Entenda por que manifestantes bloquearam o Anel Rodoviário de BH
Protesto fecha Anel e causa congestionamento nas regiões Oeste e Barreiro, em Belo Horizonte
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A desapropriação de moradores da Vila Maria, na Região Oeste de Belo Horizonte (MG), é o motivo da manifestação que fecha e trava o trânsito no Anel Rodoviário na manhã desta terça-feira (10/2). Segundo a moradora Rosângela Gomes, 41 anos, a Prefeitura da capital mineira quer construir um Centro de Referência em Saúde Mental Infantojuvenil (Cersami) na comunidade.
“Não somos contra a construção do Cersami. Só que não faz sentido tirar essas famílias se há outros terrenos onde é possível construir. Exigimos a suspensão do PL.”
De acordo com Rosângela, eles perderam a primeira votação há três meses, e a segunda votação do projeto de lei será realizada hoje à tarde, às 15h, na Câmara Municipal. “Chegamos ao ponto de fechar o Anel porque a prefeitura não quer conversar com a gente. Eles não ouvem as famílias”, diz.
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O morador Francisco Melo, de 56 anos, afirmou que a mobilização começou por volta das 5h e é motivada pela demora na realocação das famílias que vivem às margens da rodovia. “Isso começou há 10 anos, quando nos avisaram que iam nos desapropriar. Já estão nos enrolando desde então”, afirmou.
A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada pela Reportagem, que aguarda resposta.
Protesto
O protesto bloqueou os dois sentidos da via. Por volta das 6h, uma faixa no sentido Rio de Janeiro foi liberada, enquanto, no sentido Vitória, o tráfego passou a ser desviado pela marginal. Motoristas que trafegam pelo Anel Rodoviário, na altura do Betânia, em Belo Horizonte, enfrentaram dificuldades na manhã desta terça-feira (10/2) devido à manifestação contra a possível desapropriação de moradores da Vila Maria, na região Oeste da capital.
Para tentar escapar do congestionamento, condutores passam pela marginal da via, que está tomada por esgoto. Uma boca de lobo entupida transborda água, que se espalha pela pista, descendo em direção ao ponto do protesto.
Equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e BHTrans acompanharam a manifestação. Os bombeiros atuaram para apagar focos de incêndio registrados no sentido Rio de Janeiro.
Congestionamento
O congestionamento se estendeu para a Via do Minério, com reflexos no trânsito em vários bairros da região do Barreiro, como Bernadete e Bonsucesso, próximo ao Hospital Eduardo de Menezes. Trajetos que normalmente levam cerca de 20 minutos chegam a durar até duas horas para alguns moradores.
A manifestação bloqueia trechos do Anel Rodoviário na altura do bairro Betânia e causa reflexos em diversas vias da região Oeste da capital, com congestionamentos, desvios improvisados e atrasos para quem tenta chegar ao trabalho, à escola ou a outros compromissos.
Segundo a BHTrans, a orientação é que motoristas evitem a região, já que o bloqueio gera um “efeito dominó” no trânsito, principalmente na região Oeste, com impacto que se espalha gradativamente para outros pontos da cidade. O órgão alerta que os reflexos podem ser sentidos em praticamente todas as principais vias da capital. Há retenções nas saídas do Buritis, no Bairro das Indústrias, no Betânia, na Avenida Waldyr Soeiro Emrich e na Avenida Teresa Cristina, vias que dão acesso ao Anel Rodoviário, utilizado por quem segue em direção a Vitória (ES).
Por volta de 6h45, o congestionamento no sentido Rio de Janeiro (RJ) chegou a cerca de 7 quilômetros, enquanto a lentidão no sentido Vitória se aproxima de 3 quilômetros, de acordo com a BHTrans. Às 6h55, em negociação com os manifestantes, a Polícia Militar conseguiu liberar duas faixas no sentido Rio de Janeiro. Já no sentido Vitória, o tráfego foi desviado para a pista marginal.
Vila Maria
O Estado de Minas foi até a comunidade que ocupa às margens do Anel Rodoviário, na altura do Bairro Betânia, há cerca de 20 anos. O que se vê no local são casas simples e humildes, em contraste com o Bairro Buritis, ao fundo do horizonte, com edifícios e grandes condomínios.
Segundo Rosângela, vivem cerca de 100 famílias na localidade. “Na pandemia, ela cresceu, porque famílias não tinham para onde ir e vieram para a vila. Há cinco anos sofremos represálias da prefeitura, que defende a construtora na região. É um preconceito com a população”, afirma.
Cersami
Os Centro de Referência em Saúde Mental Infantojuvenil (Cersami) são serviços que acolhem a urgência em saúde mental para crianças e adolescentes, com atendimento intensivo às crises e casos graves, inclusive relacionados ao abuso e uso problemático de álcool e outras drogas, vulnerabilidades e situações de violência, sempre que esses quadros impossibilitem a manutenção ou o estabelecimento de laços sociais ou causem graves desorganizações psíquicas, gerando consequente sofrimento. Funcionam da mesma forma que os Cersams, com a diferença em relação ao público atendido, abaixo de 18 anos.
Belo Horizonte conta atualmente com três Cersamis, e o acesso também é realizado por demanda espontânea ou encaminhamentos variados (Centro de Saúde, Samu, PM, Conselho Tutelar, unidades do sistema socioeducativo, entre outros). Não há Cersamis nas regiões Oeste e Barreiro, onde fica a Vila Maria.
CERSAMi Noroeste (referência para as regionais Noroeste, Oeste e Pampulha)
Rua Manhumirim, 415 – Padre Eustáquio
Celular corporativo: (31) 98451-5085
Funcionamento das 7h às 19h
CERSAMi Nordeste (referência para as regionais Nordeste, Norte e Venda Nova)
Praça Muqui, 155 – Renascença
(31) 3246-7566 / 3246-7565
Funcionamento das 7h às 19h
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CERSAMi Centro-Sul (antigo CEPAI) (referência para as regionais Centro-Sul, Leste e Barreiro)
Rua Padre Marinho, 150 – Santa Efigênia
(31) 3235-3022 / 3235-3027 / 3235-3010 / 3235-3002 / 3235-3006
Funcionamento das 7h às 19h