Polícia identifica e autua suspeito de atear fogo em casinhas de cachorro
Homem, de 63 anos, foi filmado destruindo estruturas para proteção de cães comunitários. Essa é a segunda vez que as moradias dos animais foram destruídas
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O idoso apontado como o responsável por atear fogo em casinhas para cães comunitários no Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 28 de janeiro, foi identificado e autuado pela Polícia Civil de Minas Gerais. O homem, de 63 anos, chegou a ser filmado por moradores da região enquanto colocava fogo nas estruturas de madeira.
O incêndio ocorreu na Rua Kingston, em meio à repercussão da morte de Orelha, o cão comunitário agredido em Santa Catarina. Mantidas por voluntários e pelo Projeto Cãomer, as moradias visam proteger animais em situação de rua do frio e da chuva. Nenhum animal se feriu.
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Em nota, a PCMG informou que o idoso foi autuado pelo crime de dano e as informações que constam no inquérito remetidas à Justiça. As investigações foram conduzidas pela 3ª Delegacia da PCMG. O homem foi identificado a partir de análise de imagens divulgadas e de levantamentos realizados pela equipe policial.
Como foi o crime?
Segundo vizinhos das casinhas, o homem teria passado de moto, os cães reagiram com latidos, e ele jurou voltar para destruir as casinhas. Depois, retornou a pé e ateou fogo às moradias. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o suspeito entre as casas enquanto o incêndio se espalha.
As marcas do fogo ficaram nas paredes e em alguns telhados improvisados, que formavam uma cobertura para permitir que os cachorros se abrigassem da chuva. Uma vasilha com água foi colocada no local para os animais.
Essa não foi a primeira vez que as casas dos animais foram destruídas. As residências foram vandalizadas em outras três ocasiões, uma delas no final de 2025, quando uma vizinha depredou as moradias dos animaizinhos.
As casas foram reerguidas com doações de voluntários. Ao todo, seis animais vivem no local, muitos com idade avançada. A rua já chegou a abrigar 14 cães, que foram adotados ou morreram, seja pela condição de rua, seja por problemas de saúde.
‘Extrema tristeza’
Alexandra Perdigão, dona da página Adote Jardim Canadá, disse ter ficado chocada com o incêndio. “Quando eu cheguei no lugar, após os incêndios nas casinhas, não consegui nem falar direito, em decorrência da extrema tristeza que senti na hora”, diz a voluntária. Ela explica que os atos de vandalismo são recorrentes e praticados por pessoas diferentes, dificultando a identificação dos responsáveis.
A protetora relembra que esses atos de vandalismo são estruturais e que é necessário promover uma campanha de conscientização para crianças e jovens, para que situações como essa não se repitam. Ela cita o caso do cachorro Orelha.
“Temos que trabalhar a conscientização de crianças, para terem respeito aos animais e à natureza em si. Falar sobre os problemas do abandono e sobre maus-tratos de animais, para impedir que situações como essa ocorram novamente”, afirma. “Temos que desconstruir essa mentalidade, começar a educar os mais novos, mesmo que seja um processo longo, para impedir que essa crueldade ocorra novamente. Nós, que trabalhamos no acolhimento de animais de rua, temos a sensação de que estamos enxugando gelo”, aponta Perdigão.
Ela denuncia que o Bairro Jardim Canadá sofre com o abandono de cães há algum tempo, em decorrência da presença de semi-tutores – pessoas que mantêm os animais na rua e não se comprometem 100% como donos.
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*Estagiário sob a supervisão do subeditor Humberto Santos