'Flashover' pode explicar porque fogo se espalhou em segundos em tragédia na Suíça, diz especialista
Autoridades ainda investigam as causas do incêndio que deixou ao menos 40 mortos e 115 feridos em um bar na estação de esqui de Crans-Montana.
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As causas do incêndio que deixou ao menos 40 mortos e 115 feridos em um bar na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, continuam sendo investigadas.
Enquanto as autoridades do país tentam entender exatamente o que aconteceu, um especialista ouvido pela BBC aponta uma possível razão para explicar porque o fogo se espalhou tão rápido dentro do Le Constellation, onde várias pessoas comemoravam o Ano Novo na madrugada do dia 1º.
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Em entrevista ao programa The World Tonight, o presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, Richard Hagger, falou sobre o fenômeno do "flashover", que, em sua avaliação, pode ter tornado o incêndio tão mortal.
"Um flashover é basicamente o rápido desenvolvimento de um incêndio dentro de um ambiente. Começa com um foco de incêndio, as chamas e a radiação térmica sobem até o teto e se espalham rapidamente", disse Hagger.
"Essa radiação térmica então se propaga para baixo, atingindo outros materiais combustíveis, como móveis e mesas, elevando a temperatura a ponto de esses materiais se decomporem termicamente e produzirem gás inflamável. E então esse gás se inflama, mas a uma velocidade bem rápida", acrescentou.
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"O lugar, na prática, fica completamente tomado pelas chamas em questão de segundos."
Oficialmente, as autoridades suíças não divulgaram as causas do incêndio. Em entrevista coletiva na quinta-feira (1/1), a procuradora-geral do cantão de Valais Beatrice Pilloud afirmou que não pode confirmar nada enquanto a investigação estiver em andamento.
Ela chegou a ser questionada por jornalistas sobre relatos de testemunhas que afirmaram acreditar que o incêndio teria começado por conta de uma vela, mas não comentou sobre a hipótese e ressaltou: "O trabalho vai levar tempo".
Duas pessoas que estavam no bar no momento do incêndio relataram ao canal francês BFMTV que uma das garçonetes teria colocado velas de aniversário em cima de garrafas de champanhe e que uma delas teria sido erguida muito próxima ao teto, que teria então pegado fogo.

Autoridades dizem não saber quantas pessoas estavam no bar no momento da tragédia, que aconteceu à 1h30 do horário local (21h30 do horário de Brasília) do dia 1º.
O trabalho para reconhecimento dos mortos e dos feridos ainda está em curso e "vai levar tempo", disse o chefe do governo regional do cantão de Valais, Mathias Reynard, reconhecendo, no entanto, que a espera é "insuportável" para a família das vítimas.
Falando à BBC Radio 4, Robert Larribau, chefe do Centro de Comunicação Médica de Emergência dos Hospitais Universitários de Genebra, informou que parte das vítimas é muito jovem, com idades entre 15 e 25 anos.
Algumas sofreram queimaduras internas no corpo, após inalarem fumaça.

A área ao redor do bar foi totalmente cercada pela polícia, que ainda trabalha no local. Segundo o repórter da BBC Nick Johnson, que está no local, além da fita policial também foram montadas tendas forenses, por onde os agentes tem circulado no dia seguinte à tragédia.
Do outro lado do cordão policial, acrescenta Johnson, a atmosfera é mais tranquila e reflexiva, com as flores e velas deixadas pelos que passaram durante a noite de quinta para prestar homenagens a vítimas.
Em uma área grande repousam centenas de buquês de flores, acompanhados de mensagens de amor e esperança.
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Segundo o repórter, embora o Crans-Montana seja um resort internacional, predomina no local uma atmosfera de comunidade unida. Muitos dos moradores entrevistados após a tragédia afirmaram conhecer alguém que estava no bar no momento do incêndio.
Uma moradora entrevistada pela BBC contou que acabara de saber que seus dois amigos que estavam no Le Constellation morreram no hospital, após sofrerem os efeitos da inalação de fumaça. Ambos tinham 20 anos.
Ela falou sobre a culpa que sentia por estar bem, enquanto a família dos amigos está sofrendo tanto.

'Muitas cenas chocantes'
O Le Constellation, por sua vez, era uma "verdadeira instituição", como descreveu a jornalista da BBC Silvia Costeloe, acrescentando que, apesar de região ser conhecida pelo luxo, o bar não era suntuoso, mas um local amplo, onde muitos turistas e locais iam se divertir.
Os relatos de testemunhas e pessoas que estavam lá no momento do incêndio são de desespero.
"As pessoas corriam em todas as direções, gritando e chorando", contou Daniella, de Milão. "Um jovem veio até mim e disse que tinha visto o inferno — coisas que jamais esqueceria."
Um jovem de 18 anos que não quis se identificar disse que entrou no bar durante o incêndio para procurar seu irmão mais novo. "Vi pessoas queimando... Encontrei pessoas queimando da cabeça aos pés, sem roupa nenhuma", disse ele.
Axel Clavier disse que ficou preso no prédio em chamas e precisou quebrar uma janela para escapar. "Não conseguíamos enxergar nada por causa da fumaça", disse ele à agência de notícias AFP, "metade das minhas roupas sumiu, foi uma loucura."
A testemunha Dominic Dubois disse à agência de notícias Reuters que um bar próximo ofereceu abrigo e usou cortinas para ajudar a manter as pessoas aquecidas.
"Eles fizeram um trabalho incrível ao permanecer abertos. Estava quente lá dentro, e isso era o necessário", afirmou.
Uma agência local do banco UBS também foi aberta, acrescenta ele: "Empurramos todas as mesas para o lado, todas as mesas foram afastadas, e as pessoas entraram. Estava quente lá dentro e havia mais luz também".
Dubois disse ter visto "muitas cenas chocantes", acrescentando: "Havia muitas pessoas muito fortes, que se mantiveram firmes e entenderam que suas vidas estavam em perigo, mas decidiram que, mentalmente, era mais importante manter a calma".

Entre os mortos e feridos, acredita-se que haja pessoas de várias nacionalidades, que estavam passando o fim de ano nos Alpes suíços.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que 16 cidadãos italianos estão desaparecidos. O país é vizinho da Suíça.
Três cidadãos italianos foram transferidos para um hospital em seu país, na cidade de Milão.
O Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que oito cidadãos do país são considerados desaparecidos após a ocorrência na Suíça e podem estar entre os mortos.
O time francês FC Metz confirmou que um de seus jogadores, da categoria juvenil, está entre os feridos e foi transferido um hospital na Alemanha. Tahirys dos Santos, de 19 anos, foi "queimado de forma grave", disse o clube.
O presidente suíço, Guy Parmelin, classificou o incêndio como "uma das piores tragédias que o país já viveu".
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