Telões de led de quatro metros de altura espalhados pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, e pelas avenidas que abrigam as vias sonorizadas para os blocos do carnaval de BH vão exibir 20 obras do artista plástico mineiro Fernando Pacheco. As pinturas foram feitas especialmente para esta exposição, intitulada “Carnaval com arte - quando a rua vira tela”. Ela teve início na segunda-feira (9/2), vai até 23 de fevereiro e convida os foliões a uma reflexão: “Onde eu poderia me encontrar através do outro?”.

Uma outra obra de Pacheco, intitulada “Voar”, já compõe a decoração do aeroporto há 20 anos. Os quadros da exposição estão sendo exibidos no saguão térreo onde ocorrem os desembarques nacionais e internacionais. E a ideia de o lugar sediar parte da mostra se deve ao aumento de turistas que vêm curtir o carnaval na capital mineira: “O aeroporto espera que passe quase 1 milhão de pessoas por lá nesse período”.

 

Carnaval com arte Lucas Rodrigues/Divulgação
Carnaval com arte Lucas Rodrigues/Divulgação
Carnaval com arte Lucas Rodrigues/Divulgação

As pinturas feitas com tinta acrílica sobre cartão também poderão ser vistas nas vias sonorizadas do carnaval, nas avenidas dos Andradas, Amazonas e Brasil. “Foi um desafio, é um tema diferente dentro da minha produção”, contou o artista sobre o processo criativo desta exposição.

Dentro do tema carnaval, ele afirmou que queria sair do clichê, como retratar instrumentos, e focou em pessoas e encontros que a festa de rua proporciona. “Quis fazer uma reflexão sobre o encontro com outras pessoas e consigo mesmo. A pessoa está no meio da multidão e, de repente, se sente só. Olhando todos aqueles rostos pintados e mascarados, pode surgir uma reflexão: Onde eu poderia me encontrar através do outro?”, divagou. 

O projeto, criado pelo próprio artista, foi escolhido em meio a outras iniciativas para receber recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com patrocínio da Cemig e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).

O pintor ressaltou que as obras vão além da festa: “Elas valem como linguagem artística, e quando terminar o carnaval, continuam valendo, não são datadas”. Os quadros passarão a pertencer ao acervo institucional da Secult.

O artista

Fernando Pacheco nasceu em São João del-Rei e tem o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, onde vive. Ele já expôs em grandes museus brasileiros como Pinacoteca, Museu de Arte Moderna e Museu de Arte Contemporânea, em São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte da Pampulha, na capital mineira.

Desde 2011, o pintor expôs em países de quatro outros continentes – Europa, Ásia, Oceania e América do Norte – e recebeu 45 premiações.

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*Estagiária sob supervisão de Thiago Prata

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