O adolescente apreendido por suspeita de participação no triplo homicídio ocorrido em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi liberado sem escolta ou proteção das forças de segurança, segundo a defesa. A saída do jovem do Centro de Internação Provisória Dom Bosco, no Bairro Horto, ocorreu por volta das 20h40 dessa quinta-feira (12/2).
De acordo com o advogado do menor, Gilmar Francisco, a situação é resultado de falhas no processo investigativo. “Não houve prestação jurisdicional nem estatal. A mãe saiu pela porta da frente com o menor em carro particular cedido pela própria família. Eles estão em casa de amigo, porque ele não pode ficar em casa de parentes, que não o aceitaram com medo de represálias e ameaças constantes”, afirmou.
A defesa sustenta que o adolescente foi apontado como principal suspeito por ser ex-namorado de uma das vítimas, mas que a única sobrevivente que estava na padaria não o reconheceu. Segundo o advogado, o depoimento teria sido interpretado de forma equivocada e a família sempre negou a participação do jovem no crime.
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Ainda conforme a defesa, a ausência de provas e a pressão social teriam levado à apreensão do adolescente. “Em vez de pedir a inserção do menor em programa de proteção, pediram a internação dele. Primeiro prenderam e depois investigaram. Foi um processo cheio de vícios”, disse.
O advogado afirma que o adolescente e os familiares continuam recebendo ameaças e que não houve apoio do Estado após a liberação. “O dia inteiro ficam carros parando na porta da casa da família. Eles estão temerosos com a situação”, relatou.
Segundo ele, a própria família reuniu imagens, áudios e comprovantes para demonstrar a inocência do menor, o que teria motivado novas diligências policiais na busca pelo autor do crime.
A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério Público de Minas Gerais foram procurados pela reportagem e ainda não se manifestaram.
Investigação da polícia
A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) sobre a morte de três mulheres em uma padaria em Ribeirão das Neves, no último dia 4, aponta que o adolescente de 17 anos, apreendido, não tem relação com o homem de 30 anos, preso nessa quarta-feira (11/2). De acordo com a polícia, o homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma. Com isso, ele passa a ser o principal suspeito do crime e o menor pode ser solto.
Em coletiva de imprensa realizada nessa quinta-feira (12/2), o delegado Marcus Rios, titular da Delegacia Especializada em Investigação de Homicídios de Ribeirão das Neves, informou que comunicou a Vara da Infância sobre a prisão realizada na quarta para que o órgão tome uma decisão sobre o adolescente. De acordo com Rios, o menor continua sendo suspeito, pois as investigações estão em andamento, mas afirmou que um promotor já havia solicitado a soltura dele ao Poder Judiciário.
"Teve a apreensão em flagrante de um menor, que foi internado por ato infracionário pelo crime de homicídio. Ontem, um homem de 30 anos foi preso em flagrante por posse ilegal de arma, que passou a ser o principal suspeito do crime. Diante disso, a PC comunicou o Ministério Público (MPMG)", disse.
O novo suspeito foi preso em flagrante no Bairro Céu Azul, na Região Venda Nova, em Belo Horizonte, e confessou ter cometido o crime. Além de ser apontado como envolvido no triplo homicídio, ele é investigado por uma tentativa de homicídio ocorrida no dia seguinte ao crime, em uma oficina na Grande Belo Horizonte. Com ele, foram encontrados uma arma de fogo artesanal, munições e outros objetos.
Durante a coletiva, a PC informou que a investigação segue em andamento e, por isso, não é possível definir a motivação dos crimes. No entanto, a apuração aponta que o principal suspeito não tinha nenhuma relação com o adolescente.
Relembre o caso
Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, Emanuelly e Ione Ferreira Costa, de 56, foram vítimas do crime na semana passada. As jovens trabalhavam no estabelecimento e Ione era cliente da padaria. Emanuelly chegou a ser socorrida e encaminhada em estado grave ao Hospital Risoleta Neves, onde morreu.
De acordo com o boletim de ocorrência, equipes foram até um endereço no Bairro Céu Azul, na Região Venda Nova, em BH, após receberem informações sobre o possível autor. No local, os militares localizaram uma motocicleta com características semelhantes às usadas no crime da padaria.
O ex-namorado de Nathielly foi apreendido e passou por audiência. A mãe do jovem afirmou que ele não é o autor do crime e sustentou que o filho estava em casa no momento dos fatos, apresentando imagens e comprovantes como álibi. Informações preliminares indicam ainda que uma testemunha teria dúvidas sobre a autoria.
Por outro lado, relatos de pessoas que estavam nas proximidades apontam que o ex-namorado teria ido ao local por ciúmes e iniciado uma discussão antes dos disparos. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer a motivação e a dinâmica do crime.
Tentativa de homicídio em oficina
A hipótese seguida pela polícia no momento é que, depois de matar as mulheres na padaria, o homem tentou cometer um novo homicídio no dia seguinte. Conforme a Polícia Militar (PM), ele chegou à oficina em uma motocicleta e fez vários disparos, mas nenhum tiro atingiu a vítima, um adolescente de idade não divulgada. Ele fugiu em seguida.
Ainda segundo o registro policial, ao se aproximarem do imóvel, os policiais viram o suspeito manuseando um objeto semelhante a uma arma de fogo e tentando escondê-lo dentro de um fogão. Durante as buscas, foram apreendidos uma arma artesanal, um carregador e 11 cartuchos calibre .380 intactos, além de outros materiais.
No imóvel também foram recolhidos uma capa de colete balístico com compartimentos, placas balísticas, touca tipo ninja, um capacete branco, uma bolsa de entrega, um telefone celular e uma carta manuscrita. A motocicleta foi removida para um pátio credenciado.
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A PM informou ainda que testemunhas reconheceram características físicas e objetos associados ao suspeito. O homem foi conduzido à delegacia e deve responder, inicialmente, por homicídio e posse irregular de arma de fogo. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
