O motel Le Baron, localizado no Bairro João Pinheiro, Região Noroeste de Belo Horizonte, é fechado depois de 35 anos. O estabelecimento já havia dito que fecharia as portas, mas anunciou, nesse domingo (1°/2), que encerrou as atividades. O Le Baron foi inaugurado em fevereiro de 1991 e conquistou grande clientela.
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“Foram anos acompanhando o crescimento de Belo Horizonte, acolhendo casais apaixonados, reencontros inesperados, comemorações discretas, amores secretos e inesquecíveis. Mais que um motel, fomos cenário de vidas cruzadas, de lembranças únicas, de descobertas e emoções que nem sempre cabem em palavras”, diz a publicação.
Segundo o motel, que se transformará em um edifício, o propósito da empresa foi de oferecer um espaço “seguro, discreto e acolhedor para encontros que marcassem a vida” das pessoas que passassem por ele. Conforme noticiado em outubro do ano passado pelo Estado de Minas, serão construídos 180 apartamentos e um supermercado no local.
Ainda de acordo com o Le Baron, o estabelecimento fez parte do cotidiano afetivo de BH por mais de três décadas, além de enfrentar mudanças do tempo com respeito à nossa essência e compromisso com a experiência de quem nos escolheu. O estabelecimento afirma que seguirá vivo na memória afetiva de muitos belo-horizontinos
“Nos despedimos com o coração cheio de gratidão. Aos nossos hóspedes fiéis, parceiros de jornada, fornecedores e, principalmente, à equipe que cuidou deste lugar com carinho e profissionalismo ao longo dos anos: nosso mais sincero obrigado”, finaliza a publicação.
Nos comentários da postagem, inúmeros internautas comentaram agradecendo o tempo de atividade do motel e até relembrando histórias. “Lugar top, vai deixar saudades”, comentou um homem.
“Muito triste! Super gostava...Pelo menos tive o privilégio de comprar algumas roupas de cama e outras coisinhas para guardar na lembrança”, disse uma mulher.
“Nossa, que pena!! Ficarão as memórias e histórias para contar. Vai deixar saudades… Ótima estrutura, atendimento, qualidade…uma pena mesmo”, escreveu outra.
Encerramento alegra moradores
Por outro lado, a mudança foi vista de forma positiva pelos moradores do bairro, pois o antigo empreendimento causava reclamações recorrentes dos vizinhos. De acordo com o porta-voz da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Dom Cabral, Leonardo Camilo, os moradores questionavam a existência do motel desde antes de sua construção e chegaram a fazer um abaixo-assinado para que isso não ocorresse, mas sem êxito.
“O negócio não foi bem-aceito pela comunidade local, devido ao modelo de negócio do estabelecimento. Por ser um motel, estar situado em um bairro residencial e em um local muito familiar”, afirma Leonardo.
Em maio de 2025, alguns residentes do bairro começaram a reclamar da fumaça que saía da chaminé do motel, com a indicação que o odor e a fuligem causavam problemas respiratórios para os moradores da região.
"Houve várias tentativas de contato, e os moradores não foram atendidos. Morar perto do motel virou um pesadelo. A fumaça que sai de lá é constante, pesada e possivelmente tóxica. Ela entra pelas janelas, se espalha pela casa, cai sobre a nossa comida, deixa as camas com mau cheiro e faz a gente perder o ar”, alegou a postagem feita no Instagram da Associação.
Na ocasião, a dona do motel, Roberta Rocha, disse que a fumaça era originada da queima de lenha para o aquecimento da água do estabelecimento, que funciona 24 horas. "É uma lenha natural, com certificado e nota fiscal. Ela não tem aditivo, então não tem cheiro ácido. Ela tem cheiro de mato, de natureza", afirmou.
De acordo com os moradores na época, eles começaram a fazer um monitoramento próprio para identificar a cor, o cheiro e a hora em que as fumaças saíam com mais intensidade das chaminés. Eles indicavam que no período da noite o odor era mais forte.
A Secretaria Municipal de Política Urbana afirmou na época que o estabelecimento estava em dia com a documentação, o que garantia o alvará de funcionamento e de localidade do motel. O órgão fez visita ao empreendimento e emitiu multa por “emissão de fumaça odorífera", garantindo monitoramentos contínuos para penalizar possíveis irregularidades.
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* Estagiário sob supervisão da editora Ellen Cristie.
