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SAÚDE

Proteja-se: folia pra cá, HIV, sífilis e outras infecções pra lá

De camisinha a profilaxia pré e pós-exposição, BH e Minas oferecem arsenal contra doenças sexualmente transmissíveis durante o carnaval

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O carnaval espalha um clima de descontração que toma conta dos amantes da folia. Porém, o período também acende um alerta para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), já que as pessoas aumentam as interações afetivas e sexuais e se expõem mais ao risco de contaminação. Entre elas, a sífilis merece destaque pela elevação de casos em Belo Horizonte no ano passado. Segundo dados do painel epidemiológico Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), foram registrados 5.444 casos em 2025 e 5.127, no ano anterior. Em Minas, foram 23.521 contra 23.262 nos mesmos períodos.

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Infectologista da Santa Casa BH e professor da Faculdade Santa Casa BH, Alexandre Moura explica que a bactéria que transmite a sífilis, Treponema pallidum, é de difícil controle, não há vacina e, apesar do tratamento, a pessoa pode se reinfectar.


“É transmitida, principalmente, pela relação sexual, até mesmo pelo sexo oral. Também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação. A transmissão materno-infantil preocupa muito porque o recém-nascido sofre mais consequências da infecção. No adulto e idoso, a doença pode evoluir, causando lesões genitais. Mas, depois da fase inicial, pode ficar incubada, latente no corpo. Depois de meses ou anos, pode resultar em manifestações neurológicas, quadros de alteração da visão e até demenciais. Pode ser um fator de risco para lesões vasculares do cérebro e se assemelhar a um AVC”, detalha.


Segundo o infectologista, apesar da preocupação pela alta prevalência e transmissibilidade, o tratamento é simples. Feito com penicilina benzatina, disponível em todos os postos de saúde. “É uma bactéria que não adquiriu resistência, isso facilita o tratamento. Formas mais graves ou em recém-nascidos requerem uma medicação venosa, mas essa é a minoria dos casos”, aponta. Porém, ele ressalta que se a pessoa se trata, mas seu parceiro não, pode haver reinfecção. “As pessoas têm vergonha, às vezes podem estar envolvidos episódios de infidelidade conjugal e elas não querem revelar para o parceiro.”


O uso de preservativo ajuda a proteger. “Lembrando que mesmo o sexo oral pode transmitir, então, o preservativo tem que ser usado em todas as formas de relação. Existe uma outra estratégia que é, depois de uma relação desprotegida, tomar um antibiótico para prevenir a infecção. É uma estratégia que o Ministério da Saúde está avaliando e não está disponível no SUS.”


Mas, segundo o especialista, se a pessoa tiver uma relação de risco e quiser se proteger, pode procurar um médico de atenção primária ou infectologista e discutir se vale a pena tomar o antibiótico oral profilático, para tentar evitar que ela se infecte. Outra opção é esperar de 15 a 30 dias para fazer a testagem para saber se está infectada.


“No carnaval, aumenta o número de parceiros e de contato. Então, tem que redobrar a atenção”, reforça. O infectologista lembra ainda os cuidados com o HIV, que provoca a Aids, cuja prevenção é semelhante. “Envolve o uso do preservativo, além da PrEP (profilaxia pré-exposição), que a pessoa pode usar tanto de maneira contínua quanto sob demanda. É um antirretroviral, que a pessoa toma preventivamente para evitar se infectar. A pessoa tem que ser testada, para saber se não tem o vírus e toma o antiviral. Tem a opção de usar depois da relação, a PEP (profilaxia pós-exposição), para evitar infecção”, explica (veja quadro).


Moura destaca ainda outras ISTs. Cabe o alerta em relação ao HPV, vírus que causa câncer de colo do útero e está relacionado também ao câncer de pênis. “Tem vacina para o HPV, dos 9 aos 15 anos. Acima dessa faixa etária é fora do SUS”, lembra.


Prevenção combinada

O infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que a estratégia mais eficaz para as ISTs, atualmente, é a prevenção combinada. “Não falamos mais apenas em um único método. A prevenção moderna utiliza um 'cardápio' de opções que se adaptam à vida de cada pessoa, incluindo o uso de preservativos, as profilaxias medicamentosas (PrEP e PEP), a vacinação e a testagem periódica”, afirma.


“Muitas ISTs são silenciosas. A pessoa pode não apresentar sintomas e continuar transmitindo a infecção”, alerta Cordeiro. Entre as infecções que frequentemente evoluem sem sinais evidentes, ele cita a sífilis, o HPV, a clamídia e as hepatites virais.


Além das medidas preventivas, o médico destaca a importância do check-up de saúde sexual. “A testagem regular permite o diagnóstico precoce e a interrupção da cadeia de transmissão. Testar-se é uma atitude que protege não só quem faz o exame, mas também seus parceiros. Além disso, a vacinação, nos casos de HPV e hepatite B, é fundamental.”


Na capital

A infectologista da Coordenação de Saúde Sexual e Atenção às IST Aids e Hepatites Virais da Prefeitura de Belo Horizonte (pbh, Cintia Parenti, afirma que é importante as pessoas se protegerem com as medidas de prevenção disponibilizadas pela administração municipal.


“As ações de prevenção funcionam o ano inteiro, mas para o carnaval tentamos facilitar ainda mais o acesso a essas estratégias de prevenção. Temos folders feitos especificamente para o carnaval, que serão distribuídos nos pontos do Posso Ajudar da BHTrans. Nestes mesmos locais, teremos distribuição de preservativos internos e externos, gel lubrificante e autoteste para HIV”, explica.


