespiratória após ter a artéria femoral atingida durante o procedimento.
O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRMMG) informou que abriu sindicância para apurar o caso e que a investigação corre em sigilo.
Em entrevista coletiva à imprensa, nesta quinta-feira (5/2), a delegada especializada de Homicídios de Montes Claros, Francielle Drumond, disse que a médica é recém-formada, sem possuir especialização para o procedimento cirúrgico, cometendo uma série de erros. “Ela não tinha nenhum tipo de equipamento de suporte, Não tinha carrinho (de atendimento emergencial) para parada (cardiorrespiratória), não tinha desfibrilador, não tinha nenhum equipamento de monitorização”, afirmou a delegada.
“A Polícia Civil concluiu, através da juntada de vários elementos comprobatórios, que não tratou-se apenas de um erro médico, não tratou-se apenas de uma fatalidade. Foi uma sequência de erros, uma sequência de escolhas arriscadas que foram praticadas por essa profissional”, relatou Francielle Drumond.
“Então, em razão dessa sequência de eventos temerários, a Polícia Civil indiciou a médica por homicídio doloso na modalidade de dólar eventual”, declarou. “A Policia Civil entende que embora não tenha desejado esse resultado, ela assumiu o risco de fazer todas essas coisas temerárias”, acrescentou a delegada, lembrando que a indiciada vai responder pelo processo em liberdade.
Em 11 de novembro, a esteticista compareceu a uma clínica, de propriedade da médica indiciada, em um prédio de consultórios médicos particulares em Montes Claros para ser submetida a uma minilipo – procedimento para remover quantidades de gordura localizada no abdome. De acordo com a investigação da Policia Civil, o procedimento foi realizado sem a presença de um anestesista, com a própria médica fazendo a aplicação do anestésico Propofol.
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Durante a intervenção cirúrgica, a paciente teve uma parada cardiorrespiratória. De acordo com a investigação, uma equipe do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência e Emergência (Samu) foi chamada. Mas, quando chegou ao consultório, a vítima já estava sem vida.
“Foi demonstrado também na investigação que houve um improviso na prestação de socorro, já que no ambiente, ali no consultório em que a vítima estava sendo atendida, não tinha nenhum tipo de equipamento de suporte”, observou a delegada. Ela informou ainda que durante a perícia, o médico-legista do Instituto Médico Legal (IML) constatou que a mulher teve a artéria femoral “dilacerada” durante o procedimento cirúrgico, o que ocasionou hemorragia interna, provocando a parada cardiorrespiratória e, consequentemente, a morte.
Defesa
Segundo a delegada Francielle Drumond, a médica foi ouvida durante a fase de investigação do inquérito e alegou que “o consultório dela era monitorado”, que tinha habilitação e que estava fazendo pós-graduaçao na área específifica de cirurgia de lipoaspiração, sendo confrontada por depoimentos de testemunhas e outros elementos reunidos durante o trabalho policial.
O advogado Warlem Freire Barbosa, que defende a médica indiciada pela morte da esteticista, disse que discorda de “forma veemente” do indiciamento de sua cliente por homicídio doloso – dolo eventual.
“A defesa tomou conhecimento do indiciamento feito pela autoridade policial que concluiu as investigações, nas quais a minha cliente restou indiciada por homicídio doloso (dolo eventual). A defesa discorda de forma veemente desse indiciamento, porque o caso não é de dolo eventual. A defesa vai aguardar o posicionamento do Ministério Público para que possa tomar as medidas jurídicas que entender pertinentes”, afirmou o advogado em nota.
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O que é minilipo
A minilipo é um procedimento cirúrgico que remove pequenos acúmulos de gordura localizada em áreas específicas do corpo, como abdômen, flancos, culotes, costas e parte interna das coxas. Diferentemente da lipoaspiração tradicional, que é indicada para tratar volumes maiores de gordura, a minilipo atua de forma mais pontual. Na prática, trata-se de uma lipoaspiração de pequeno porte, que pode ser feita com anestesia local e recuperação rápida, em torno de sete a 10 dias.