Paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR) do Sudão realizaram "assassinatos em massa" em Darfur e tentaram ocultar os corpos em valas comuns, afirmou nesta segunda-feira (19) a procuradora-adjunta do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Nazhat Shameem Khan declarou ao Conselho de Segurança da ONU que "o escritório do promotor considera que foram cometidos crimes de guerra e crimes contra a humanidade" quando as FAR tomaram, em outubro, o último reduto do Exército em Darfur, em uma ofensiva sangrenta marcada por execuções, saques e estupros.

"Nosso trabalho revelou assassinatos em massa e tentativas de ocultar os crimes por meio de valas comuns", afirmou Khan, dizendo possuir provas em áudio, vídeo e imagens de satélite.

Desde abril de 2023, a guerra civil entre o Exército sudanês e as FAR causou dezenas de milhares de mortos e 11 milhões de deslocados.

Organismos internacionais e grupos de direitos humanos denunciaram ambos os lados por cometer atrocidades contra a população civil.

As imagens analisadas pelo TPI, segundo Khan, mostravam combatentes das FAR enquanto detinham, maltratavam e executavam civis em El Fasher, para depois celebrar os assassinatos e "profanar os cadáveres".

As atrocidades cometidas em El Fasher, acrescentou a procuradora-adjunta, coincidem com o que ocorreu em 2023 na tomada pelos paramilitares da capital de Darfur, El Geneina, onde especialistas da ONU estimaram que as FAR mataram entre 10.000 e 15.000 pessoas.

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