Os pontos serão no Mercado Central, na Praça Tiradentes, na Praça Diogo de Vasconcelos e na Praça Rui Barbosa, todos na Região Centro-Sul da capital. A distribuição nesses pontos será feita das 10h às 16h.
Além desses pontos, também haverá distribuição dos preservativos, gel lubrificante e informativos nos cortejos dos blocos e desfiles das escolas de samba. Ela destaca também os medicamentos de profilaxia PrEP e PEP.


A PEP estará disponível nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital. “Se a pessoa teve uma exposição de risco, sem preservativo ou com rompimento de preservativo, deve procurar o mais rápido possível uma UPA, para receber acolhimento, fazer os testes rápidos e receber a medicação de profilaxia do HIV.”


Durante o carnaval, a PrEP, que está disponível em todos os centros de saúde, terá um ponto específico de distribuição, o Centro de Referência das Juventudes (CRJ), localizado na Rua Guaicurus, 50, ao lado da Praça da Estação. O funcionamento é de sábado (14/2) até terça-feira (17/2), das 10h às 16h. “A pessoa que tem interesse em fazer uso da PrEP deve procurar esse local, vai ser acolhida, fazer a testagem para HIV, hepatite B e C, além de ser avaliada por um profissional de saúde em relação a indicação da PrEP.”


Há também o Programa de Mãos Dadas Contra a Aids, que funciona ao longo de todo ano, mas no carnaval terá ações intensificadas. “Na próxima semana estão previstas ações específicas nas estações do Move Pampulha e Barreiro, além do metrô e na rodoviária, todos os dias das 9h às 20h. Durante os dias específicos do carnaval, as equipes atuam nos pontos Posso Ajudar. Além disso, os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), no Hipercentro e no Bairro Sagrada Família, vão funcionar na segunda-feira (16/2) e na quarta-feira de cinzas (18/2), após o meio-dia.”


Em relação à sífilis, Cintia Parenti ressalta que a PBH faz uma vigilância contínua. Ela atribui o aumento de casos no ano passado em relação a 2024 ao reflexo dessas ações de vigilância e notificação. “Os profissionais de saúde têm sido, continuamente, capacitados para fazer essa abordagem e testagem. Essas ações fazem com que a gente aumente o número de notificações. À medida que aumentamos o número de casos notificados, aumentamos o número de tratamento, e se reduz a transmissão para os parceiros, para as gestantes e a vertical, da mãe para o bebê.”


Já para as outras ISTs ela lembra que há vacinas disponíveis contra hepatites A e B, além de HPV nos centros de saúde.


EM MINAS

O subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), Eduardo Prosdocimi, destaca que a pasta lançou uma cartilha com diversas orientações de promoção e prevenção à saúde para o folião mineiro e para os visitantes neste período do carnaval. “Várias dicas, inclusive, de prevenção a ISTs. Vale lembrar que a SES oferece aos municípios preservativos para serem destinados à população, nas unidades de saúde, como mecanismo de prevenção às ISTs.”


Serão mais de 5 milhões de preservativos masculinos, 60 mil femininos e mais de 600 mil sachês de gel lubrificante. “De forma complementar, temos a metodologia da PrEP, um retroviral para que essas pessoas não sejam submetidas ao contato com o vírus HIV. Temos também a PEP para aquelas pessoas que, eventualmente, tenham entrado em contato com outras que tenham o vírus e não se contaminem”, detalha. Além disso, as cartilhas abordam a prevenção dessas infecções com vacinas, disponíveis em unidades de saúde.


A SES-MG ressalta ainda que em todo o estado haverá ações de prevenção às IST durante o período de carnaval, seja nos CTA, em ações itinerantes ou nas Unidades Básicas de Saúde, com distribuição de preservativos e gel lubrificante, realização de testagem rápida, entrega de leques informativos e atividades de educação em saúde. 

PROTEJA-SE
Confira as dicas para evitar infeccão sexualmente transmissível (IST) no carnaval e os dados sobre a sífilis em Minas e Belo Horizonte

l O uso de camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é o método mais eficaz para evitar a transmissão de IST, do HIV/aids e das hepatites virais B e C. Serve também para evitar a gravidez
l Tome vacinas contra hepatite A (HAV), hepatite B (HBV) e HPV (disponível no SUS para a faixa etária dos 9 aos 14 anos)
l Teste regularmente para HIV e outras IST
l Faça uso de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), quando indicado
l Faça Profilaxia Pós-Exposição (PEP), quando indicado

PrEP e PEP
l PrEP (profilaxia pré-exposição): indicada para pessoas que podem ter exposição frequente ao HIV. Consiste no uso programado de medicamentos antes da relação sexual, permitindo que o organismo esteja preparado para enfrentar o contato com o vírus.
l PEP (profilaxia pós-exposição): é uma medida de urgência. Deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco (como o rompimento da camisinha ou uma relação desprotegida) e mantida por 28 dias, sob orientação médica.

Sífilis em Minas e em BH
Ano Minas BH
2024 23.521 5.127
2025 23.262 5.444

Doze cidades com mais registros de sífilis em 2025
Belo Horizonte 5.444
Contagem 1.078
Montes Claros 456
Juiz de Fora 629
Betim 676
Governador Valadares 459
Uberaba 576
Santa Luzia526
Conselheiro Lafaiete 561
Uberlândia 309
Ipatinga 423
Sete Lagoas 444

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Fonte: Painel epidemiológico sífilis da SES-MG, atualizado em 3/12/25, e Ministério da Saúde

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