Anel Rodoviário: o que mudou e o que ainda deve mudar sob a gestão da PBH?
Gestão municipal, que assumiu o Anel em junho 2025, planeja obras e reforço na fiscalização, mas ainda não define prazos para as principais intervenções
compartilhe
SIGA
Municipalizado no último dia 3 de junho de 2025, o Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo, que atravessa cinco das nove regionais da capital, já sente alguns dos efeitos da nova administração. Entre as medidas implementadas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estão o limite de velocidade uniforme para todas as pistas centrais da via — 70 km/h para automóveis e 60 km/h para veículos pesados —, a limpeza de canaletas, a troca de radares, a implantação de 10 novos pontos de videomonitoramento e a manutenção da sinalização, com repintura de faixas e substituição de placas.
- Vídeo: trecho do Anel Rodoviário alaga com chuvas fortes em BH
- Vídeo: caminhão usa área de escape do Anel Rodoviário
Alguns trechos da via também passam por trabalhos de recapeamento, ainda executados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No entanto, a despeito das melhorias, a via ainda registra o maior número de acidentes na capital, o que se explica, em parte, por ser a recordista em volume de tráfego. De acordo com a PBH, entre 3/6/2025, data da municipalização, e 30/11/2025, foram registrados 1.335 atendimentos na via, que tem cerca de 22,4 km de extensão. Desse total, 407 foram acidentes, dos quais 170 com vítimas. As demais ocorrências envolvem, em especial, panes mecânicas.
O poder público municipal afirma que os números mais recentes indicam uma redução, mas ressalta que ainda é preciso consolidar todos os dados para uma confirmação. “Daqui a alguns meses a gente vai ter o resultado de 2025, vai comparar com o de 2024”, explica o superintendente de operações da BHTrans, Fernando Pessoa.
- BH: área de escape do Anel recebe nome de sindicalista morto em acidente
- Por que o Anel Rodoviário de Belo Horizonte é tão perigoso?
A PBH já possui um plano de benfeitorias para o Anel Rodoviário, incluindo a ampliação de galerias pluviais, a instalação de novos equipamentos de fiscalização e a detecção de veículos pesados na faixa da esquerda. Por fim, a administração municipal pretende realizar obras para eliminar gargalos, como o do Bairro Betânia, na Região Oeste, no ponto em que a via passa sob o viaduto de uma linha férrea.
No entanto, até o momento, a BHTrans não estabeleceu uma data para a conclusão desses trabalhos: “Este é um processo demorado, mas há essa intenção”, pondera Pessoa, condicionando as obras de maior porte à liberação de verbas. O representante do órgão espera que, quando as benfeitorias estiverem totalmente implementadas, a quantidade de ocorrências diminua, mas destaca que o resultado depende também da participação de motoristas e motociclistas.
"A redução de acidentes não ocorre de uma hora para outra; há muitas variáveis. O condutor que passa por ali precisa mudar a cultura, a cabeça", ressalta.
Veículos
De qualquer modo, o próximo passo confirmado será a substituição de parte dos veículos de apoio da via. A frota, que hoje conta com modelos compactos (VW Saveiro), será unificada com 10 unidades da Chevrolet S10. A PBH informa que a troca é motivada pela segurança: devido ao maior porte, a caminhonete permite melhor visualização pelos motoristas. Os veículos integram o sistema de sinalização e possuem painéis de LED em formato de seta na capota, que indicam a interdição de faixas.
Leia Mais
Essas características, segundo o especialista da BHTrans, são essenciais no Anel Rodoviário, que, apesar de atravessar áreas urbanas, mantém perfil de rodovia. O novo modelo tem maior capacidade de carga — 1.122 kg contra 664 kg do anterior —, permitindo o transporte de mais aparatos de sinalização. O custo mensal de locação da nova frota será de R$ 56.855,20, segundo a PBH.
Além das picapes, a BHTrans realiza atendimentos com motocicletas. “Em acidentes que bloqueiam a via, o carro não consegue chegar. Por isso, usamos motos e vamos intensificar essas equipes em 2026”, afirma Pessoa. Segundo ele, o Samu também deverá utilizar a “motolância” para agilizar o socorro. “Ela chega mais rápido para o primeiro atendimento, o que pode dispensar a ambulância em casos simples”, sintetiza. O plano inclui a manutenção de duas ambulâncias convencionais dedicadas à via.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A BHTrans planeja ainda reforçar a frota com reboques superpesados. Atualmente, os veículos municipais deslocam, no máximo, 40 toneladas. "Às vezes precisamos de dois reboques para remover um caminhão. A ideia é ter equipamentos com capacidade para retirar qualquer veículo da pista e liberá-la rapidamente", acrescenta.