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EUROPA

Trump retira tarifas e diz que acordo sobre a Groenlândia está próximo

Presidente norte-americano afirmou que firmou base para um acordo sobre 'toda região do Ártico' e que será 'excelente' para todos os países da Otan

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Horas depois de dizer que não abriria mão da Groenlândia, mas que descartava o uso da força, o presidente Donald Trump anunciou a abertura de uma negociação com a Otan sobre o tema e suspendeu a aplicação de tarifas contra países que defendem a soberania da Dinamarca sobre o território autônomo.

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Ele encontrou-se no início da noite desta quarta-feira (21/1) com o secretário-geral da aliança militar ocidental, o holandês Mark Rutte, em Davos (Suíça).

Horas antes, ele havia feito um caudaloso discurso no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, no qual disse: "As pessoas acham que eu vou usar a força, mas eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força, eu não vou usá-la".

"Estou buscando negociações imediatas para discutir a aquisição da Groenlândia pelos EUA", completou. O encontro com Rutte foi breve, e ambos não deram declarações públicas. Coube a Trump ir à sua rede social, a Truth.

"Definimos a estrutura de um futuro acordo com relação à Groenlândia e, na verdade, à toda a região do Ártico. Essa solução, se concretizada, será excelente para os EUA e para todas as nações da Otan. Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro", afirmou.

No sábado (17/1), Trump havia anunciado as sobretaxas de 10% sobre importações feitas pelos EUA da Dinamarca e de mais sete países europeus que apoiaram Copenhague, inclusive com o envio de pequenos contingentes militares para um exercício visando demonstrar capacidade de defesa da ilha ártica.

A União Europeia havia marcado uma reunião de emergência nesta quinta (22/1) para discutir como faria a retaliação à medida anunciada. Com o recuo de Trump, talvez mude de ideia.

Não há detalhes sobre qual o arranjo a ser negociado. Os EUA já têm a maior presença militar na ilha, com uma base remanescente da Guerra Fria que monitora eventuais lançamentos de mísseis nucleares de silos terrestres russos ou chineses usando o atalho do Ártico.

Uma possibilidade é os EUA ampliarem sua presença na ilha estratégica, aproveitando a brecha do tratado que tem com a Dinamarca desde 1951 e permitiu a existência de outras bases na ilha, que acabaram fechadas. Mas isso é incógnita.

No seu esperado discurso, o americano defendeu a investida sobre a ilha ártica, que novamente chamou de um ativo indispensável parar a segurança dos EUA em caso de um conflito com a Rússia ou a China. "Qualquer guerra seria travada lá", disse.

"Tudo o que eu peço é um grande e belo pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos. Nós demos à Otan muito, e não recebemos nada de volta", disse Trump sobre a aliança militar ocidental criada pelos EUA em 1949, da qual a Dinamarca é membro fundador.

O chanceler dinamarquês, Lokke Rasmussen, disse logo depois que achou positivo o descarte momentâneo do uso da força, mas ressaltou que "a ambição do presidente segue intacta".

O republicano lembrou que os EUA ocuparam a ilha quando os nazistas tomaram a Dinamarca em seis horas, em 1940, devolvendo o território a Copenhague ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

A medida visava evitar a chegada de forças alemãs à periferia americana. "Foi estúpido", disse Trump, dizendo que "a Dinamarca foi ingrata".

Em 1946, a Casa Branca tentou comprar a ilha, mas a proposta foi rejeitada pelos europeus. "Só queremos esse pedaço de gelo. Se vocês aceitarem, vamos gostar bastante. Se não, vamos nos lembrar", afirmou, sem elaborar.

Ao mesmo tempo, fez diversas referências ao poderio militar americano, lembrando da captura de Nicolás Maduro na Venezuela no começo do ano e o bombardeio a instalações nucleares do Irã no ano passado. Queixou-se de que a Dinamarca só teria aplicado 1% do prometido em 2019 para a defesa da Groenlândia.

Até aqui, pouco havia ocorrido em termos de negociação: uma delegação dinamarquesa e groenlandesa foi a Washington tentar discutir o caso, mas recebeu do vice-presidente J. D. Vance e do secretário Marco Rubio (Estado) o relato simples: o chefe deles quer a ilha.

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"Nenhuma nação ou grupo de nações está em posição de assegurar a Groenlândia além dos EUA", afirmou, citando a posição estratégica da ilha como o motivo de desejá-la. Negou que esteja atrás dos recursos minerais locais, segundo ele de difícil acesso.

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