Paulo Henrique Mariano Cordeiro, de 35 anos, réu por injúria contra um casal de mulheres em um supermercado no Bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte, proferida em 8 de junho de 2025, foi ouvido pela Justiça nesta segunda-feira (9/2). O homem participou, assim como as vítimas, de uma audiência de instrução do caso. Ele responde por intolerância ou injúria motivada por orientação sexual.

De acordo com o Fórum Lafayette, o acusado optou por ficar em silêncio durante seu interrogatório. No entanto, durante a audiência, um parente do réu, na posição de testemunha de defesa, afirmou que sendo um homem gay, nunca foi maltratado por ele.

Além disso, ao final, a defesa do réu pediu vista para anexar novos dados e relatórios médicos do acusado. O assistente de acusação pediu para que a medida protetiva das vítimas contra o réu fosse mantida, o que foi deferido pelo Juiz Bruno Taveira, da 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

O que disseram as vítimas?

Durante a audiência, as duas vítimas também prestaram depoimento. As mulheres relataram que estavam no caixa do supermercado quando o casal que estava atrás, na fila, se incomodou com o fato de o filho delas chamar as duas de “mãe”. A esposa do acusado então teria começado a empurrar o carrinho das vítimas.

Na sequência, uma das vítimas afirmou “em pleno 2025 e estamos vivendo isso”. O acusado então passou a discutir com a família e xingar as vítimas. As mulheres relataram que a ocorrência resultou em medo e ansiedade, inclusive ao chegar e sair de casa - já que o acusado escutou onde as duas moravam. Relataram também que o filho de 8 anos presenciou tudo e ficou muito assustado.

Com os depoimentos, o magistrado, responsável pelo caso, determinou, após deferir os pedidos do assistente de acusação e da defesa, o fim da fase de instrução e abriu um prazo para que as partes apresentem as alegações finais.

Como foi o crime?

À época, no último junho, o casal relatou à Polícia Militar que foi ofendido por Paulo Henrique e por uma mulher que o acompanhava na fila do caixa. As ofensas homofóbicas teriam se intensificado ao perceberem que o casal estava acompanhado do filho de 7 anos. Parte das agressões foi registrada em vídeo.

"Sapatão, filha da p*. É isso que você é. Sapatão não gosta de 'pagar' de homem? Mas, nessas horas, não é homem, né?", disse Paulo Henrique.

Na ocasião, o caso foi registrado como injúria e encaminhado à 3ª Delegacia da Polícia Civil, na Região Sul da capital. De acordo com o relato das vítimas, os agressores riram quando perceberam a chegada da polícia e tentaram minimizar a situação.

Agressão dentro de sauna gay

Paulo Henrique Mariano Cordeiro tem vários outros registros policiais. Em 2009, ele foi conduzido a uma delegacia depois de agredir um jovem de 22 anos em uma sauna gay no Centro de Belo Horizonte.

A vítima relatou à Polícia Militar que dois homens se aproximaram para conversar e iniciaram as agressões. O jovem foi segurado pelo pescoço e atingido por socos no rosto.

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Em 2010, Paulo foi citado em uma ocorrência policial registrada por um porteiro do Edifício Araguaia, também no centro da capital. Ele teria quebrado o vidro do balcão da recepção após discutir com outro homem. Quando era menor de idade, em 2007, ele foi apreendido por agredir a tia.

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